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sexta-feira, 31 de maio de 2013

Esta democracia é uma porca



Esta democracia é rotunda
redonda
sem ponta por onde se lhe pegue
uma filha da mãe
que paga a quem não deve
e rouba a quem nada tem

É uma arreata
que zurze e ata os cidadãos à nora
pela rédea

É uma tragicomédia
insensata
uma pilhéria
uma gargalhada sonora
prenúncio de revolução

É um pântano de abstração

É uma cobra aninhada no seio da Nação
uma ninhada de ratos
a devorar-lhe as entranhas
e o coração

Esta Democracia é uma porca
que amamenta a corrupção

Já nada sobra
só ilusão!

Vale de Salgueiro, 31 de Maio de 2013
Henrique Pedro


quarta-feira, 29 de maio de 2013

Separação


Tanto nós nos amávamos
tão próximos tínhamos os corações
o seu bater era tão alegre e doce
que partilhavam veias
artérias
…e sangue
se necessário fosse

Tanto nós nos amávamos
tão próximos tínhamos os corações
que sentíamos os mesmos desejos
vivíamos as mesmas emoções
comungávamos das mesmas ideias
enredados nas mesmas teias
tecidas de aventura
sonho
fantasia
e futuro

Tanto nós nos amávamos
tão próximos tínhamos os corações
que no mais leve pensamento
percebíamos a presença do outro
ouvíamos o que cada um dizia
e por maior que fosse a lonjura do afastamento
e mais forte fosse o vento
viesse ele donde viesse
era o seu perfume que trazia

Tão próximos tínhamos os corações
que bastava um sussurro para ouvir
um arfar para sentir
um gesto
um toque
um pestanejar
para despertar o desejo
e ter ensejo de amar

Aconteceu a separação porém…
tão absurdamente…

Os corações separados estão agora tão afastados
que morando no mesmo lugar embora
mais estreito e incómodo é o espaço agora

Somos incapazes de nos ver e sentir
mesmo se nos cruzamos no passeio
e nos olhamos olhos nos olhos
e nem gritando impropérios
nos faríamos ouvir

Os corações separados estão agora tão afastados
que morando na mesma rua
vivemos em mundos diferentes
e é tão fria a indiferença
que apenas sentiríamos a solidão
se vivêssemos os dois sozinhos
no mesmo mundo
sós e vizinhos

Os corações separados estão agora tão afastados
que apenas partilham a mais fria indiferença
e é tão remota a hipótese de retomar
tão infinita impossibilidade

que nem capazes somos de nos odiar

terça-feira, 28 de maio de 2013

Contemplação



Sonho acordado

Deixo-me levar pelo vento
no voo do tempo
desasado

Cada momento presente
fecha-se em passado
e abre-se em futuro

Rasgo a bruma
da ilusão
escrevo poemas de espuma
inseguro
e voo
fascinado
com a leveza da pluma

O sonho é a próxima realidade
é a esperança
o pão da boca
a procura da verdade
o sangue do coração
o ar do espírito
a água da Razão

Deus só não nos deu asas
para que sejamos nós
a aprender
a voar

E a acordar

na contemplação

segunda-feira, 27 de maio de 2013

As mais belas poesias não as escrevem os poetas



As mais belas poesias
não as escrevem os poetas
e todos as podemos ler
que o mesmo será dizer
ver, ouvir e sentir

Como sejam os poemas Flor
Sorriso
Beijo
Abraço
Arrulho de rola
Nascer do dia
Confiança
o próprio drama Dor
e acima de todos
a doce melodia
Criança

São poesias escritas na linguagem do Amor
com rima rica de alegria
e versos da medida da Esperança

Poemas que estão publicados
um pouco por todo o lado
para serem lidos com o coração
tendo a verdade por diapasão
e muito, muito, cuidado
para que não sejam adulterados

As mais belas poesias

não as escrevem os poetas

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Era pelo Estio que se perdia a virgindade




Recordo aquele dia de Estio deleitoso

perfumado de feno, pinho e alecrim

o recanto umbroso do rio da mocidade

escondido entre fraguedos

guardiões da verdade

 

Aquela tarde sem fim

em que fui Fauno por encanto

e a minha doce companhia

uma Dríade lendária

quando sem sombra de mal

nos entregámos a inocentes

e aquáticos folguedos

sem maldades ou medos

 

Recordo as fugas simuladas

por entre giestas e fragas

as dissimuladas perseguições

o bater aberto dos corações

a ternura dos abraços

o beijo apaixonado

até então nunca experimentado

 

E recordo o momento mais ardente

em que nos demos por vencidos

tomados de paixão emergente

já completamente despidos

 

Virgens?!

… éramos os dois..

...E depois!?

