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terça-feira, 23 de junho de 2026

Profissão de fé

 


LXII

Profissão de fé

 

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

Esta certeza interior

é do tamanho da minha própria Fé

 

Nem o Pai

nem o Filho

nem o próprio Espírito Santo

me darão tratamento preferencial

na Terra como Céu

nem me tornarão imune a qualquer doença

tragédia, calamidade ou mal

nem me nomearão para um cargo governamental

 

Nem me libertarão de ser eu

a ganhar o meu próprio pão

com o suor do meu próprio rosto

e não deixarão de me olhar

como a todos os mortais

com a mesma distância cósmica

 

Mesmo que muitos achem ridícula

esta minha Fé

não deixarei de acreditar no Pai

no Filho

no Espírito Santo

em Jesus Cristo

na Virgem de Fátima e nos Santos

 

Nem deixarei de respeitar

outras crenças ou indiferenças

de manter uma esperançosa espera

na afirmação da Paz, do Amor e da Verdade

sobre toda Terra

 

Sem fanatismo ou acintoso proselitismo

sem subserviência a igrejas ou ritos

sem procurar conflitos

 

Porque sinto que só pela via da Fé

sem condição

a mim me poderei transformar

e assim cumprir a divina vocação

de me aproximar do Absoluto

Henrique António Pedro

Danço com a minha sombra

 


LXI

Danço com a minha sombra

 

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

 

Caminho em direcção ao Sol

 

A minha sombra segue-me

persegue-me

vem atrás de mim

cola-se a meus pés nesse ínterim

irritante

enorme

disforme

escura

rastejante

obscura

 

Rodopio de repente

volto as costas ao astro rei

tomo o caminho de sentido inverso

tão pouco parei

 

De pronto a minha sombra me passa à frente

me repassa

sem desvio

em desafio

 

Se danço ela dança

se paro ela para

se corro ela corre

tão veloz quanto eu

 

Piso-a

trepo-a

pontapeio-a

 

Ela foge ao ritmo dos meus pés

sempre colada ao chão

sem me sair da Razão

 

Gostaria que ela se levantasse

e me enfrentasse

para eu poder ver quem ela é

e quem eu sou

 

É só um temor que me assombra

a minha sombra

um medo

um receio

uma amargura imerecida

que mora no meu coração

 

O que eu mais queria era ser transparente

ver-me por dentro

 

Gostaria sim

que fosse luminosa como o Sol

a minha sombra

colorida da cor do amor

reflexo do meu viver

 

A sombra da minha alma

ainda assim

é a minha poesia

 

Por isso escrevo um novo verso

a cada passo

e passo a passo

passo a um novo poema

noutro compasso

 

Entoo nova eufonia

caio em novo dilema

até que o meu espírito se acalma

emudece

e a minha sombra se desvanece

 

Henrique António Pedro