Por
mais que tente
não
consigo escrever com verdade
mesmo
o que agora escrevo aqui
no
poema vertente
Será
que minto
então
e
ando a enganar toda a gente?
A
questão é que quem lê
sempre
lê de forma diferente
Mesmo
se a minha vida fosse filmada
se a
minha alma fosse fotografada
se registassem
em banda sonora fidedigna
o
bater do meu coração
cada
qual visionaria
ouviria
e
raciocinaria
na sua
própria perspectiva
Razão
pela qual, também eu, quando leio
nunca
espero ler a verdade
apenas
um arranjo poético
do
muito que permanece encoberto
A isto
se resume
toda
a beleza e doçura da poesia
Porque
poeta que se assume
por
mais que se reserve
sempre
fala e escreve
de coração
aberto
Vale de Salgueiro, Sexta-feira, 13 de Junho de
2008
Henrique António Pedro
