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segunda-feira, 27 de abril de 2026

No centro do Universo


Foi já ao cair da tarde

que se levantou uma brisa suave

docemente

para embalar a Natureza

e convidar humanos e animais

seus iguais

a adormecerem

serenamente

 

Ergueu-se no horizonte, de repente

a Lua cheia

grávida

resplandecente

em perseguição do Sol

que se escondia por entre nuvens

para se não deixar apanhar

por não querer assumir

a paternidade

 

Até a noite cair, docemente

e a Lua abrir o regaço diáfano

polvilhando o Firmamento

com as estrelas cintilantes

que salpicam com fantasia

o humano entendimento

 

Tudo isto aqui na Terra

bem o centro do Universo

em que a Humanidade

continua a adormecer

e a acordar

na paz e na guerra

até um dia poder compreender

porque se esconde a Verdade

em tão dolorosa poesia

 

Vale de Salgueiro, Domingo, 31 de Agosto de 2009

Henrique António Pedro

 

 

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Este meu canto é um pranto


Este meu canto é um pranto

que canto para me olvidar

daquela vez que sorri

sem saber o que fazia

tão pouco que me perdia

 

Agora sei que me perdi

porque de amor me prendi

muito embora todavia

continue a cantar

este meu canto que é um pranto

 de amor e saudade

 

Não por gosto de penar

ou por gozo de sofrer

tão só para esquecer

este amor que é dor

tão dolorosa verdade

 

Já me dói o peito

deste meu modo de cantar

deste meu jeito de amar

 

Vale de Salgueiro, domingo, 8 de Novembro de 2009

Henrique António Pedro

 

 

 


terça-feira, 21 de abril de 2026

TÂO FELIZES QUE ELES ERAM!


Sim

eram felizes

apenas

e só

porque se amavam

 

E que tão felizes eles eram

embora sem o saber!

 

Deixaram de o ser

quando deixaram de se amar com pureza

procurando a felicidade noutras paragens

deslumbrados por outras imagens

miragens de prazer

poder

e riqueza

 

Pretendendo ser mais felizes do que eram

recorrendo a artifícios

e sacrifícios

infelizes

que desvirtuaram a felicidade

com que Deus os bafejara

 

Iludindo a poesia

adulterando-lhe o sabor

convertendo a vida em futilidade

deixando de viver o amor

com verdade

 

Tudo deitaram a perder!

 

Ainda lhes resta

uma réstia de felicidade

porém

 

Na saudade que agora

com dó

sim

lhes assola o coração

 

Ainda bem!

 

Poderão voltar a ser felizes

ainda assim

a reviver com verdade o romance

que continua ao seu alcance

apesar da idade

 

Basta voltar a se amar

apenas

e tão só

 

Vale de Salgueiro, sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Henrique António Pedro


 

domingo, 19 de abril de 2026

Revelação


Sem terra nem mar

fora do espaço

e do tempo

sem rumo

ou norte

não sei que faço

 

Caminho por mim adentro

de ambição perdida

o meu destino é amar

ir além da vida

e da morte

 

Por entre rasgos da Razão

e da sorte

a minha vida avança

no terreno árduo

do sentir

 

Ainda assim

porém

ouso ir

mais além

em meus sonhos de criança

 

Reconhecer-me no espírito desperto

que me anima a alma

e me habita o corpo

de que me liberto

por sopro do vento de verdade

na esperança da eternidade

 

Transfigurar-me na lógica do amor

tese do bem

antítese da dor

práxis de revelação

 

 

Vale de Salgueiro, terça-feira, 22 de Setembro de 2009

Henrique António Pedro

 

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Sangue, suor e sémen


Fogo, terra, ar e água

concertam o ambiente

no qual ao homem é dado viver

crescer

se reproduzir

e moldar a mente

enquanto tal

 

O vigor da vida, porém, vem do sangue

que se transmuta em suor e sémen

por força de trabalhar

amar e sofrer

e de ter prazer

Ser humano que no barro foi bafejado

por obra e graça do Criador

para nascer

crescer
evoluir
aprender a amar

ser amado

e conscrito por Jesus Cristo

o sentido da vida descobrir


Mas é o divino magistério do Redentor
que na obra da Criação

opera a divina transdução

do Amor em Espírito

mistério da Salvação

 

Vale de Salgueiro, domingo, 12 de Julho de 2009

Henrique António Pedro

 

 

 

 

terça-feira, 14 de abril de 2026

Platónica Paixão



Trago o meu pobre coração a arder

É tão triste a minha condição

Tão abrasadora esta paixão

Que o desfecho não posso prever

 

A essa mulher não passo sem ver

Embora forçado pela Razão

A conter-me e a dizer que não

Senão, tudo deitarei a perder

 

Mas ela, com sorrisos e perfume

Com seu doce jeito de me olhar

Mais não faz que mais atear o lume

 

Apaixonado, já não sei parar

Como sair deste amor incólume

Sem queixume, sem dor, sem me queimar

 

Vale de Salgueiro, sábado, 19 de Julho de 2008

Henrique António Pedro