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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Deixem que o amor e a água corram livremente



Deixem que a água corra livremente
Nos rios, nos ares, nos lagos e nos mares
Que se mantenha pura nos gelos polares
Animando a vida e o ambiente

E deixem que o amor esteja presente
Em todos os poemas, danças e cantares
Nas empresas, nos estádios e nos lares
Na expressão de toda a gente que o sente

De água pura se faz sangue e vinho
É sagrada em toda a religião
Elo fundamental do ritual divino

Com puro amor se tempera a paixão
Se concebe e cria o meigo menino
Só com amor se alcança a Salvação





terça-feira, 17 de setembro de 2013

Quando o coração bate à porta da alma





Este persistente bater
do coração
à porta da alma
que só se irá abrir
quando o coração morrer
é puro pungir

Ou talvez não

Talvez a alma se abra
mesmo antes do coração morrer
se por força do seu bater
com amor
se acordar a razão
e o espírito despertar

Quando o coração bate
à porta da alma
com fervor
sem a alma atender

melhor será deixá-lo bater

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

O cálice da paixão



Tem o travo de pecado
a doçura do mel
a amargura do fel
o vinho da paixão

E bebe-se até à última gota
com sofreguidão
pela taça da tentação

Embriaga
tolda a razão
até que se esgota
e acaba

E mais sóbrio se fica de ressaca
prostrado
sofrido
desiludido
desenganado

Pai!

Afastai de mim este cálice!

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Pede-me que lhe escreva um poema cor-de-rosa







Ela sabe bem que o poeta fantasia
embora sempre o faça por amor
não para enganar ninguém
ainda que se só a si próprio se iluda
em ilusório solilóquio
com que alivia
sua dor

Pede-me ainda assim que lhe escreva um poema cor-de-rosa
sem imaginar como me tortura
o dilema
em que me mete

Não porque me não dê suficientes matérias e motes
estrofes e rimas
tantos são os seus atributos
tão fortes os seus dotes
ou não fora ela toda feita de poesia

Vaidosa
pede-me ainda assim que lhe escreva um poema 
cor-de-rosa

Um poema de amor que a faça sonhar
sem imaginar
como me compromete

Não!
Poemas de amor não tenho devolutos

Que se contenta-te com este poema de verdade
que também é de amor
embora de um género mais “soft”
a que se chama amizade!

Vale de Salgueiro, domingo, 8 de Agosto de 2010
Henrique A Pedro

terça-feira, 3 de setembro de 2013

A sua ausência suporto-a. A sua presença não!



Oh, que atroz dilema
que magna contradição!
A sua ausência, suporto-a
mas a sua presença não
embora a ame sem condição

Na sua ausência sonho
sufoco o desejo
divirto o espírito com poesia
calo o coração…

ardo em doce saudade…

À sua presença não resisto:
expludo em alegria…
perco a paciência
solto a ansiedade
abraço-a
beijo-a…


perco a razão!