Mil vezes me ponho a pensar
na minha humildade de poeta
homem que mal sabe caminhar
e já quer voar
De mente mal entreaberta
e o coração transtornado
de quem
por Deus
se sente mal-amado
Mil vezes me ponho a cismar
ser demasiado grande
e pesado
o Cosmos
se a ideia for nos castigar
Bastaria o espinho de uma rosa nos picar
a dor de uma criança nos pôr a chorar
a saudade duma boa lembrança
para nos fazer sofrer
e nos aniquilar
Mil vezes me ponho a pensar
na minha humildade de poeta
homem que mal sabe amar
e já quer sonhar
ser
anjo
Com o coração deslumbrado
de quem
por Deus
se sente bem-amado
Mil vezes me ponho a pensar
na minha humildade de poeta
que bastariam mil sorrisos de criança
as cores de mil flores
o despertar de mil amores
para nos dar a Esperança
de com a Cruz de Cristo Jesus
de todo o sofrimento nos libertar
Porquê tamanho sofrer?
Vale de Salgueiro, domingo, 13 de Março de 2011
Henrique António Pedro
