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terça-feira, 13 de novembro de 2018

50 Sonetos de amor (L Um Homem pregado numa Cruz)




L

Um Homem pregado numa Cruz


Bato a todas as portas do Universo
Todos os sábios da Terra questiono
Com os males do mundo me emociono
Por toda a parte o clima me é adverso

Leio todos os livros de prosa e verso 
A todas as bibliotecas eu assomo
Nos laboratórios perco o meu sono
Procurando um consolo incontroverso

Em todas as igrejas procuro a Luz
Força para sofrer e me manter de pé
Apenas uma vivência me seduz:

A dum Homem que me diz, pregado na Cruz:
- Ama o teu próximo, é a minha Fé.
Por ti, sofri, com Amor. Sou Cristo Jesus!

Vale de Salgueiro, 27 de Abril de 2008
Henrique Pedro

50 Sonetos de amor (XLIX AQUI…)




XLIX

AQUI…


Aqui, cume do monte dominante
De um reticulado curvilíneo
De colinas moldadas no fascínio
Da alma do poeta diletante

Aqui, nasceu, em mim, a poesia
Pela magia do amanhecer
Com reflexos de fé e bonomia
Que também brilham ao entardecer

Aqui, sempre me quedo, radiante
À hora que o Sol se põe, sanguíneo
Por detrás do horizonte distante

Aqui, face ao Mundo a sofrer
Ao Senhor dos Aflitos eu pedia
Não deixasse, Ele, de lhe valer…


Vale de Salgueiro, domingo, 10 de Agosto de 2008
Capelinha do Senhor dos Aflitos (Alto da Serrinha)
Henrique Pedro


50 Sonetos de amor (XLVIII A Luís Vaz de Camões)




XLVIII
A Luís Vaz de Camões

Vi-te chorar nessa praia luzente
A lírica ave, esse teu amor
E como tu, triste, gasto de dor
Quisera sofrer lá no Oriente

Cuidando em mim como em ti fizeram
Dois olhos meigos eu quisera ter
E de puro amor por fim morrer
Como tu, como poucos que souberam

Canora lira geme novamente
Leda e saudosa melodia
Em tudo, em nada diferente

Do som que belas tágides tiveram
Quando desta terra se partia
Querido ser que em Babel depuseram

Chaves, Junho de 1964
Henrique Pedro

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

50 Sonetos de Amor (XLVII Chegar, amar e partir)




XLVII
Chegar, amar e partir


Ela chegou sôfrega como ele imaginou!
Mas deram um só abraço, bem apertado, ardente…
Sentiam a sofreguidão do desejo pela frente
Assim, ele, como ela, paciente, esperou.

Aquela era, sim, a mulher com quem sempre sonhou
Não haveria razão para estar impaciente
Apenas deles dependia esse amor candente
Ela acreditava, também ele acreditou

E quando entendeu Deus, levá-la, contrariada
Ainda assim, resignada, a Deus ela sorriu
Mas partiu, triste, para sempre a ele abraçada

Mas se ao desejo da chegada dela resistiu
À trágica despedida da vida, inesperada
Agora, triste, para sempre só, ele sucumbiu

Vale de Salgueiro, sábado, 19 de Julho de 2008
Henrique Pedro

domingo, 11 de novembro de 2018

50 Sonetos de Amor (XLVII O Amor)



XLVII
O Amor

(Heptassílabo ou redondilha maior)


É-nos dado, sim, saber
E sentir que o amor
É o oposto da dor
Vital no nosso viver

Seria bom, não sofrer
Sentir  do amor calor
Sem haver dor ao redor
Viver só puro prazer

Não sabermos bem amar
Nem sabermos bem-fazer
É o amor aviltar

No sentir do sentimento
Ninguém se pode enganar
É puro conhecimento

Vale de Salgueiro, domingo, 7 de Novembro de 2010
Henrique Pedro

sábado, 10 de novembro de 2018

50 Sonetos de Amor (XLV A fulgência de Deus)



XLV

A fulgência de Deus


Quando, num só tempo, sofremos e amamos
E o coração nos dói do mais puro amor
Ou ainda mais amamos quem está com dor
E a essa mesma dor também nos entregamos

Ou quando de quem amamos nos separamos
E mergulhamos na tristeza e no torpor
Ou quem bem nos ama nos recebe com calor
Se nós de um longo afastamento regressamos

Ou se a morte, a mais cruel realidade
Nos obriga a um definitivo adeus
A quem nós também muito amamos de verdade

Se ainda assim damos louvores aos céus
Será quando com a maior claridade
Em nós se faz sentir a fulgência de Deus

Vale de Salgueiro, sábado, 13 de Setembro de 2008
Henrique Pedro