 

Ninguém se deu conta

que naquela tarde de Estio perfumado

em que o amor desponta

sadio

perdêramos ambos a virgindade

levada para sempre

na limpidez da água corrente

 

Tudo ocorreu com naturalidade

com a correnteza da verdade

na mais pura e santa inocência

 

Não houve choros

nem ranger de dentes

nem palmas

nem traumas

ninguém levantou a voz

muito menos nós

a tal fizemos referência

 

Era pelo Estio

nas águas do rio da mocidade

que se perdia

a virgindade

 

!?

oiss

eramos onados nunca antes experimentados

In Mulheres de amor inventadas (1.ª Edição, Outubro de 2013)


quinta-feira, 23 de maio de 2013

TANTOS ERAM OS BEIJOS E OS ABRAÇOS




Eram tantos os beijos

tão deliciosos

e amorosos

os abraços

tão apressados os passos

dos desejos

que ainda hoje

me apetece

voltar

a viajar

 

Embora

saiba

que ela

já não me espera

nem estará lá

para me receber

 

Ainda assim viajo

parto

e regresso

a toda a hora

sem querer

a fantasiar

confesso

sempre na esperança

de a reencontrar

 

Vale de Salgueiro, quinta-feira, 3 de Junho de 2010

Henrique António Pedro

 

terça-feira, 21 de maio de 2013

Amo e ando apaixonado




Amo
e ando apaixonado
o que soa
a contradição

Melhor será
deixar passar
o tempo

Contemporizar
amar
e paixão

Esperar
que mude a direcção do vento

Deixar
que seja outro
o bater do coração
e não
o que simplesmente se deseja

O amor
douto
não tem tempo

Mesmo pura
a paixão
nunca é definitiva

Nem dura toda a vida

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Amor, o nosso Deus



Lê-se em todos os Livros Sagrados

dizem-no todos os grandes profetas

e místicos consagrados de todas as religiões

proclamam-no fiéis de todas as convicções

em seus cânticos de glória e louvor:

- Deus é Amor!

 

Pois seja!

Façamos então do Amor

… o nosso Deus!

 

Judeus e gentios

cristãos de todas as confissões

islâmicos e budistas

cátaros e hinduístas

espiritistas e mações

gente de toda a cor

a todos nos une o Deus Amor

 

Mesmo aqueles que em Deus

não acreditam

ao Amor não deixarão

por certo

de dar crédito

 

Pratiquemos, portanto, o Bem

no dia-a-dia

quando trabalhamos

amamos

ou escrevemos poesia

 

E sempre que alguém nasce

e nos enche de alegria

ou nos diz definitivo adeus

deixemos que o Amor nos tome

e comande

façamos do Amor o nosso Deus

 

Vale de Salgueiro, 21 de Novembro de 2007

 Henrique António Pedro

 

 

 

 

 

 

 

 

 

segunda-feira, 13 de maio de 2013

No início da Primavera




De ontem para hoje
lá fora nada mudou
e se alguma coisa de novo ocorreu
foram só enganos e mentiras

Apaguei o televisor
calei a rádio
rasguei os jornais
fiz off ao computador
libertei o coração

Dormi
sonhei
e mandei a crise às urtigas

De ontem para hoje
muitas coisas novas aconteceram
no meu mundo
neste Domingo de Ramos
início de Primavera

Há mais chilreios
mais anseios de amor
mais perfumes a pairar
no ar
mais botões de flor
a desabrochar
mais esperança
à espera

Apaguei o televisor
calei a rádio
rasguei os jornais
fiz off ao computador
libertei o coração

Neste Domingo de Ramos
início de Primavera

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Em mim não acredito e de Deus desconfio






O Cosmos de meu avô João

era toda a terra em que à luz das estrelas

semeava pão


O meu

é todo o espaço-tempo

em que planto poemas

eivados de dilemas

e de contrição

 

Cosmos infinito

mas pequenino

o meu!

 

Do tamanho do silêncio

indiferente

de Deus

 

Magistério de mistério

que professo como monge

porfiando poesia

 

A gritar poemas sem tino

e a acenar

a acenar

na esperança de que alguém

me virá salvar

 

Se é que não ando a deitar

tudo a perder

 

Em mim não acredito

e de Deus desconfio…

que só Ele

me poderá valer

 

Vale de Salgueiro, 24 de Outubro de 2007

Henrique António Pedro

 ção, Outubro de 2013)

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Assim a inspiração bate à porta



Geia lá fora

há estrelas no céu

a luzir

ao luar

 

Àquela hora morta

durmo a bom dormir

 

A Natureza que me rodeia

enrolada em silêncio

e neblina

é uma menina

que seria malvadez

acordar

 

Mas eis que a inspiração

bate à porta

a preceito

sem timidez

 

Com pancadas fortes

rimadas

é um poema que quer entrar

que se obstina

em não se deixar esquecer

não tenho outro jeito

senão

de me levantar

 

Ossos do ofício de poeta

que teima em dormir

de alma desperta

 

Pois seja

 

Ei-lo!

 

Amanhã

de manhã

mal o sol raiar

cuidarei de o publicar

 

Vale de Salgueiro, domingo, 13 de Dezembro de 2009

Henrique António Pedro

in Anamnesis (1.ª Edição: Janeiro de 2016)



segunda-feira, 6 de maio de 2013

Amor de Maio




Agora que entrou Maio
langoroso, sensual e perfumado
lembro
saudoso
e sorrio
com agrado

A pantera cor-de-rosa
que eu acariciava
temeroso
deliciado

No prado
ameno
à beira rio
marchetado de malmequeres

Reclinava a cabeça no meu peito
amorosa
a jeito de que eu a pudesse mimar
com a juba odorada de feno
a esvoaçar

A sua mão era a brisa
que me abria a camisa
e me convidava a voar

Agora que entrou Maio
langoroso, sensual e perfumado
lembro
saudoso
e sorrio
com agrado