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quinta-feira, 6 de abril de 2023

Ele!

 


Ele!

 

A Humanidade estava circunscrita

a nascer, viver e morrer

constrita

 

A viver na obscuridade da vida

e nas trevas da morte

sem rumo ou norte

 

Sem uma Luz que a pudesse iluminar

 

Ele

com Sua Vida, Morte e Ressurreição

elevou a Humanidade a outra dimensão

 

Abriu-lhe as portas da Eternidade

indicou-lhe o caminho

ensinou-a a caminhar

 

Convidou-a a entrar

 

Ele!

 

O Cristo que padeceu no Calvário

para nos resgatar

 

Mas insanidade da Humanidade

não para de aumentar

 

Será que Ele vai voltar?!

 

E será que a Humanidade

O vai voltar crucificar?!

 

Vale de Salgueiro, quinta-feira, 25 de Março de 2010

Henrique António Pedro


 

 

sábado, 1 de abril de 2023

Eu?! Sou um proto deus, um Prometeu!

 


Eu?! Sou um proto deus, um Prometeu!


Sei aquilo que sinto

Sinto aquilo que sou

Sou aquilo que sinto

Sou aquilo sou


Sou um proto deus cartesiano

Um Prometeu agrilhoado


Se minto a mim mesmo minto

A mim mesmo me engano

Deslumbrado

 

Sinto, penso, com o coração, as veias, as artérias, as células, o cérebro e a razão, os instintos e os afectos.

 

Sinto dor em cada poro e sofro com cada.

 

 Sou algo que se abre como uma flor no meio de uma floresta de dor, de angústia, suposta felicidade e amor.

 

 Uma larva que se metamorfoseia em alegria e sofrimento, vida e fantasia.

 

Olho o Sol a contra luz

Do lado de cá da vidraça do Firmamento

Mas cego

Sem ver a Deus

 

Apenas vislumbro a sombra de mim

A sombra do meu espírito

Batido pela luz de Deus

O amor de Jesus Cristo

 

Por isso me ensimesmo

Me sinto um proto deus

Em sofrimento

 

Um Prometeu contristo

Agrilhoado à minha angústia

Devoro-me a mim mesmo

 

Vale de Salgueiro, 21 de Maio de 2008

Henrique António Pedro


segunda-feira, 27 de março de 2023

À hora do despertar dos mágicos

 


À hora do despertar dos mágicos

 

A luz da Lua

coada pela neblina

não chega a ser luar

sequer

 

É tremulina a tremeluzir

nas águas do lago

que a brisa faz ondular

 

Cantamos e dançamos

nus

dementes

de mão dada

quase até de madrugada

 

Eu e minha amada

 

Qual faunos fosforescentes

por entre árvores despidas

plantadas hirtas no nevoeiro

 

Até que os mágicos despertem

à hora em que os humanos devem ir dormir

e deixar livre o terreiro da imaginação

seu privilégio

nosso sortilégio

nossa humana condição

 

É a hora de regressar a casa

cabisbaixos

resignados

calados

doridos

arrependidos

de alma em brasa

expulsos do fantástico paraíso

pelo trágico juízo mágico

 

Outro é o nosso lugar

 

Vale de Salgueiro, sábado, 23 de Janeiro de 2010

Henrique António Pedro

sexta-feira, 24 de março de 2023

A minha alma mora no meu coração

 


Não mora na minha mente

a minha alma

como demente

cheguei a pensar

 

Nem mora em nenhum órgão

glândula ou apófise

como pus a hipótese

 

A minha alma mora no meu coração

 

É lá que passa a maior parte do tempo

divertida

a deixar-se emocionar

 

De onde sai levada pelo vento

sempre que o pensamento

se põe a divagar

 

E quando encontra coisas que a fazem sofrer

ou a Razão não é capaz de compreender

uma dor

uma cruz

é ainda no meu coração

que a minha alma

se vai refugiar

 

A minha alma mora no meu coração

é de lá que sai essa luz

a que se chama Amor

 

Vale de Salgueiro, domingo, 20 de Maio de 2012

Henrique António Pedro

segunda-feira, 13 de março de 2023

Poema de bem barbear toda a face

 



POEMA DE BEM BARBEAR TODA A FACE

 

Muitos dos meus poemas

afloram frente ao espelho

quando me barbeio

 

Enquanto a vista se fixa em cada pêlo

que a lâmina vai cortar

eu no meu eu me enleio

em pensamento

nos morfemas e lexemas

em poético devaneio

 

E lamento todo aquele que se pela e depila

sem apelo nem agravo

capaz de matar e morrer

sem de poesia nada querer saber

mesmo que perca a face

por mais que disfarce

 

Há na vida milhares de poemas

e dilemas

para cortar

e recortar

ou simplesmente deixar crescer

mesmo no acto de barbear

 

Vale de Salgueiro, domingo, 30 de Outubro de 2011

Henrique António Pedro


terça-feira, 7 de março de 2023

Mulher é poema feminino

 


Mulher é poema feminino

 

Mulher é poema

feminino

 

Que só a mulher escreve

descreve

anima

declama

por palavras escritas

e faladas

 

Palavras que são verbos:

amar

beijar

sorrir

sonhar

 

E adjectivos:

linda

encantadora

sedutora

sensual

monumental

 

E substantivos:

amor

anjo

flor

alegria

sonho

fantasia

poesia

 

E orações quais:

as curvas do seu corpo

as circunvoluções do seu andar

as harmonias do seu falar

as ondulações dos seus cabelos

o brilho do seu sorriso

os apelos do seu olhar

 

Palavras que se concertam em versos

e rimam perfumados de poesia

e convidam a ler

mesmo sem nada se entender

e fazerem perder o tino

 

Mulher é poema

divino

 

Vale de Salgueiro, sábado, sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Henrique António Pedro