Recordo-a
agora que é tempo de vindimas
de
cânticos de meninos e meninas
e
os silvedos que bordejam os caminhos floriram
e
se emolduraram de botões de amora
doces
pequeninos
Nunca
me dera por ela embora a tivesse ali
ao
alcance das mãos
que
frequentemente se apertavam
dos
braços que por tudo e por nada se abraçavam
dos
rostos que amiúde se tocavam
dos
sorrisos que permanentemente se trocavam
e
dos olhares que sempre se conluiavam
Porém
naquela
manhã louçã
na
verde verdade da mocidade
em
que se não mente
sabido
que uvas
amoras
espigas
e
raparigas
amadurecem
simultaneamente
mas
os rapazes só mais tarde
Na
sequência da brincadeira
ela
colocou uma amora silvestre
preta
aveludada
entre
os seus lábios carnudos
carmim
e
de olhar lampejante de sedução
me
desafiou assim
matreira
a
que eu com os meus lábios também
lhe
roubasse o doce drupa
Percebi
não
resisti
e lancei-me
de
imediato
na
inocente disputa
Mas
aconteceu o inesperado
quando
os nosso lábios se tocaram
e
todos os sentidos falaram
soltando
descargas eléctricas
magnéticas
por
todo o lado
Segurei-lhe
então a cabeça pela nuca
para
a agarrar com mais força
Ela
fez-me o mesmo a mim
donde
resultou que
sem querer
e
sem eu saber
naquela
mesma hora
se
esborrachou a amora do amor
e lábios
rostos
e coração
se
pintalgaram
com
o sumo da paixão
