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quinta-feira, 21 de maio de 2026

Porque nos aprisionou na Terra, o Criador?

 


IX

Porque nos aprisionou na Terra, o Criador?

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

Porque nos aprisionou

na Terra

o Criador

nesta gaiola azulada

dependurada no Sol

e que balança ao sabor dos ventos do Cosmos?

 

E porque nos alimenta Ele

com dor, angústia e sonho

encerrados nesta diáfana redoma atmosférica

que apenas os raios de luz

e a imaginação

transpõem

e nos projectam no Espaço incomensurável

rasgando-nos a Razão?

 

Para nos ouvir cantar

certamente

 

E para que sejamos nós a aprender

a voar!

  

Henrique António Pedro

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Para mais e melhor amar, reclamo a eternidade

 


VIII

Para mais e melhor amar, reclamo a eternidade

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

Para bem viver

radiante

e com verdade

requeiro momentos de prazer

poesia

e muita alegria

 

Para sofrer

e morrer

basta-me um só instante

 

Já para mais e melhor amar

e a felicidade alcançar

reclamo a eternidade

Henrique António Pedro

terça-feira, 19 de maio de 2026

Sempre que Deus trabalha fora de horas

 


VII

Sempre que Deus trabalha fora de horas

 

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

Sinto

por vezes

que Deus trabalha fora de horas

a reescrever o poema da Criação

à luz das velas

que são as estrelas

 

E pressinto

que assim

se reflecte em mim

a divina meditação

 

A noite mergulha no mais puro silêncio

numa absoluta quietude

de feérica beleza

um manto de virtude

intemporal

estende-se sobre a Natureza

e o Firmamento ilumina-se

de um brilho sobrenatural

 

Pela janela do Cosmos

que o Criador deixa entreaberta

entra o vento do sofrimento

da Humanidade

convertido em oração

que faz as estrelas

bruxulear

 

É a hora do poeta

despertar

 

Toma-se-me o coração

da mais doce soledade

e o meu espírito voa no Universo

 

Acrescento mais um verso

ao poema da Criação

 

Henrique António Pedro

segunda-feira, 18 de maio de 2026

É na escuridão mais escura que a alma mais luz

 


VI

É na escuridão mais escura que a alma mais luz

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

Abro o livro

e leio

o meu espírito espevita

 

Ouço a voz seca

de Séneca

que em seu douto pensamento

há séculos

ao vento

grita:

 

“Deixarás de ter medo quando deixares de ter esperança.”

 

É a mim que me ouço

feito criança

em desassossego

 

À luz do dia

tomado pelo instinto

tinto de emoção e ilusão

deixo de me ver

e de me ouvir

 

À luz do dia

de ambição imbuído

a ideia é ruído

 

No escuro

melhor me oiço e me vejo

sei o que procuro

e o que desejo

 

No escuro mais medo sinto

mais a mente anseia

a esperança renasce

o silêncio é ideia

divino enlace

 

Abro o livro

leio

e releio “A Noite Obscura”

de João da Cruz

 

É na escuridão mais escura

que a alma mais luz

 

Henrique António Pedro

A minha luta interior

 


V

A minha luta interior

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

Há momentos em que duvido de tudo

e não acredito em nada

nem mesmo em mim

nesse ínterim

 

Mormente se assisto impotente

ao tormento de inocentes

 

Momentos em que duvido de Deus

e dos anjos

dos homens

e do diabo

ao fim e ao cabo

 

Do corpo e da alma

do além

e da vida eterna

também

 

Do que vejo e ouço

do que sinto

e do que pressinto

 

Momentos em que não sei distinguir

a mentira da verdade

em que não acredito na felicidade

nem sei que caminho seguir

onde me refugiar

ou para onde fugir

 

Momentos em que uma só certeza me salva

porém

 

Uma luz interior

que me ilumina de uma certa fé:

A evidência do amor

imanência do bem

 

Por isso ter fé, não é

para mim

acreditar

 

É antes travar essa luta

interior

e apesar da dor

continuar

de pé

 

Ainda assim

Henrique António Pedro

sábado, 16 de maio de 2026

Éter e eternidade

 


IV

Éter e eternidade

 

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

Nem sempre só

e em silêncio

me sinto em solidão

 

Ruídos remanescentes

impedem-me de acordar

do vivo torpor

que é a vida

 

Os afectos que me ligam ao mundo

impedem-me de mergulhar

mais fundo

 

Ainda assim, no silêncio

melhor ouço o coração respirar

e o espírito mais livre a arfar

de amor

 

Mas só no silêncio

e na solidão

conheço o sucesso

e tenho acesso

ao meu ser

 

Só em silêncio

e na solidão

navego no éter

rumo a eternidade


Henrique António Pedro