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quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Dando tempo ao tempo



Apercebo-me de um mais débil pulsar

de badalas langorosas de cansaço

corro a dar corda ao meu relógio de parede

para assim o espevitar

não vá ele parar

e com ele parar o tempo

sem quer

 

Iludo-me…

 

Pensando que o tempo sou eu que faço

mas o tempo não tem origem em mim

apenas o mais puro sentimento

me vem de dentro

 

Ainda assim...

 

Os maquinismos mecânicos

prolongam as horas e os dias

dos mecanismos do tempo

com badaladas mais sonoras

e prolongadas

 

E também…

 

Os beijos e os afagos

animam o bater dos corações

e reanimam com seu calor

as maquinações da relojoaria do amor

dando mais tempo ao tempo

 

Embora o tempo…

 

Que sempre está a acontecer

se esgote por si só

em dor e desdém

sem dó nem piedade

tudo acabando por perecer

de verdade

 

Ainda bem que não há tempo no além

 

Vale de Salgueiro, quarta-feira, 22 de Abril de 2009

Henrique António Pedro



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