Seja bem vindo/a. A mesa da poesia está posta. Sirva-se. Feliz Ano Novo.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Digam lá se isto não é poesia!




Digam lá se não é poesia
o começo da Primavera
o desabrochar de uma flor
a espera ansiada
e já com amor
da mulher amada
mesmo se ainda nem é
sequer
nossa namorada

Digam lá se não é poesia
o sorriso que a criança oferece
sem que se lho peça
mesmo se não se merece

Digam lá se não é poesia
tudo que recebemos
com alegria
mesmo se não nos apetece
aceitar

Digam lá se não é poesia
tudo o que oferecemos
com fantasia
mesmo se nada temos
para oferecer

Digam lá se não é a poesia
a mais linda forma de dar
e receber
que é
amar!



domingo, 19 de fevereiro de 2017

À paixão trá-la o desejo e leva-a o vento



Basta um ar
ameno
para se formar

Uma brisa
um aceno

Uma ideia imprecisa

Um olhar expressivo

Um falar melopeia

Um toque especial
um beijo impressivo

E o vendaval da desilusão
para a transmutar
em tormento

À paixão
trá-la o desejo
e leva-a
o vento



sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Por saber que paixão não leva a lado nenhum




Deixo-me ficar parado
mudo
ensimesmado
a ver a chuva cair
embora sem a sentir

O meu pensamento, porém, anda por perto
bem por dentro de mim
e nem a mais forte rajada de vento
me faz acordar
e regressar
à realidade circunscrita

É como se eu fora um eremita
orando
resguardado das tempestades do tempo
e do trovão do seu coração

Que passa os dias parado
meditando
ensimesmado
a ver a chuva cair
embora sem a sentir
por saber que a paixão não leva a lado nenhum



segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Tristeza deliquescente




Esta melencolia que me assola
em dias de chuva aborridos
ou quando o sol poente
me deixa lânguido da saudade
de quem anda ausente
estando embora presente
é uma tristeza deliquescente
mais própria dos vencidos

Abandono-me à nostalgia emergente
e paro de me angustiar
viro as costas às perguntas do costume
que sei
de antemão
não terem respostas

É quando uma morrinha miudinha
me toma os sentidos
a ponto de não me sentir nada
nem ninguém
magma
ou matéria
nem em nada materializado
em nenhum estado de espírito realizado

Fico sem saber se ainda estou aqui
ou se já vou além
se a poesia é coisa séria
ou não passa de uma pilhéria

Até que o ensejo de um bocejo
me faz despertar dessa sonolência demente
e retomar a vida corrente



sábado, 11 de fevereiro de 2017

Grito!



Consola-me constatar
que mesmo no escuro
consigo sentir

E pensar

Aprisionado nas frias masmorras da dúvida
e da angústia
onde apenas entra alguma luz
difusa
pelos olhos
e alguns sons
estereofónicos
pelos ouvidos
sinto-me amarrado a tudo que transporto comigo
e de nada me valem músculos e membros

Desesperado
agarro-me às grades e grito
no silêncio

Grito pelo carcereiro
na esperança de me fazer ouvir no universo inteiro
e de que alguém me virá libertar

Mas apenas ouço os meus gritos ecoar
e ressoar
dentro de mim
como em poço sem fundo

Porque é em mim que estou preso
numa prisão do tamanho do mundo

Apesar de tudo
consola-me constatar
que mesmo mudo
consigo gritar