Ela sabe bem que o poeta fantasia
embora sempre o faça por amor
não para enganar ninguém
ainda que se só a si próprio se iluda
em ilusório solilóquio
com que alivia
sua dor
Pede-me ainda assim que lhe escreva um poema cor-de-rosa
sem imaginar como me tortura
o dilema
em que me mete
Não porque me não dê suficientes matérias e motes
estrofes e rimas
tantos são os seus atributos
tão fortes os seus dotes
ou não fora ela toda feita de poesia
Vaidosa
pede-me ainda assim que lhe escreva um poema
cor-de-rosa
Um poema de amor que a faça sonhar
sem imaginar
como me compromete
Não!
Poemas de amor não tenho devolutos
Que se contenta-te com este poema de verdade
que também é de amor
embora de um género mais “soft”
a que se chama amizade!
Vale de Salgueiro, domingo, 8 de Agosto de 2010
Henrique A Pedro
