Agora mesmo
como se não
houvesse amanhã
nem tivesse
havido ontem
nem a hora
passada
e vivesse uma
eternidade desmemoriada
no presente
ausente
Sem um
relevante pensamento
um apetite
evidente
uma ideia
emergente
Na tranquilidade
absoluta
de quem não
vai nem vem de luta alguma
Sem dar conta
do tempo passar
sem um zunido
sequer que me possa enervar
fora ou dentro
dos ouvidos
Com todos os
sentidos a funcionar esplendidamente
tanto que nem
eles se dão conta de si
por nada terem
que a mim me dizer
De corpo
relaxado
e de espírito
enlevado
de cérebro
todo tomado pela consciência
e a
consciência a monitorizar apenas a alma
Sem amor
sem ódio
fantasia ou
contrição
tristeza ou
alegria
teorema ou
dilema
sem motivo de
glória ou de frustração
Em puro deleite
de poesia
e verdade
com o cordão
umbilical bamboleante preso ao presente poema
leve como
pluma vogando na bruma
Agora mesmo
venço a gravidade
entro em
levitação
