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segunda-feira, 27 de abril de 2026

No centro do Universo


Foi já ao cair da tarde

que se levantou uma brisa suave

docemente

para embalar a Natureza

e convidar humanos e animais

seus iguais

a adormecerem

serenamente

 

Ergueu-se no horizonte, de repente

a Lua cheia

grávida

resplandecente

em perseguição do Sol

que se escondia por entre nuvens

para se não deixar apanhar

por não querer assumir

a paternidade

 

Até a noite cair, docemente

e a Lua abrir o regaço diáfano

polvilhando o Firmamento

com as estrelas cintilantes

que salpicam com fantasia

o humano entendimento

 

Tudo isto aqui na Terra

bem o centro do Universo

em que a Humanidade

continua a adormecer

e a acordar

na paz e na guerra

até um dia poder compreender

porque se esconde a Verdade

em tão dolorosa poesia

 

Vale de Salgueiro, Domingo, 31 de Agosto de 2009

Henrique António Pedro

 

 

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