Olho-me
vejo-me
em mim
a
mim mesmo
Não
careço de espelhos para me olhar
reflicto-me
nas minhas angústias
no
mar de amarguras que me inunda
por
fora e por dentro
vivo
o advento de um novo tempo
a
espera de uma nova era
embora
não saiba quem eu sou
Expedito
chapinho
nos atoleiros que alagam o caminho
em
que me reflicto
eu
o
Sol
e
o céu
quando
por instantes a tempestade se amainou
O
Sol assim reflectido é chama de esperança
é
o meu rosto de criança
Sou
eu que me vejo reflectido
nos
atoleiros do caminho
na
coragem e no cansaço
no
sucesso e no fracasso
na
água e na lama
em
toda a condição humana
que
chapinho
Grande
é a minha impaciência
amarguram-me
as falsas vitórias
as
conquistas da Ciência sem tino
presentes
envenenados que inovam a guerra
desumanizam
a Humanidade
e
destroem toda a Terra
São
tão desmedidas as minhas ambições
que
apenas cabem dentro de mim
único
sítio com espaço para todos os corações
Oro
choro
ajoelho
em oração
A
poesia é a minha genuflexão
Vale
de Salgueiro, 6 de Fevereiro de 2008
Henrique
António Pedro
