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quinta-feira, 6 de junho de 2013

De enxada da Razão na mão



Algo me puxa

me empurra

me compele

 

Será Deus?

Será o amor?

Será a angústia?

 

Descalço

de a enxada da Razão na mão

esgaravato a minha própria pele

cavo-me por dentro

garanto o meu sustento

com o suor do corpo

e o sopro

dos pulmões

 

Semeio poemas no vento

que não sei aonde irão poisar

se não morrerem sepultados

à partida

por mim rejeitados

 

O melhor húmus

é o do meu coração

bem no âmago de mim

onde cultivo um jardim

de afectos perfumados

 

Vale de Salgueiro, quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2010

Henrique António Pedro

 

1 comentário:

  1. Bonita imagem, bonito poema!
    Mas não será preciso ir tão fundo, escavacar com enxada, já o coração como jardim cativou-me, adoro flores!

    Lídia

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