in Angústia,
Razão e Nada (Temas Originais, Lda- 2009)
Procuro-me
a mim
No
fascínio do horizonte dalém
Composto
das mesmas cristas de montanhas
De que
é feito este horizonte daquém
Em que
aqui me sento e reflicto
São
montanhas de dúvidas e angústias
Organizadas
em dentes de serras
Feitas
de ansiedade e sofrimento
O
mesmo silêncio e solidão
Me
envolve em luz e som
Se
fecho portas e janelas
Se me
isolo e afogo
Na
vertigem sem horizontes de uma discoteca
E a minha
angústia se exacerba
Quando
me dou conta que sou imortal
E me sinto
acorrentado sem saber porquê
É então
que Deus deixa de ser um pesadelo
Um
novelo de angústia e ansiedade
Uma
turva vidraça de dúvida e silêncio
Procuro-me
a mim e encontro-O a Ele
A
responder ao meu apelo
De
esperança e verdade
E assim
Já não
tenho espaço para morrer
O Cosmos
inteiro não é suficientemente amplo
Para
tanto
Vale
de Salgueiro, 5 de Outubro de 2007
Henrique António Pedro
