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terça-feira, 14 de abril de 2026

Platónica Paixão



Trago o meu pobre coração a arder

É tão triste a minha condição

Tão abrasadora esta paixão

Que o desfecho não posso prever

 

A essa mulher não passo sem ver

Embora forçado pela Razão

A conter-me e a dizer que não

Senão, tudo deitarei a perder

 

Mas ela, com sorrisos e perfume

Com seu doce jeito de me olhar

Mais não faz que mais atear o lume

 

Apaixonado, já não sei parar

Como sair deste amor incólume

Sem queixume, sem dor, sem me queimar

 

Vale de Salgueiro, sábado, 19 de Julho de 2008

Henrique António Pedro

 

 

 

sábado, 11 de abril de 2026

O problema é que …


O problema é que …

 

nem sempre soletramos a palavra paz

em paz

nem a palavra amor

com o amor que ela requer

e à palavra verdade

a interpretamos como melhor nos aprouver

 

O problema é que …

 

nem sempre amamos com o coração

quem nos ama

nem apertamos a mão

com a força devida

a quem nos estende a mão amiga

e nem sempre respondemos a quem nos chama

com a necessária prontidão

 

O problema é que …

 

apenas vemos problemas nos outros

nunca em nós

e muitas vezes nos isolamos

tentando assim vencer

a nossa própria solidão

sem darmos ouvidos a outra voz

ignorando a solidão de outrem

também

 

O problema é que …

 

só damos quando recebemos

com cinismo

sem que nos apercebamos

que o problema…

 

é o egoísmo

 

 

Vale de Salgueiro, domingo, 27 de Dezembro de 2009

Henrique António Pedro

 

terça-feira, 7 de abril de 2026

O vinho da paixão


Tem a doçura do mel

a amargura do fel

e o travo de pecado

o vinho da paixão

diz quem o provou

amou

e pecou

 

Bebe-se até à última gota

com sofreguidão

pela taça da tentação

sem conta ou nota

 

Embriaga num ápice

tolda a razão

e só acaba quando se esgota

 

Mais sóbrio se fica ainda assim

quando de ressaca

desapaixonado

prostrado

sofrido

desiludido

desenganado

arrependido

qual querubim de via-sacra

 

Pai!

Afastai de mim esse cálice!

 

Vale de Salgueiro, terça-feira, 13 de Abril de 2010

Henrique António Pedro

 

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Versos de ler reversos de reler


Eu

vagabundo

que muito mundo já viveu

amou

e sofreu

a ninguém enganou

 

Aqui

ali

além

a si

a mim

a ninguém

continuo a não entender

porém

 

Nem sei

sequer

se o Cosmos não será um caos

a vida uma frustração

a felicidade uma nostalgia

a gloria uma ilusão

e o Universo de tão enorme e disforme

mais nada é que pura poesia

 

Sei

isso sei

que a dor é aberração

o sofrimento contratempo

e a paixão fugaz fantasia

mera mania

de que nada de bom se espera

 

O amor é uma flor

que mal desabrocha logo murcha

a Terra o paraíso perdido

e o Além o céu prometido

 

A mim

gemebundo

ainda assim

nada mais resta que mais viver

mais amar e mais sofrer

e a vida alegrar

com versos de ler

e reversos de reler

 

E a crer

por querer

 

Vale de Salgueiro, segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Henrique António Pedro

 

 

quarta-feira, 1 de abril de 2026

"Ecce Homo"


Há pouco mais de dois mil anos

Pilatos tresloucado

por sinistros enganos

entregou Jesus à multidão

dizendo de coração empedrado

 "Ecce Homo". "Eis o Homem!"

 

E sentenciou com indiferença

demente

a mais injusta sentença de sempre

que converteu o bom Jesus

no Cristo crucificado

 

Que hoje

ressuscitado

coroa Lisboa

no santuário de Almada fronteiro

que postado no morro do Corcovado

abençoa o Rio de Janeiro

que consola a Dili martirizada

desde o monte Futumada

E que no Arkansas

o Cristo dos Ozarks

tem artes de dar melhores esperanças

às americanas más andanças

 

Jesus que debruçado por toda a parte

sobre o Mundo ensandecido

por mil gemidos de dor

ilumina com Sua chama

a desumana Humanidade

e de braços soltos da cruz

proclama:

“Ego sum amor!”

 

Vale de Salgueiro, 16 de Março de 2008

Henrique António Pedro

segunda-feira, 30 de março de 2026

Um clamor de amor interior


A felicidade

na verdade

é um clamor de amor interior

que vista de fora

embora

à luz do dia

se chame alegria

 

Poderá perceber-se num olhar

num sorriso

numa imperceptível expressão facial

num abraço

num amoroso embaraço

num enlace nupcial

num aperto de mão

no bater do coração

numa expressão de fé

nas notícias dos jornais

numa lágrima até

tantos são os seus sinais

 

Muitos a procuram nos bares

nos estádios

no sossego dos lares

na religiosidade de um templo

na aspereza da Natureza

na destreza de seus gládios

nunca num contratempo

 

Poderá andar por esses lados, sim

se por lá houver amor, verdade e virtude

mas não é aí que a felicidade

mora por fim

em plenitude

 

Na verdade

a felicidade é contentamento

é um clamor de amor interior

se percebida por dentro

à luz de quem a induz

com serenidade

 

É dentro de nós que a devemos procurar

porque só a nós

em nós e nos outros

nos é dado despertar

 

 

Vale de Salgueiro, quarta-feira, 27 de Agosto de 2008

Henrique António Pedro