(in Anamnesis (1.ª Edição: Janeiro de 2016))
Agora mesmo
como se não houvesse amanhã
nem tivesse havido ontem
Como se não tivesse existido a hora passada
e vivesse ausente do presente
há já uma eternidade desmemoriada
Agora mesmo
sem um relevante pensamento
um apetite evidente
uma ideia emergente
Na tranquilidade absoluta
de quem não vai nem vem de nenhuma luta
Sem dar conta do tempo passar
sem um zunido sequer que me possa enervar
fora ou dentro dos ouvidos
Com todos os sentidos a funcionar esplendidamente
tanto que nem eles se dão conta de si
por nada terem que a mim me dizer
De corpo relaxado
e de espírito enlevado
de cérebro todo tomado pela consciência
e a consciência a monitorizar apenas a alma
Sem amor
sem ódio
fantasia ou contrição
tristeza ou alegria
teoremas ou dilemas
sem motivos de glória ou de frustração
Em puro estado de graça de poesia
de cordão umbilical bamboleante preso a este poema
Agora mesmo
dou-me conta de que flutuo
Concluo que estou a levitar
Vale de Salgueiro, sábado,
5 de Maio de 2012
Henrique António Pedro

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