Caros
e raros
contrários
Dois ou três
não mais
Pessoas com quem não me dou bem
não nomeio
nem reclamo
não estimo nem odeio
de uma certa forma até amo
Contam-se pelos dedos dos pés
porque os pés servem para trepar
e andar
e as mãos
guardo-as para coisas mais
belas
como escrever
apertar
orar
acariciar
Bizarra é esta inimizade
de pouca monta
que vem de gente a quem nunca
fiz mal
o que não é normal
Gente louca que não se contém
que gosta de ser bajulada
e quando se lhes diz a verdade
respondem à canelada
Cegos de cegueira
de orgulho
ambição
e vaidade
só olham para os seus umbigos
Já os amigos de verdade
esses
são tantos
que nem com os dedos das mãos
se contam
porque a amizade não tem conta
nem contabilidade
Lá bem no fundo
o ânimo que me anima
a minha sina
é amar e fazer bem
mesmo aos meus raros e caros contrários
Vale
de Salgueiro, sábado, 28 de Agosto de 2010
Henrique
António Pedro





