A torneira do bidé
da casa de banho anexa ao meu quarto de dormir
pinga
pinga
pinga
como alguém que vem pé ante pé
assim com leveza
em postura de tortura chinesa
Pinga angústia
alaga-me de ansiedade
incomoda-me de verdade
e logo a mim
uma criatura indefesa
Temo que o pingo vá aumentar
de intensidade
ganhar caudal capaz inundar toda a casa
A torneira do bidé
da casa de banho anexa ao meu quarto de dormir
pinga
noite e dia
não me deixa dormir
muito menos sonhar
enlevado no abandono do sono
nem mesmo acordado
Talvez alguém como eu incomodado
veja nisto um enlevo de fantasia
um pingo de poesia
líquida que seja
Safa! Que pesadelo!
Ainda bem que acabo de acordar!
Vale de Salgueiro, quarta-feira,
28 de Março de 2012
Henrique António Pedro

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