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domingo, 8 de março de 2026

Sopra o tempo como se fora o vento a soprar


Sopra o tempo…

como se fora o vento a soprar

do passado relembrado

para o futuro

obscuro

 

Sopra o tempo…

como se fora o vento a soprar

vendavais de História

que varrem da memória

a verdade

 

Sopra o tempo…

como se fora o vento a soprar

silêncio

soledade

quietude

queixume
nostalgia

no ouvido do poeta que de alma aberta

se devota

à virtude da poesia

 

Sopra o tempo…

como se fora o vento a sibilar

nas árvores frondosas

odes cósmicas melodiosas

miragens de eternidade

 

Melhor se ouve o vento do tempo

a enrolar no escuro

horas

minutos

segundos

na azafamada ida e vinda

no momento da despedida

na demora desmedida

na espera angustiada

na alegria da chegada

 

Vale de Salgueiro, sexta-feira, 10 de Outubro de 2008

Henrique António Pedro 

imagem: La nevada (o El invierno) de Francisco de Goya, 1786

 

 

 

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