Já as primeiras
rugas e cabelos brancos
se
desprendem como pétalas de poesia
expondo
as minhas razões livremente
à
Razão, ao Sol e à chuva
e me induzem
na Alma uma nova alegria
Por
isso me apraz caminhar alvorada adentro
como
quando criança o fazia campos fora
rumo
ao Sol
nas
manhãs suaves e luminosas de Estio
na ilusória
esperança de surpreender o Astro Rei
lá no
sítio em que se acoita por detrás do horizonte
Mas era
sempre o Sol que me surpreendia a mim
invariavelmente
iluminando
sorridente todo o vale que se distendia
para
lá da derradeira colina que me era dado alcançar
Extasiado
deixava-me ficar por lá
indiferente
sem
pressa nem angústias de espera
ausente
da Terra
bem no
centro do Universo
que
porque
é infinito
tem
por Centro qualquer sítio
O
mesmo Sol me trazia de volta aonde adormecia
sem me
dizer onde pernoitava ele por detrás do horizonte
talvez
porque ainda eu o não merecia
dado
que apagava a luz mesmo antes de eu lá chegar
Agora já
Deus Nosso Senhor me dá o privilégio
de se
sentar à minha mesa
para comigo
comer o caldo quente ao fogo da lareira
esse pedaço
de Sol que aprisionei com religiosidade
feito de
labaredas de amor, poesia e saudade
para converter
as derradeiras quimeras do frio Inverno
nas
alegrias e glórias de novas e calorosas Primaveras
Vale de Salgueiro, 6 de Janeiro de 2008
Henrique António Pedro





