Seja bem vindo/a. A mesa da poesia está posta. Sirva-se. Deixe, por favor, uma breve mensagem. Poderá fazê-lo para o email: hacpedro@hotmail.com. Bem haja. Please leave a brief message. You can do so by email: hacpedro@hotmail.com. Well done.

domingo, 2 de agosto de 2026

Bem-aventurados


Bem-aventurados
são
hoje em dia
todos aqueles que vivem afastados
ou são ignorados pelos mass media
rádios, televisões, internet, jornais


Bem-aventurados
são
hoje em dia
todos aqueles que não são, jamais
dados nem achados
de escândalos, tragédias ou comédias
protagonistas de hipócritas obras de caridade


Bem-aventurados
são
hoje em dia
todos aqueles que vivem a vida com simplicidade
que granjeiam, com verdade, o pão do dia a dia
e amam e sofrem
no silêncio do seu coração

Bem-aventurados
são
hoje em dia
todos aqueles que morrem em silêncio

docemente
em discreta dignidade
choradas com sinceridade
por amigos e familiares
e sem pompa nem circunstância

 

Morte velada por santos e anjos

indiciando que a sua entrada no reino dos céus
não lhes será vedada

certamente


Vale de Salgueiro, quinta-feira, 13 de Novembro de 2008
Henrique António Pedro

 

 

terça-feira, 28 de julho de 2026

Entre ler e escrever


Quem escreve na alma lê

quem lê na alma escreve

 

Palavras partilhadas

ideias aladas

que voam para fora do espírito

e entram espírito adentro

trazidas e levadas

pelo vento do pensamento

que escreve e não prescreve

enquanto durar o sentimento

 

Entre ler e escrever

é tempo de acreditar

de amar e sofrer

de nada deitar a perder

na arte de bem viver

 

Vale de Salgueiro, segunda-feira, 11 de Junho de 2012

Henrique António Pedro

domingo, 26 de julho de 2026

Nasci nu



Nasci nu

descalço

num dia frio de Dezembro

ao que me disseram

se bem lembro

 

Sem anéis iguais

aos que usam os filhos de reis

e que tais

 

Agasalhado pelo amor de minha mãe

roupa que Deus lhe deu

graças a Deus

 

Nasci nu

sem percalço

 

Aprendi a sofrer, a amar, a ter esperança e a acreditar

com todo o meu ser


Aprendi que dor e amor

são pétalas e espinhos da mesma flor

a flor da verdade

imagem que guardo do meu viver

no mais fundo do meu ser

 

Um dia me despedirei do mundo

para renascer

nu

como nasci

embora sem saber

em que espaço

tempo

ou localidade

 

Quem sabe?

 

Vale de Salgueiro, 15 de junho de 2019

Henrique António Pedro

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Antes que eu me esqueça



Ironia do destino

 

Vivia no receio obsessivo

Talvez por apenas olhar para o seu umbigo

De que eu me esquecesse dela

 

Acabou

Sim

Ela

Por esquecer-se do receio que tinha

De que eu dela me esquecesse

E foi ela a esquecer-se de mim

O que eu nunca imaginei

 

Mas eu quero agora lembrar-lhe

Antes que eu me esqueça

Agora que já ela se esqueceu do receio que tinha

De que eu dela me esquecesse

Que eu jamais a esquecerei

 

Vale de Salgueiro, domingo, 8 de Março de 2009

Henrique António Pedro

 

 

terça-feira, 21 de julho de 2026

Amor, barro e poesia


in “50 Sonetos de Amar “(Inédito)

 

Do barro bruto, o Criador, criou o homem

Soprando-lhe amor sagrado e poesia

Para divina recreação e alegria

Esquecendo as dores que os mortais consomem

 

Porém, tais graças com a poesia eclodem

Que o barro tosco que Deus soprou, ganhou vida

Animou Adão e fez Eva apetecida

Dos supremos deleites que na Terra ocorrem

 

Ao barro, porém, nosso corpo retornará

Finando-se dores e prazeres com a morte

Só a mais pura poesia se salvará

 

Para se livrar da matéria e má sorte

O homem, com poesia, a Deus louvará

Amando Eva, como Ele manda, sua consorte

 

Vale de Salgueiro, 17 de Abril de 2008

Henrique António Pedro

 

 

 

domingo, 19 de julho de 2026

As maiores dores são as dores de amor


Todas as dores interiores doem por igual

porque todas as dores interiores

são dores de amor

e as dores de amor

são as que mais doem

 

Sejam dores de perda

de partida

de derrota

de desilusão

ou de paixão

 

De perda de pai

de mãe

de amigo

de irmão

de saudade aberta

também

 

Todas doem no coração

 

Melhor que ninguém

as sente o poeta

que com poesia

as transforma

em triste alegria

porque as maiores dores
são as dores de amor

 

Vale de Salgueiro, domingo, 17 de Outubro de 2010

Henrique António Pedro