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domingo, 14 de junho de 2026

Ideias que não me saem da cabeça

 


XLIII

Ideias que não me saem da cabeça

 

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

 

Ainda assim

mais vivo dentro de mim

ainda que não pareça

 

Na miríade de ideias que não me saem da cabeça

que se ficam pelo pensamento

me dilaceram

e que me abrem por dentro

 

Que afectam cada órgão

e cada célula

a cada instante

e fazem de mim um mutante

 

Ainda mais

do que aquelas que hora a hora

se convertem em olhares

palavras

sorrisos

actos

gestos abstractos

 

Com as quais me abro para fora

mas me fecho por dentro

 

Henrique António Pedro

Ápex

 


XLII

Ápex

 

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

Passo horas assim

 

Quieto

 

Bem desperto

 

Em decúbito dorsal

fitando o tecto

do Firmamento

 

A brisa suave que me afaga por fora

transforma-se em vento

por dentro

mesmo com o céu encoberto

 

Embrenho-me em recordações

em dilações do tempo

dou volta ao mundo

em torno da vida

 

Uma estrela candente

perdida

passa célere

ante meus olhos

 

Num ápice

mergulho no ápex

arrastando comigo todo o Sistema Solar

 

Até que ouço alguém chamar

a dizer-me que são horas de dormir

a pedir-me para voltar

antes que me perca

 

Mas eu já não estou ali

nem lá

nem além

nem aqui

nem cá

 

Estou inteiro dentro de mim

onde também cabe o Cosmos

 

É de lá que vejo

sinto

e ouço

o mundo que me cerca

Henrique António Pedro

Eu não moro na Terra

 


XLI

Eu não moro na Terra

 

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

Eu não moro na Terra

nem no Espaço

ou no Céu

 

Moro dentro de mim

 

Aqui sim

eu nasci

vivo

morro

ressuscito

e habito

 

Daqui parto

à descoberta do Universo

mergulho no mar

voo no ar

procurando descobrir quem sou

encontrar a quem amar

 

Aqui sim

e onde moro

e me encontro

 

Na Terra sou um proscrito

um condenado à morte

 

Para onde vim

destinado a sofrer

a morrer

a tentar melhor sorte

 

Henrique António Pedro