Entrou
de mansinho
surgida
da rua
translúcida
vestida
de lua
e
sentou-se na mesa ao lado da minha vida
Pediu agitada
um xá
em chávena
de porcelana
imaculada
cheia
de tudo
vazia de
nada
A que
juntou ansiedade
adoçou
com angústia
e remexeu
com uma
colher de poesia
por
entre vapores de Baco
e baforadas
de tabaco
sem nada a mim me dizer
Despediu-se
sem
alegria
quando
eu já bebia
de pé
a
minha xícara de café
e perplexidade
Mexeu
comigo
aquela
mulher
Tanto
que a mancha carmim
dos
seus lábios
rubros
de sensualidade
no
bordo da chávena de porcelana
imaculada
permanece
indelével
dentro
de mim
Ainda
que eu tenha ficado sem saber
a que
se devia a sua angústia
e a
que se se ficou a dever
esta
minha angustiada
ambiguidade
Vale de Salgueiro, quinta-feira, 18 de Junho de
2009
Henrique António Pedro
in
Mulheres de Amor Inventadas
(1.ª
Edição, Outubro de 2013)




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