Um dia sorriu para mim
uma rapariga amorosa
que se chamava Rosa
e era de Verín
Encontrámo-nos amiúde
no idílico açude
praia do rio Tâmega
alfa e ómega
do amor transfronteiriço
Tanto que a raia, terra de ninguém
de alecrim e congossa engrinaldada
passou a ser a nossa mátria amada
Trocávamos beijos e abraços
desejos e promessas
laços de fraternidade
em derramado derriço
Com a língua galega
e a portuguesa
em meças de beleza
e irmandade
na alegria e na poesia
O meu coração se ouriçou de dor
porém
quando um dia, à catraia
não sei que lhe dou
outro amor entranhou
lá para os lados de Ourense
muito além da raia
Não sei que mais diga
ainda que mal não pense
Vale de Salgueiro, quinta-feira, 23 de Fevereiro
de 2012
Henrique António Pedro

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