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domingo, 25 de janeiro de 2026

Eu sabia que um qualquer dia


Eu sabia

que um qualquer dia

havia

de lá tornar

 

Era o coração que mo dizia

 

E que ao lá voltar

voltava a muitos mais lugares

separados no tempo

espalhados, mas ligados

pelo mesmo fio de sentimento

numa mesma conexão

que só mais tarde compreendi

 

Só não sabia

que seria

assim tão de repente

sem causa visível

ou aparente

 

Só não sabia

que encontraria

tudo assim tão diferente

tantos espaços desertos

tanta gente ausente

tantos silêncios abertos

 

Fiquei por isso parado

calado

no doce prazer de sofrer

a recordar

tomado de nostalgia

 

Daquela galega morrinha

que ainda agora

agorinha

me não mata

mas me mói

 

Doer

de verdade

dói a saudade

 

Vale de Salgueiro, terça-feira, 7 de Setembro de 2010

Henrique António Pedro

in Anamnesis (1.ª Edição: Janeiro de 2016)

 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

A QUEM ME LÊ ME CONFESSO



Humilde poeta confesso

sempre falo de mim na poesia que escrevo

por não saber guardar segredo

 

Mesmo quando de mim nada digo

porque de mim nada sei

 

Mas mais de mim digo naquilo que de mim escondo

sem querer

do que naquilo que de mim tento não dizer

ou no que a mim mesmo escondo

sem saber

 

Mas quem me souber ler com perspicácia

vencerá a minha audácia em me esconder

e mais do que eu mesmo

de mim mais ficará a saber

 

De mim próprio apenas sei

confesso

que não sou não o poeta que penso

mas o poeta professo que ainda assim

gostaria de ser

 

Vale de Salgueiro, quinta-feira, 9 de Outubro de 2008

Henrique António Pedro

 

 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Melhor é amar sem dar pelo tempo passar


As folhas do calendário

são o nosso fadário

diário

 

Registam os dias

os meses e os anos

as alegrias

os enganos

e o tempo de sofrimento

 

Os relógios contam as horas

e as demoras da felicidade a chegar

 

Não há tempo a perder

 

Melhor será mesmo esquecer

e parar de sofrer

 

Melhor é amar sem dar pelo tempo passar

 

Vale de Salgueiro, segunda-feira, 31 de Dezembro de 2012

Henrique António Pedro

 

sábado, 17 de janeiro de 2026

O Deve e o Haver do Amor



O que é a Felicidade

na verdade

não sei

 

Também o que é a Verdade

não tenho a felicidade

de saber

 

Da Felicidade conheço, porém

o paladar

e da Verdade

o querer

 

Sei que o sabor da Felicidade é o Amor

e que o sentido da Verdade é o dever

 

Que a Verdade é o deve

a Felicidade o haver

 

Verdade e Felicidade

só podemos almejar

por via de amar

de sofrer

e de bem fazer

 

Deve amar

quem quiser amor haver

 

Vale de Salgueiro, 2017

 

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

O depenar de uma paixão


Eu mal lia os poemas que lhe escrevia

de tão cego que andava

 

E ela mal ouvia as palavras que me dizia

de tão embevecida

com a emoção que sentia

 

Cada um a si mesmo se enganava

com a sua própria ideia de amor

por isso maior foi a dor

da separação

 

Tento agora

pela minha parte

varrer

em vão

as penas da recordação

fingindo que foram apenas poemas

 

Ela tenta juntá-las para que se não aparte

de nós

a paixão

 

Pura ilusão

 

Apenas andamos a depenar

o que resta dessa louca afectação

 

E mais o meu e o seu coração

se desdoura

com o vento da vassoura

que põe as penas a cirandar

ainda mais

no ar

  

Vale de Salgueiro, domingo, 16 de Setembro de 2012

Henrique António Pedro

 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

A minha ambição maior


A minha maior ambição

é poder expressar

este poema permanente

que desde sempre

trago no coração

 

Fora da disputa demente

da política e do poder

da história e da glória

e dos enredos da religião

sem me tornar proscrito

da fé em Jesus Cristo

 

Dando prioridade absoluta

e com infinita Humildade

à Verdade e ao Amor

a doutrina do Salvador

 

E ousar

mais do que tudo saber

alcançar a Iluminação

mesmo antes de morrer

 

Vale de Salgueiro, domingo de Páscoa, 8 de Abril de 2012

Henrique António Pedro