Passo
horas assim
Quieto
Bem desperto
Em
decúbito dorsal
fitando
o tecto
do
Firmamento
A
brisa suave que me afaga por fora
transforma-se
em vento
por
dentro
Mesmo
com o céu encoberto
Embrenho-me
em recordações
em
dilações do tempo
dou
volta ao mundo
Suspendo
vida
Uma
estrela cadente
perdida
passa célere
ante
meus olhos
Num
ápice
mergulho
no ápex
arrastando
comigo todo o Sistema Solar
Até
que ouço alguém chamar
a
dizer-me que são horas de dormir
a
pedir-me para voltar
antes
que me perca
Mas eu
já não estou ali
nem lá
nem
além
nem
aqui
nem cá
Estou inteiro
dentro de mim
onde também
cabe o Cosmos
É de
lá que vejo
sinto
e ouço
o
mundo que me cerca
in “Introdução
à Eternidade”- 2013
