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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

De poeta e de louco todos temos um pouco


O poeta é um místico

seja ele artista da poesia pintada

tocada

escrita

ou mesmo rezada

 

É alguém que não tem o espírito preso ao corpo

porque o divino sopro

no acto do nascimento

soprou demasiado forte

quase como o vento norte

 

Por isso o poeta se arrasta à sorte

por esse mundo fora

sempre na Lua

de alma nua

aluado

e embora enamorado

deambula pelo Universo

levado nas asas de um simples verso

 

Com os cinco sentidos nem sempre bem aferidos

à procura de arte

por toda a parte

 

É por isso que o povo diz

e não se contradiz

no infinito saber que é o seu:

“De poeta e de louco todos temos um pouco”

 

Mais uns que outros

direi eu

 

 

Vale de Salgueiro, quarta-feira, 15 de Outubro de 2008

Henrique António Pedro

 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

É de mim que eu menos sei


Julgo saber tudo de mim

mas não será tanto assim

 

Não tenho grandes dúvidas do meu passado

apesar do muito que já esqueci

 

Lembro-me bem do sítio onde nasci

do meu percurso

 

Corri mundo

viajei

vi

vivi

senti

amei

sofri

 

Estudei

aprendi conhecimentos sem fim

artes

ciências

técnicas

 

Conheci pessoas

lugares

mas é de mim que eu menos sei

 

Pouco ou nada sei de mim!

 

Que me importa saber que a Terra é redonda

que os astros se movem no Universo

e coisas assim

se pouco ou quase nada eu sei de mim?

 

Só quando me for dado conhecer-me

saber tudo de mim

quem verdadeiramente sou

perdido entre tantos mil

a coberto de um registo civil

saber o que faço aqui

e para onde vou

então sim tudo saberei

todos os mistérios se revelarão

e todas as dúvidas cessarão

 

Saberei se o Além existe

se é finito ou infinito

o Universo

e qual é o seu reverso

que coisas são o Espaço e Tempo

o Amor e a Verdade

a Santíssima Trindade

 

É a mim que eu procuro conhecer

a chave de tudo está em mim

isso sei

 

Mas…

Quem, ou o quê, sou eu?!

  

Vale de Salgueiro, Quinta-feira, 5 de Junho de 2008

Henrique António Pedro

                                                   

domingo, 1 de fevereiro de 2026

O Céu pegará fogo, nessa noite



(A minha admiração e respeito para LA e AG que assim interpretaram a Lei)

 

O Cosmos entrará em guerra

nessa noite

 

Desaparecerá do Espaço a Terra

e pegará fogo o Céu

 

Como epílogo sagrado do virtuoso amor

de um homem e duma mulher

que congregados na Fé

guardaram estreme castidade

e assumida virgindade

até decidirem casar à luz dos ensinamentos

assumindo a condição de macho e fêmea

fiéis aos mandamentos

seu heróico fadário e dilema

 

Dotados de alma e coração

e encontrada a alma gémea

a vida não será tão só

dó e calvário

 

Nessa noite

o Cosmos entrará em guerra

desaparecerá do Espaço a Terra

e pegará fogo

o Céu

 

Que nenhum anjo ou demónio ousará apagar

porque é Deus o incendiário

e o Amor é Seu património

 

Vale de Salgueiro, terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010

Henrique António Pedro

 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

PALAVRAS QUE O VENTO TRAZ E LEVA


É ar a voar pelo ar

o vento

 

É sopro que atiça a brasa mortiça

 

É pensamento a soprar por nós adentro

instrumento de sopro a tocar

pulmão de soprano a cantar

perfume a atear o lume da paixão

 

É ar de aves de asas a adejar

 

É pente que de repente despenteia

a cabeleira da mulher

e que sem querer

lhe dá poético parecer

 

É pé de povo revoltado

balão de vaidade insuflado

até rebentar

 

É bafejo de desejo sem pejo

odre podre a peidar

bufo saído da boca do tartufo

 

É fole a soprar

sem ter nada dentro

 

É verdade

o vento

a varrer o lixo prolixo

das ruas do nosso viver

 

É nuvem de lágrimas

à procura de regaço

onde se verter

 

É respirar ofegante de quem quer vencer

 

É aragem de imagem de verdade e santidade

 

É ar em movimento

o vento

palavras de amor ou sofrimento

que traz leva  

conforme lhe apraz

 

 

 

Vale de Salgueiro, sábado, 24 de Janeiro de 2009

Henrique António Pedro


domingo, 25 de janeiro de 2026

Eu sabia que um qualquer dia


Eu sabia

que um qualquer dia

havia

de lá tornar

 

Era o coração que mo dizia

 

E que ao lá voltar

voltava a muitos mais lugares

separados no tempo

espalhados, mas ligados

pelo mesmo fio de sentimento

numa mesma conexão

que só mais tarde compreendi

 

Só não sabia

que seria

assim tão de repente

sem causa visível

ou aparente

 

Só não sabia

que encontraria

tudo assim tão diferente

tantos espaços desertos

tanta gente ausente

tantos silêncios abertos

 

Fiquei por isso parado

calado

no doce prazer de sofrer

a recordar

tomado de nostalgia

 

Daquela galega morrinha

que ainda agora

agorinha

me não mata

mas me mói

 

Doer

de verdade

dói a saudade

 

Vale de Salgueiro, terça-feira, 7 de Setembro de 2010

Henrique António Pedro

in Anamnesis (1.ª Edição: Janeiro de 2016)

 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

A QUEM ME LÊ ME CONFESSO



Humilde poeta confesso

sempre falo de mim na poesia que escrevo

por não saber guardar segredo

 

Mesmo quando de mim nada digo

porque de mim nada sei

 

Mas mais de mim digo naquilo que de mim escondo

sem querer

do que naquilo que de mim tento não dizer

ou no que a mim mesmo escondo

sem saber

 

Mas quem me souber ler com perspicácia

vencerá a minha audácia em me esconder

e mais do que eu mesmo

de mim mais ficará a saber

 

De mim próprio apenas sei

confesso

que não sou não o poeta que penso

mas o poeta professo que ainda assim

gostaria de ser

 

Vale de Salgueiro, quinta-feira, 9 de Outubro de 2008

Henrique António Pedro