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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Quatro metáforas de amor

 


Quatro metáforas de amor

I

Primeiro amor

 

O sorriso tímido

da mulher virgem

que pela manhã

se abre fresca e louçã

como uma flor

 

O véu que esvoaça

agitado pela graça

do desejo dum primeiro beijo

qual rubor cristalino de romã

em face seráfica

 

A vertigem do amor

no coração inteiro

 

É o primeiro amor

 

II

Amor saudade

 

Pétalas

que se evolam das corolas
das flores
em suave definhar


Penas
que se soltam das asas
das aves
sem nenhuma brisa perturbar

o seu voar

Dilemas

que voam livremente
ao sabor da gravidade

É o amor saudade

 

III

Amor sedução


Amada

e amante

envoltos em doce bruma

 

Garrafa de espumante

a explodir

em espuma

 

Ela

enlevada

que se limita-se sorrir

a ouvir

e a incendiar

com o olhar

 

Os olhos de amante

impaciente

que faíscam de desejo

 

As mãos que se enlaçam

com presteza

os joelhos que roçam

sob a mesa

 

O jacto efervescente

de lascívia e paixão

que transborda as taças de cristal

 

Os lábios electrizados

que logo se colam

para o bem e para o mal

 

É o amor sedução

  

IV

Amor traição

 

Os picos disfarçados

nos ramos

aculeados

daquela rosa

esplendorosa

que o picou

 

Ela

que continua a sorrir

despudorada

à espera de novo namorado

a quem picar

 

E ele

que sem mentir

pois então

do veneno doloroso

daquela rosa maldosa

ficou vacinado

 

É o amor traição

 

 

Vale de Salgueiro, segunda-feira, 26 de Abril de 2010

Henrique António Pedro