Quatro metáforas de amor
I
Primeiro amor
O sorriso tímido
da mulher virgem
que pela manhã
se abre fresca e
louçã
como uma flor
O véu que esvoaça
agitado pela graça
do desejo dum
primeiro beijo
qual rubor cristalino
de romã
em face seráfica
A vertigem do amor
no coração inteiro
É o primeiro amor
II
Amor saudade
Pétalas
que se evolam das
corolas
das flores
em suave definhar
Penas
que se soltam das asas
das aves
sem nenhuma brisa perturbar
o seu voar
Dilemas
que voam livremente
ao sabor da gravidade
É o amor saudade
III
Amor sedução
Amada
e amante
envoltos em doce
bruma
Garrafa de espumante
a explodir
em espuma
Ela
enlevada
que se limita-se
sorrir
a ouvir
e a incendiar
com o olhar
Os olhos de amante
impaciente
que faíscam de
desejo
As mãos que se enlaçam
com presteza
os joelhos que roçam
sob a mesa
O jacto efervescente
de lascívia e paixão
que transborda as
taças de cristal
Os lábios electrizados
que logo se colam
para o bem e para o
mal
É o amor sedução
IV
Amor traição
Os picos disfarçados
nos ramos
aculeados
daquela rosa
esplendorosa
que o picou
Ela
que continua a
sorrir
despudorada
à espera de novo
namorado
a quem picar
E ele
que sem mentir
pois então
do veneno doloroso
daquela rosa maldosa
ficou vacinado
É o amor traição
Vale de Salgueiro,
segunda-feira, 26 de Abril de 2010
Henrique António
Pedro

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