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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Há horas assim…





Há horas em que desperto
em que fico mais perto
de mim

Horas em que não leio
nem escrevo poesia
mas que melhor a sinto
ainda assim!

Horas em que só falo comigo
e com o meu umbigo
em que entro por mim a dentro
e me liberto

Horas em que não me engano
nem me minto

Horas em que tanto me encanto
só de pensar
que paro de respirar

Horas em que não dou pelas horas a passar
em que apenas sinto as ideias a fluir
e a fugir
como aves a voar

Horas sem tempo nem calendário
sem vocabulário 
para expressar o sinto

Horas em que sou um labirinto
e por tanto
me espanto

Há horas assim…


Vale de Salgueiro, quinta-feira, 7 de Agosto de 2008
Henrique Pedro

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

A rosa de Sarom



A rosa de Sarom

Naquele palácio agora vazio
de paredes indignadas de silêncio
e martírio

Pedras chagadas pelo tempo
e pelo vento
pela areia que medeia novo tormento
cobiça de fantasmas
que se alimentam de miasmas
a gemer

Havia tapeçarias
e archotes a arder
bailarinas
e cisternas de águas cristalinas

Ali
fui principe e fui rei
essénio e soldado
enamorado

Ali matei e morri
e amei, amei, amei

Ademais
renasci

Ali
a rosa de Sarom se enraizou no meu peito
e não mais parou de florir

E Massada não cairá nunca mais

Jamais!


Vale de Salgueiro, quarta-feira, 29 de Setembro de 2010
Henrique Pedro

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Além, naquele astro ali




Além
naquele astro ali
que não é estrela
nem planeta
nem cometa
e já foi ventre
de minha mãe

Ali
naquele astro além
tão longe de tão perto
onde nada é errado
tudo bate certo
e só existe o bem

É lá que eu moro
me demoro
e exponho
por via do sonho

É ali que eu ando
errando
amando
e sofrendo
a mando 
de Deus

Sem que diga adeus
nem nada diga
a ninguém

E de nada me arrependo

in Introdução à Eternidade (Edição do autor-2013)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Ei-la! É ela de novo…





Ei-la!
É ela de novo…

Lábios carmim 
seios cheios torneados 
olhos doces amendoados…. 
leveza do caminhar
doçura do falar
irresistível simpatia 
e muita 
tanta 
tanta alegria …

Eu 
ainda assim 

ensimesmado

Refugio-me em mim 
gota de chuva
sopro de vento 
folha de amargura 
pozinho de tormento
raiva larvar 
tristeza de calar 
silêncio de cismar
vontade de voar para outro lugar e fugir do crepúsculo de tanto amar que teima em não chegar ao fim

É ela!
De novo… flor de jardim
tentadora tentação de voltar a amar…

Não 
desta vez não!

Não me vou deixar apaixonar

Vale de Salgueiro, domingo, 6 de Julho de 2008
Henrique Pedro 

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Porque têm espinhos, as rosas?



Porque têm espinhos, as rosas
se são flores de tantos amores?

Para se defender, dir-se-á

Não!

Para se agarrar e trepar
para prender quem amam
para arranhar a quem desamam

Não e não!

Porque são malvadas
queimam com o lume do amor 
provocam ciúme
e causam dor

Não e não e não!

Talvez para se enaltecer 
e fazer mais valer o seu perfume
a sua cor
o seu fulgor

Não e não e não e não!

Porque têm espinhos, então
as rosas
se são amorosas, são amadas e têm coração?

Porque carecem de carinhos…
e porque não há rosas…
sem espinhos


Vale de Salgueiro, quarta-feira, 7 de Março de 2012
Henrique Pedro

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Vou andando, amando, por aí




Eu? 
Como vou?

Vou andando
amando
poetando
por aí

A mando nem sei de quem
talvez de ninguém

Vou andando
amando
poetando
por aí
tanto se me dá
como se me dou
é assim que eu sou
desde que nasci

Quem eu amo
em mim manda
vou andando
amando
poetando
por aí

Eu não mando em quem amo
por amor
se é que mando 
em alguém
nem mesmo em mim

Eu quero sim é assim amar
a valer

E enquanto assim for
andando
amando
poetando
me amando
não vou morrer


Vale de Salgueiro, sexta-feira, 10 de Dezembro de 2010
Henrique Pedro