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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Já não há mal nem bem na Terra


Virou uma coutada

A Terra

Em que os donos do mundo

Se divertem a caçar

E a fazer guerra

 

E o homem um animal

Amoral

Que habita o planeta

Que ninguém se intrometa

 

Acabou-se o mal

Prolifera a maldade

O bem é pura inutilidade

 

O motor da civilização é a corrupção

 

A maior indústria é o vício

A vida não tem valor

A morte não passa de um pormenor

 

Guerra ou paz tanto faz

Preciso é ganhar

E vender

 

O amor é o que for

E o que está a dar

 

Mentir é utilidade

A verdade é relativa

Depende de quem a inspira

 

O insulto é gratuito

Não tem preço

É arma de arremesso

 

Só morre à fome quem não come

Ou não tem forças para se revoltar

 

A Terra esventrada já está a arder

Não tarda a estourar

 

Já não há mal

Nem bem

Na Terra

Apenas maldição

 

 

Não, não, meu Jesus Cristo!

Não deixes que Te sacrifiquem outra vez

Na cruz

 

Pedi ao Pai

Que acabe com isto

De vez

 

 

Vale de Salgueiro, quarta-feira, 28 de Julho de 2010

Henrique António Pedro

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Esplendor de amor


 

Quando, num só tempo, sofremos e amamos

E o coração nos dói do mais puro amor

Porque muito amamos quem sabemos com dor

E desse mesmo sofrimento nós comungamos

 

Ou quando de quem amamos nos separamos

E mergulhamos na tristeza e no torpor

Ou quem bem nos ama nos recebe com calor

Se de um longo afastamento regressamos

 

Ou se a morte, a mais cruel realidade

Nos força a dizer definitivo adeus

A quem, também, muito amávamos de verdade

 

Se ainda, assim, louvamos, com fé, os céus

É quando com a maior intensidade

Sentimos o esplendor do amor e de Deus

 

Vale de Salgueiro, sábado, 13 de Setembro de 2008

Henrique António Pedro 

 

 

                                                                                       

 

 

                                                                                       

 

 

                                                                                      

sábado, 12 de setembro de 2026

A minha sina é amar


Caros

e raros

contrários

 

Dois ou três

não mais

 

Pessoas com quem não me dou bem

não nomeio

nem reclamo

não estimo nem odeio

de uma certa forma até amo

 

Contam-se pelos dedos dos pés

porque os pés servem para trepar

e andar

e as mãos

guardo-as para coisas mais belas

como escrever

apertar

orar

acariciar

 

Bizarra é esta inimizade

de pouca monta

que vem de gente a quem nunca fiz mal

o que não é normal

 

Gente louca que não se contém

que gosta de ser bajulada

e quando se lhes diz a verdade

respondem à canelada

 

Cegos de cegueira

de orgulho

ambição

e vaidade

só olham para os seus umbigos

 

Já os amigos de verdade

esses

são tantos

que nem com os dedos das mãos se contam

porque a amizade não tem conta

nem contabilidade

 

Lá bem no fundo

o ânimo que me anima

a minha sina

é amar e fazer bem

mesmo aos meus raros e caros contrários

 

Vale de Salgueiro, sábado, 28 de Agosto de 2010

Henrique António Pedro

 

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Que mil bombas de amor deflagrem sobre a Terra



Calar a verdade é pior que mentir

 Mentir é explorar e subtrair

Dar para receber é comprar e vender

Amar sem amor é uma forma de odiar

Que os vírus malditos sejam de pronto circunscritos

Que o ódio e o terror não vençam o amor

Urge libertar a Humanidade do vício e da animalidade

Proclamar a paz a pensar na guerra

é uma forma de guerrear

Que os donos do mundo reflictam

para que Hiroxima e Nagasaki se não repitam

 

Que mil bombas de amor deflagrem sobre a Terra

para que a Paz triunfe sobre a guerra

 

Vale de Salgueiro, 1 de Setembro de 2007

Henrique António Pedro

terça-feira, 8 de setembro de 2026

A solidão maior


A solidão maior não mora além

lá no deserto

quando em redor de nós

nem sentimos ninguém

 

A solidão maior

não a sofremos na dor

quando longe ou perto

ninguém sofre como nós

 

A solidão maior

não a vivemos no silêncio da noite

quando gritamos

e ninguém nos ouve

 

A solidão maior

sentimo-la na alegria

quando mais ninguém

como nós

sorri

 

Sofremo-la à luz do dia

que nos obriga a esconder

um grande amor


A solidão maior é 

viver

sem amor e sem fé

 


Vale de Salgueiro, domingo, 19 de Fevereiro de 2012

Henrique António Pedro

 

 

domingo, 6 de setembro de 2026

Parti, de mansinho, para não a acordar


Parti

de mansinho

para não a acordar

porque percebi que sonhava comigo

 

Sorri

aconcheguei-lhe a roupa

beijei-a na testa

e escrevi este poema balsâmico

na sua agenda aberta

sobre a mesinha de cabeceira

mesmo à beira do despertador

 

Para que quando o alarme tocar

e a fizer acordar

sinta o meu amor

e não entre em pânico

por não me encontrar deitado a seu lado

 

Também

para lhe dizer

que por nenhuma razão

a quero perder

e que estará sempre presente no meu coração

 

E que enquanto eu estiver ausente

por obrigação

andarei sempre a penar de paixão

deserto de desejos dela

do seu carinho

e dos seus beijos

 

Por isso parti

assim devagarinho

sem a acordar

porque percebi

que sonhava comigo

 

 

Vale de Salgueiro, sábado, 27 de Setembro de 2008

Henrique António Pedro