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terça-feira, 1 de setembro de 2026

Aos derradeiros guerreiros do Império


(Revisto)

O Império derradeiro da História

Que agora se esvai na memória

Os imolou

Sem lamento

 

E com eles ele próprio se sepultou

No ataúde comum

Do esquecimento

 

Em lugar nenhum

 

Negros, brancos, amarelos

Sacrificados agnelos

Morreram de pé

Nas matas de Moçambique e de Angola

Nas olas da Guiné

Trespassados de balas

 

Muitos por lá ficaram defuntos

Abandonados

Esquecidos

Insepultos

 

Que evangelho ou sortilégio

Que adulterada verdade

Que insana vontade

Que espúrio desígnio

Que místico saltério

Lhes traçou o destino

E os abandonou assim?

 

Sem choros

Ilusões

Raivas

Risos

Ou ranger de dentes

 

Apenas os corações penitentes

Próximos ou distantes

De quem os amava

Pais, irmãos, amigos, amantes

A bater frementes

 

Ceifados na flor da idade

Viveram com frenesim

A sua trágica mocidade

 

Aos derradeiros guerreiros

Do Quinto Império da História

A nação presente os desmerece

E esquece

 

A pátria eterna os engrandece

Sente

E glorifica na sua memória

 

Os heróis jamais são derrotados

Mesmo se perdem a guerra

E são ademais mal-amados

 

A sua vida é uma vitória, ainda assim!

 

Inglória

 


Vale de Salgueiro, quinta-feira, 26 de Março de 2009

Henrique António Pedro