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sábado, 23 de maio de 2026

Quando a hora da minha morte chegar

 


XII

Quando a hora da minha morte chegar

in Introdução à Eternidade 

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

Quando a hora da minha morte chegar

se é que algum dia eu vou morrer

 

Quando o sangue se me esfriar nas veias

mais vivas e ardentes se revelarão as ideias

 

Entregarei o corpo com o coração na mão

à Mãe-Natureza para reciclar

que dele melhor fará

o que bem lhe apetecer

 

Serei húmus, seiva, sangue

vinho

aroma de pinho

erva aromática

papel de gramática

grão de jade

 

Ou tão só

 

 Quem sabe?!

 

Por mim

ainda assim

gostaria de me transformar em pinheiro

viçoso

frondoso

altaneiro

novo ser no seio do novo pinhal

que plantei com as minhas próprias mãos

ao sol do sonho

e sem sombra de mal

 

Mãos e braços que se converterão

em ramos

e os pés em raízes

arreigadas bem fundo nas entranhas da terra

já preparada

à minha espera

saradas as cicatrizes

 

E o suor que transpirei agarrado à enxada

será a resina perfumada

que purificará o ar

e dará nova cor e vigor

a novos pulmões

e a outros corações

que pulsarão do mesmo Amor

 

Mais vivas e ardentes se revelarão

então

as ideias

 

Elas serão o germe de novos sonhos

as sementes de novas poesias

de mais lúcidos dias

de mais clara Verdade

as palavras-chave da eterna Eternidade

 

Quando a hora da minha morte chegar

se é que algum dia eu vou morrer…

 

Quem sabe?!

 

Melhor será esperar

para ver

Henrique António Pedro