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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Como pode a vida ter por fim a morte?



Viver é vencer montanhas de glória

serras de derrotas sem história

selvas de ambição

desertos de sonhos

mil abrolhos

pântanos de frustração

 

É uma breve caminhada exterior

por demorados caminhos de dor

e de mais curto amor

 

É vogar por espaços discretos

de ideias e afectos

abertos no nosso mundo interior

 

Sem que possamos parar

ou sequer descansar

 

Sem termos para onde fugir

porque se o coração para de bater

o cérebro deixa de pensar

e a alma de se angustiar

 

Como pode, então, a vida ter por fim a morte

morrer ser o fim de viver?

 

Ainda que a morte incompreendida

seja o fim da vida

não a Esperança perdida


Vale de Salgueiro, quinta-feira, 16 de Dezembro de 2010

Henrique António Pedro

 

 

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Mil virgens fatais são demais



Tão curtos são os nossos passos

tão frouxos os nossos abraços

tão limitado o nosso olhar

tão falível a nossa mente

que duvido que algum dia

mesmo por fantasia

possamos deixar de ser gente

e vir

a ser

deuses                        

 

Anjos sequer

 

Muito menos se nos fizermos deflagrar

seja porque causa seja

tão pouco por uma qualquer

mulher

que seja

 

E como poderíamos nós

tirar gozo das tais mil virgens fatais

num paraíso irreal

sem pernas e sem pénis

sem braços e sem beiços

com que as pudéssemos possuir

e amar?!

 

Jamais

 

Nem mesmo imaginar

sequer

 

Trágico seria

admitir

e sorrir

 

Mil virgens fatais são demais

  

Vale de Salgueiro, sexta-feira, 18 de Fevereiro de 2011

Henrique António Pedro