Afago a cabeça
Mimoseio-me
numa tentativa de me encontrar
mas não me encontro
nem é a mim que tacteio
Não me enxergo
no crânio escalvado
acabado de sair do barbeiro
Mas sinto uma sensação
suprema
que me percorre o corpo inteiro
me pacifica
e me acalma o coração
embora esprema
a Razão
Transfiro-me para as cabeças dos dedos das mãos
com que apalpo a caixa craniana
em que se aloja o encéfalo
Sinto-me
no curto-circuito que se estabelece
entre a pele dos dedos
e a Mente
sucedânea
E dá-me prazer ficar assim
por momentos
a andar à roda
atrás de mim
como pescadinha de rabo na boca
de olhos vendados
a jogar comigo
à cabra-cega
Que melhor prova posso querer
da existência de mim
se é a minha alma
que a si própria
se apalpa?!
Henrique António Pedro
in Anamnesis (1.ª Edição:
Janeiro de 2016)





