Ponho-me
a filosofar sobre a guerra
que continua
a grassar sem graça
por
toda a Terra
ora
aqui
ora
além
Para
desgraça de tantos
glória
de uns quantos
e diria
vitória
de ninguém
De
Gaston Boutul vem-me à memória
a
frase lapidar com a qual não concordo
por
não querer a guerra branquear:
«Foi a
guerra que gerou a História»
De
outros fenómenos e factos
está a
História prenhe:
De miséria,
ambição e traição
também
de Heroicidade
e de estreme Santidade
Mas é
dos instintos de posse e domínio
do vício
e do prazer de matar e morrer
da mentira
e da dor
da
política mais sebenta
que a
guerra se alimenta
Melhor
me ocorre dizer
que a
guerra é sem tino
a
libido da Humanidade
no
masculino
e no
feminino
E que as
sociedades
ainda em
idade primária
quase
animal
expressam
na guerra todo o seu mal
para
sobreviver
tirar
prazer
se
recriar e reproduzir
por espúrios
processos de mentira
e de dor
Já que
a Humanidade
ainda
não encontrou melhor maneira
de se
organizar na Verdade
E no Amor
Vale de Salgueiro, terça-feira, 29 de Setembro
de 2009
Henrique António Pedro
