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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Amantes de cristal



Só sabiam amar-se, assim
envoltos em véu
de fantasia

Com as estrelas a cintilar
no céu
pairavam em silêncio
no Firmamento
de mãos dadas
e de rostos irisados
de prateada alegria

Ou vogavam como cisnes
ao sabor do vento
no lago da poesia
num sonho de fadas
em noite irreal

Eram sombras de luar
amantes de cristal

Até que um dia
a paixão do Sol
pecado alado
os abraçou
envolvendo-os no lençol do desejo
logo ao primeiro beijo

E não tardou
que o sonho de amor
se quebrou
num golpe inesperado
tilintando de dor

Eram amantes sem mal


De cristal

domingo, 7 de julho de 2013

A Razão de Ser



Parto do tempo que conto
e do espaço que ocupo

Da dor que sofro
da verdade que desconheço
do infortúnio que não mereço
da felicidade que anseio

Na minha Razão o tempo
vira Eternidade
e o Espaço
infinidade


No meu Coração
a dor vira Amor
eu irmão
de toda a gente

E Deus
absolutamente

a Razão de Ser

sábado, 6 de julho de 2013

A tribo dos poetas de verdade


Vagueiam por vales e montanhas

por praias do futuro que anseiam

ao frio, à chuva e ao vento

sem sossego nem assento

trazem esperanças em seu seio

angústias nas suas entranhas

 

Transportam em seu coração

o fogo da verdade

a luz que rasga a escuridão

e com poemas de sorrir

adoçam a dor

sem deixar a chama do amor

se extinguir

 

Não enchem estádios

não tomam o poder

não comandam exércitos

não manejam gládios

não movem prosélitos

nem promovem ócios e negócios

de ganhar ou de perder

 

São a tribo dos poetas de verdade

paladinos das mentes abertas

atletas do devir

almas enamoradas a viver e a sentir

as ideias encantadas de fazer valer

a mais pura humanidade

e pôr termo à guerra

 

Porque só o amor fogo de poesia

pode atear harmonia

no seio da sociedade

e salvar a Terra

 

Vale de Salgueiro, domingo, 28 de Dezembro de 2008

Henrique António Pedro

 

terça-feira, 2 de julho de 2013

Alvorada




Quando o Sol raiar
então sim
vamos poder amar-nos
à luz do dia
envoltos em lençóis de poesia

Já se rasga o dia
no crepúsculo da aurora
já o galo canta a alvorada
em estridente melodia

Em mim
relincham
mil corcéis de alegria

Já diviso
a figura feminina
etérea
vaporosa
que me sorri
deitada em nuvens cor-de-rosa

É a minha amada que acorda
por fim

feliz porque não parti

segunda-feira, 1 de julho de 2013

A poesia é uma árvore




A poesia é uma árvore
com tronco de emoção
e copa de fantasia
envolvida em véu
de louvor
à vida

De raízes mergulhadas bem fundo
no húmus do coração
de onde suga a seiva
dos sentimentos soberanos
com que alimenta folhas
e ramos
e frutifica
em poemas
na Razão

Respira o ar da Terra
e recebe a bênção do Céu
sob a forma de inspiração

Iluminada pelos raios cósmicos do Universo
viceja em verso
e é poiso de aves
que vêm ler
e declamar
os poemas
trazendo e levando penas
que a vida

é um permanente depenar
até morrer

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Avé Maria



Algum querubim

por certo

dentro de mim

instante

me chama

 

Desperto!

 

Abro a janela de par em par

de pronto o Cosmos inunda o aposento

de rompante

 

Um vento de luz sopra raios rosa desde o Sol nascente

a alvorada entra luminosa no meu coração

que canta vitória

 

Os acordes espirituais de Bach e Gounod

complô de anjos e arranjos divinais

envolvem-me em explosão de alegria

e glória

 

Nos sons suaves dos violinos

ouço o ondulado de colinas verdejantes

salpicadas de papoilas e malmequeres

a energia telúrica que emana da Terra

força de paz que silencia a guerra

 

Os toques metálicos do piano

qual tilintar das estrelas a cintilar

não cessam de por mim chamar

 

A melodia me encanta

o meu corpo se quebranta

sinto-me a pairar

 

E quando a divina voz da diva se alteia

exaltando a santidade da galileia Maria, de Nazaré

a minha alma se incendeia

na vertigem da Fé

 

Já não mora mais ali pois se evola

livre dos humanos misteres

e se empola

em êxtase de espiritualidade

e poesia

 

E também eu canto o sacrossanto canto

 

Avé Maria

cheia de graça

o Senhor é convosco

bendita sois Vós entre as mulheres 

e bendito é o fruto

do Vosso ventre

Jesus

 

Vale de Salgueiro, segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

Henrique António Pedro