O Cosmos
de meu avô João
era
toda a terra em que à luz das estrelas
semeava
pão
O meu
é todo
o espaço-tempo
em que
planto poemas
eivados
de dilemas
e de contrição
Cosmos infinito
mas pequenino
o meu!
Do tamanho do silêncio
indiferente
de Deus
Magistério de mistério
que professo como monge
porfiando poesia
A gritar poemas sem tino
e a acenar
a acenar
na esperança de que alguém
me virá salvar
Se é que não ando a deitar
tudo a perder
Em mim não acredito
e de Deus desconfio
que só Ele
me poderá valer
