Seja bem vindo/a. A mesa da poesia está posta. Sirva-se. Deixe, por favor, uma breve mensagem. Poderá fazê-lo para o email: hacpedro@hotmail.com. Bem haja. Please leave a brief message. You can do so by email: hacpedro@hotmail.com. Well done.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Como pode a vida ter por fim a morte?



Viver é vencer montanhas de glória

serras de derrotas sem história

selvas de ambição

desertos de sonhos

mil abrolhos

pântanos de frustração

 

É uma breve caminhada exterior

por demorados caminhos de dor

e de mais curto amor

 

É vogar por espaços discretos

de ideias e afectos

abertos no nosso mundo interior

 

Sem que possamos parar

ou sequer descansar

 

Sem termos para onde fugir

porque se o coração para de bater

o cérebro deixa de pensar

e a alma de se angustiar

 

Como pode, então, a vida ter por fim a morte

morrer ser o fim de viver?

 

Ainda que a morte incompreendida

seja o fim da vida

não a  Esperança perdida

 

 

Vale de Salgueiro, quinta-feira, 16 de Dezembro de 2010

Henrique António Pedro

 

terça-feira, 5 de maio de 2026

Dou-me conta de que estou a levitar

(in Anamnesis (1.ª Edição: Janeiro de 2016))

Agora mesmo

como se não houvesse amanhã

nem tivesse havido ontem

 

Como se não tivesse existido a hora passada

e vivesse ausente do presente

há já uma eternidade desmemoriada

 

Agora mesmo

sem um relevante pensamento

um apetite evidente

uma ideia emergente

 

Na tranquilidade absoluta

de quem não vai nem vem de nenhuma luta

 

Sem dar conta do tempo passar

sem um zunido sequer que me possa enervar

fora ou dentro dos ouvidos

 

Com todos os sentidos a funcionar esplendidamente

tanto que nem eles se dão conta de si

por nada terem que a mim me dizer

 

De corpo relaxado

e de espírito enlevado

de cérebro todo tomado pela consciência

e a consciência a monitorizar apenas a alma

 

Sem amor

sem ódio

fantasia ou contrição

tristeza ou alegria

teoremas ou dilemas

sem motivos de glória ou de frustração

 

Em puro estado de graça de poesia

de cordão umbilical bamboleante preso a este poema

 

Agora mesmo

dou-me conta de que flutuo

 

Concluo que estou a levitar 

 

Vale de Salgueiro, sábado, 5 de Maio de 2012

Henrique António Pedro

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Ora aqui, ora além, a orar

 


 


Por veredas e caminhos rurais

pedregosos

que ora sobem

ora descem

sinuosos

exercito músculos

tendões

e articulações

 

Caminho

com o cérebro a comandar

e lembranças da infância

em surdina

a chamar

 

Com o espírito ora aqui

ora ali

ora além

a orar

saudade

 

Por sítios do passado

a que voltarei

sempre

nunca

nem sei

jamais

 

in Anamnesis (1.ª Edição: Janeiro de 2016) 

Vale de Salgueiro, quinta-feira, 23 de Julho de 2009

Henrique António Pedro

 

segunda-feira, 27 de abril de 2026

No centro do Universo


Ao cair da tarde

levantou-se docemente

uma brisa suave

para embalar a Natureza

e convidar humanos e animais

seus iguais

a adormecerem

serenamente

 

Ergueu-se no horizonte, de repente

a Lua cheia

grávida

resplandecente

em perseguição do Sol

que se escondia por entre nuvens

para se não deixar apanhar

por não querer assumir

a paternidade

 

Até que a noite caiu, suavemente

e a Lua abriu o regaço diáfano

polvilhando o Firmamento

com as estrelas cintilantes

que salpicam com fantasia

o humano entendimento

 

Tudo isto aqui na Terra

bem o centro do Universo

em que a Humanidade

continua a adormecer

e a acordar

na paz e na guerra

até um dia poder compreender

porque se esconde a Verdade

em tão sigilosa poesia

 

Vale de Salgueiro, Domingo, 31 de Agosto de 2009

Henrique António Pedro

 

 

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Este meu canto é um pranto


Este meu canto é um pranto

que canto para me olvidar

daquela vez que sorri

sem saber o que fazia

tão pouco que me perdia

 

Agora sei que me perdi

porque de amor me prendi

muito embora todavia

continue a cantar

este meu canto que é um pranto

 de amor e saudade

 

Não por gosto de penar

ou por gozo de sofrer

tão só para esquecer

este amor que é dor

tão dolorosa verdade

 

Já me dói o peito

deste meu modo de cantar

deste meu jeito de amar

 

Vale de Salgueiro, domingo, 8 de Novembro de 2009

Henrique António Pedro

 

 

 


terça-feira, 21 de abril de 2026

TÂO FELIZES QUE ELES ERAM!


Sim

eram felizes

apenas

e só

porque se amavam

 

E que tão felizes eles eram

embora sem o saber!

 

Deixaram de o ser

quando deixaram de se amar com pureza

procurando a felicidade noutras paragens

deslumbrados por outras imagens

miragens de prazer

poder

e riqueza

 

Pretendendo ser mais felizes do que eram

recorrendo a artifícios

e sacrifícios

infelizes

que desvirtuaram a felicidade

com que Deus os bafejara

 

Iludindo a poesia

adulterando-lhe o sabor

convertendo a vida em futilidade

deixando de viver o amor

com verdade

 

Tudo deitaram a perder!

 

Ainda lhes resta

uma réstia de felicidade

porém

 

Na saudade que agora

com dó

sim

lhes assola o coração

 

Ainda bem!

 

Poderão voltar a ser felizes

ainda assim

a reviver com verdade o romance

que continua ao seu alcance

apesar da idade

 

Basta voltar a se amar

apenas

e tão só

 

Vale de Salgueiro, sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Henrique António Pedro