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sábado, 15 de agosto de 2026

Procuro-me a mim e encontro Deus


in Angústia, Razão e Nada (Temas Originais, Lda- 2009)

 

Procuro-me a mim

No fascínio do horizonte dalém

Composto das mesmas cristas de montanhas

De que é feito este horizonte daquém

Em que aqui me sento e reflicto

 

São montanhas de dúvidas e angústias

Organizadas em dentes de serras

Feitas de ansiedade e sofrimento

 

O mesmo silêncio e solidão

Me envolve em luz e som

Se fecho portas e janelas

Se me isolo e afogo

Na vertigem sem horizontes de uma discoteca

 

E a minha angústia se exacerba

Quando me dou conta que sou imortal

E me sinto acorrentado sem saber porquê

 

É então que Deus deixa de ser um pesadelo

Um novelo de angústia e ansiedade

Uma turva vidraça de dúvida e silêncio

 

Procuro-me a mim e encontro-O a Ele

A responder ao meu apelo

De esperança e verdade

 

E assim

Já não tenho espaço para morrer

O Cosmos inteiro não é suficientemente amplo

Para tanto


Vale de Salgueiro, 5 de Outubro de 2007

Henrique António Pedro