Há
biliões de estrelas cujo brilho não chega até nós
toneladas
de gemas preciosas
que
nunca serão arrancadas às entranhas da Terra
plêiades
de pérolas escondidas nas profundezas do mar
que
jamais brilharão em colares de encantar
milhares
de mulheres lindas que nunca se vestiram de luxo
que
nunca ganharam concurso de beleza algum
e divas
maviosas a quem nunca ninguém ouviu a voz
Há
milhares de heróis esquecidos que a pátria esmorece
e infinitos
santos que Roma desconhece
Milhares
de poetas que mal sabem ler ou escrever
mas
que guardam em si as poesias mais belas
Há
milhões de poemas geniais
que
nunca foram lidos nem premiados
que
não são notícias dos jornais
nem
fazem parte de qualquer antologia
embora
sejam declamados
dia-a-dia
Vou
continuar a sondar o Universo sem fim
a
vasculhar o lixo da História
a
começar por tudo que existe dentro e fora de mim
e
na minha memória
Vou
continuar a ler os poetas menos lidos
a
vitoriar os heróis vencidos
a
escutar as verdades dos humildes
a
invectivar a vaidade e a guerra
a
remexer o húmus da terra
a ouvir
e a cantar as canções que mais me apraz
a
afastar de mim ilusões
faça
sol ou faça vento
A
procurar a semente pequenina
da verdade
da liberdade
e da
alegria
que
germina pela Primavera
com
a graça de Cristo Jesus
floresce
por todo o tempo
acima
do lixo e do luxo
em
paz e poesia
e explode em luz
Vale de Salgueiro, quarta-feira, 1 de Abril de
2009
Henrique António Pedro





