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quarta-feira, 8 de julho de 2026

A minha dor


Mil vezes me ponho a pensar

na minha humildade de poeta

homem que mal sabe caminhar

e já quer voar

 

De mente mal entreaberta

e o coração angustiado

de quem

por vezes

por Deus

se sente mal-amado

 

Mil vezes me ponho a cismar

ser demasiado grande

e pesado

o Cosmos

se a ideia for me castigar

 

Basta o espinho de uma rosa me picar

a dor de uma criança me pôr a chorar

a saudade duma boa lembrança

para me fazer sofrer

e me aniquilar

 

Mil vezes me ponho a pensar

na minha humildade de poeta

que mal sabe amar

e já sonha ser

anjo

quiçá arcanjo

 

Com o coração deslumbrado

de quem

por Deus

se sabe

bem-amado

 

Mil vezes me ponho a pensar

na minha humildade de poeta

que bastaria o sorriso de uma criança

a beleza de uma flor

o despertar de um amor

para me dar a Esperança

de na Cruz de Cristo Jesus

de todo o sofrimento me libertar


Porquê tamanha dor?

 

 

Vale de Salgueiro, domingo, 13 de Março de 2011

Henrique António Pedro