XII
Quando a hora
da minha morte chegar
in Introdução à Eternidade
1.ª Edição,
Outubro de 2013
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Henrique Pedro (prosa Y poesia)
Quando a hora da minha morte chegar
se é que algum dia eu vou morrer
Quando o sangue se me esfriar nas
veias
mais vivas e ardentes se revelarão as
ideias
Entregarei o corpo com o coração na
mão
à Mãe-Natureza para reciclar
que dele melhor fará
o que bem lhe apetecer
Serei húmus, seiva, sangue
vinho
aroma de pinho
erva aromática
papel de gramática
grão de jade
Ou tão só
pó
Quem sabe?!
Por mim
ainda assim
gostaria de me transformar em pinheiro
viçoso
frondoso
altaneiro
novo ser no seio do novo pinhal
que plantei com as minhas próprias
mãos
ao sol do sonho
e sem sombra de mal
Mãos e braços que se converterão
em ramos
e os pés em raízes
arreigadas bem fundo nas entranhas da
terra
já preparada
à minha espera
saradas as cicatrizes
E o suor que transpirei agarrado à
enxada
será a resina perfumada
que purificará o ar
e dará nova cor e vigor
a novos pulmões
e a outros corações
que pulsarão do mesmo Amor
Mais vivas e ardentes se revelarão
então
as ideias
Elas serão o germe de novos sonhos
as sementes de novas poesias
de mais lúcidos dias
de mais clara Verdade
as palavras-chave da eterna Eternidade
Quando a hora da minha morte chegar
se é que algum dia eu vou morrer…
Quem sabe?!
Melhor será esperar
para ver
Henrique António Pedro
