Há roseiras a “rosir”
romãs a sorrir
ouriços altaneiros
no alto dos
castanheiros
quase
quase
a parir
São dons de Outono
Entonos dos campos e da
atmosfera
a imitarem os cantos da
Primavera
ainda que a cor
dominante
não seja o primaveril verde
fulgurante
pintalgado de papoilas
e malmequeres
e da sensualidade das
mulheres
São os tons quentes de
castanho
das folhas amarelecidas
desprendidas pelo vento
de árvores
entristecidas
simulando alegria
em derradeiro arreganho
que é lamento
elegia
pura poesia
São os sons das
despedidas
os pios tristes das
andorinhas
já prontas a partir
Dons, tons e sons de
Outono
Só as mães não voltam a
sorrir
quando vêem os filhos
partir
Vale de Salgueiro, quarta-feira, 23 de Setembro de 2009
Henrique António Pedro
