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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Da guerra


Ponho-me a filosofar sobre a guerra

que continua a grassar sem graça

por toda a Terra

ora aqui

ora além

 

Para desgraça de tantos

glória de uns quantos

e diria

vitória de ninguém

 

De Gaston Boutul vem-me à memória

a frase lapidar com a qual não concordo

por não querer a guerra branquear:

«Foi a guerra que gerou a História»

 

De outros fenómenos e factos

está a História prenhe:

De miséria, ambição e traição

também de Heroicidade

 e de estreme Santidade

 

Mas é dos instintos de posse e domínio

do vício e do prazer de matar e morrer

da mentira e da dor

da política mais sebenta

que a guerra se alimenta

 

Melhor me ocorre dizer

que a guerra é sem tino

a libido da Humanidade

no masculino

e no feminino

 

E que as sociedades

ainda em idade primária

quase animal

expressam na guerra todo o seu mal

para sobreviver

tirar prazer

se recriar e reproduzir

por espúrios processos de mentira

e de dor

 

Já que a Humanidade

ainda não encontrou melhor maneira

de se organizar na Verdade

E no Amor

 

Vale de Salgueiro, terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Henrique António Pedro