Bebo
café
em
pé
ao
balcão
de
uma pastelaria qualquer
O
meu espírito anda longe dali
os
olhos passeiam-se absortos
por
todo o lado
repousando
vagamente em quem entra
e
quem sai
sem
segunda intenção
Neste
ínterim
a
empregada
linda
mulher
traz-me
um pastel de nata
e
pergunta-me se quero canela
Não
era para mim
mas
de pronto respondo que sim
e
digo mais sem pensar
que
a quero a ela
Num
vaporoso lapso de tempo
aconteceram
dois amorosos lapsos de memória
Fiquei
sem saber quem era
onde
estava
o
que fazia ali
qual
era meu papel na história
Ante
o meu embaraço
a
empregada
ruborizada
sorri
Oh,
que dilema!
De
pronto recupero a lucidez
anoto
o sorriso
perdão
o
poema
num
guardanapo de papel
sem
mais demora
não
vá ter outro lapso de memória
A
empregada sorrir-me outra vez
agora
descarada
mas
eu sem mais nada
saio
venho-me
embora
