Seja bem vindo/a. A mesa da poesia está posta. Sirva-se. Feliz Ano Novo.

domingo, 15 de janeiro de 2017

Efêmera é a flor do amor




Efêmera é a flor do amor-paixão
cujas pétalas as leva o vento
ao mais leve sofrimento

Efémeros são o seu odor
e a sua cor

São o perfume e o rubor
da dor

Efêmera é a flor do amor-paixão
com que nos perdemos

Murcha sem razão
sem avisar
e sem querer

Só para podermos aprender
a melhor
e mais
amar




quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Será amor, a paixão?

















Entre homem e mulher
sempre poderá haver
uma relação de amor

Poderá ser amizade
de verdade
ou até acontecer
assolapada paixão

Mas será amor, a paixão
se reclama exclusividade
e é prisão?

Amor é partilha
ágape
liberdade
inclusão

A paixão
por si só
não é amor, não
é antes fonte de dor

Entre paixão, ódio ou indiferença
o amor faz a diferença




terça-feira, 10 de janeiro de 2017

A alegria triste de Inverno



Inverno

Inferno frio
acinzentado

Céu coroado de nuvens
que me fazem refém
do silêncio denso
pesado
compassado
que se instala por mim a dentro

Frio fino que me morde a pele
me penetra e me pica
os ossos e os músculos

Inverno

Ténues crepúsculos são os meus dias
e as noites distendidas
nostalgias de labaredas
acesas
na alma

Tempo de calma
de reflexão
hora de resistir
de me despir por dentro
e me vestir por fora

Sangue a ferver no coração
a implodir de liberdade
e a explodir de caridade
e paixão

Inverno

Uma alegria triste
que em mim persiste



domingo, 8 de janeiro de 2017

Ofereço poesia. Aceite!




Arranco raízes da alma que embalo em versos
orvalho-as com o sangue fervente do coração
e lanço-os ao vento pensando nalguém
que as poderá apanhar
e sentir
que é toda gente

Outra coisa não tenho para dar a quem me pedir
apenas ideias e afectos
para oferecer
glórias ilusórias
nada que se possa comprar ou vender

Ofereço poesia ainda assim
dou tudo de mim
que é tudo quanto tenho




quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Sons surdos de saudade





Silêncios dilacerantes
rasgam-me o peito
e trazem-me desfeito
com o sentimento
de que a perdi

Ruídos que me roem por dentro
sons surdos de saudade
ecos de ansiedade
ondas de impaciência
geradas pela sua ausência

Abro os braços ao ar
na esperança que o vento
para ela me leve
a voar
ou assim a traga de novo
leve e livre
para mim

O vento do destino, porém
com desdém
só me deixa mais só
bobo
e sem tino



(*) Do meu baú de recordações
  
Cascais, 16 de Setembro de 1970