LXI
Danço com a
minha sombra
in Introdução
à Eternidade
1.ª Edição,
Outubro de 2013
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Henrique Pedro (prosa Y poesia)
Caminho
em direcção ao Sol
A
minha sombra segue-me
persegue-me
vem
atrás de mim
cola-se
a meus pés nesse ínterim
irritante
enorme
disforme
escura
rastejante
obscura
Rodopio
de repente
volto
as costas ao astro rei
tomo
o caminho de sentido inverso
tão
pouco parei
De
pronto a minha sombra me passa à frente
me
repassa
sem
desvio
em
desafio
Se
danço ela dança
se
paro ela para
se
corro ela corre
tão
veloz quanto eu
Piso-a
trepo-a
pontapeio-a
Ela
foge ao ritmo dos meus pés
sempre
colada ao chão
sem
me sair da Razão
Gostaria
que ela se levantasse
e
me enfrentasse
para
eu poder ver quem ela é
e
quem eu sou
É
só um temor que me assombra
a
minha sombra
um
medo
um
receio
uma
amargura imerecida
que
mora no meu coração
O
que eu mais queria era ser transparente
ver-me
por dentro
Gostaria
sim
que
fosse luminosa como o Sol
a
minha sombra
colorida
da cor do amor
reflexo
do meu viver
A
sombra da minha alma
ainda
assim
é
a minha poesia
Por
isso escrevo um novo verso
a
cada passo
e
passo a passo
passo
a um novo poema
noutro
compasso
Entoo
nova eufonia
caio
em novo dilema
até
que o meu espírito se acalma
emudece
e
a minha sombra se desvanece
Henrique António Pedro
