A
gota da clepsidra
de areia ou de água
regula a vida
com alegria ou mágoa
O som do diapasão
afina o tom
do violão
O sinal do sino tem o dom
de convidar à oração
Já o longo ecoar do gongo
mais parece um lamento
a ecoar no tempo
A
toque de caixa
todo
o soldado se rebaixa
Só
o som da vuvuzela
iguala o gazear da gazela
O rugido de leão
na savana
a ninguém engana
O barrido do elefante
que raspa o chão
tonitruante
deixa zunido enorme
no ouvido
mas
não faz esquecer
o gemido de fome
seja de amor
ou de pão
Som
que toa à toa
só
mesmo o do coração
desafinado
de paixão
Só
o silêncio da morte
de
todos o som mais forte
causa
dor
e ecoa na Razão
A quem tem o dom
do grito, do apito e do assobio
ninguém
tira o pio
Vale
de Salgueiro, domingo, 20 de Junho de 2010
Henrique
António Pedro





