Este poema é um terramoto
com epicentro no mais fundo do ser português
nas fossas de Mindanau da alma
pátria
É um maremoto
uma escalada do Monte Evereste gelado
uma travessia do deserto do Sahara
um tsunami de angústia
um polvorinho de raiva e revolta
É o uivar do lobo esfomeado
o escoicinhar de cavalo capado
o relinchar de égua no cio
mio de mil gatos
par de sapatos
gastos
Este poema é a frustração
de quem sofre com a Nação
assim destroçada
traída
sem saída
abandonada
Este poema é um despertador
de dor
um alertar do Povo
a gritar-lhe que não deve deixar-se iludir
mais
por demais que o Regime
o mime
de novo
com promessas e patranhas
Porque esta Democracia é uma porca
que amamenta a corrupção
É uma cobra aninhada no seio da Nação
uma ninhada de ratos
a devorar-lhe as entranhas
e o coração
Já nada sobra
só ilusão!
Esta Democracia é rotunda
redonda
sem ponta por onde se lhe pegue
uma filha da mãe
que paga a quem não deve
e rouba a quem nada tem
É uma arreata
que zurze e ata os cidadãos à nora
pela rédea
É uma tragicomédia
insensata
uma pilhéria
uma gargalhada sonora
prenúncio de revolução
Esta Democracia é um pântano de abstração
Vale de Salgueiro, 31 de Maio de 2013
Henrique Pedro
