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domingo, 19 de abril de 2026

Revelação


Sem terra nem mar

fora do espaço

e do tempo

sem rumo

ou norte

não sei que faço

 

Caminho por mim adentro

de ambição perdida

o meu destino é amar

ir além da vida

e da morte

 

Por entre rasgos da Razão

e da sorte

a minha vida avança

no terreno árduo

do sentir

 

Ainda assim

porém

ouso ir

mais além

em meus sonhos de criança

 

Reconhecer-me no espírito desperto

que me anima a alma

e me habita o corpo

de que me liberto

por sopro do vento de verdade

na esperança da eternidade

 

Transfigurar-me na lógica do amor

tese do bem

antítese da dor

práxis de revelação

 

 

Vale de Salgueiro, terça-feira, 22 de Setembro de 2009

Henrique António Pedro

 

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Sangue, suor e sémen


Fogo, terra, ar e água

concertam o ambiente

no qual ao homem é dado viver

crescer

se reproduzir

e moldar a mente

enquanto tal

 

O vigor da vida, porém, vem do sangue

que se transmuta em suor e sémen

por força de trabalhar

amar e sofrer

e de ter prazer

Ser humano que no barro foi bafejado

por obra e graça do Criador

para nascer

crescer
evoluir
aprender a amar

ser amado

e conscrito por Jesus Cristo

o sentido da vida descobrir


Mas é o divino magistério do Redentor
que na obra da Criação

opera a divina transdução

do Amor em Espírito

mistério da Salvação

 

Vale de Salgueiro, domingo, 12 de Julho de 2009

Henrique António Pedro

 

 

 

 

terça-feira, 14 de abril de 2026

Platónica Paixão



Trago o meu pobre coração a arder

É tão triste a minha condição

Tão abrasadora esta paixão

Que o desfecho não posso prever

 

A essa mulher não passo sem ver

Embora forçado pela Razão

A conter-me e a dizer que não

Senão, tudo deitarei a perder

 

Mas ela, com sorrisos e perfume

Com seu doce jeito de me olhar

Mais não faz que mais atear o lume

 

Apaixonado, já não sei parar

Como sair deste amor incólume

Sem queixume, sem dor, sem me queimar

 

Vale de Salgueiro, sábado, 19 de Julho de 2008

Henrique António Pedro

 

 

 

sábado, 11 de abril de 2026

O problema é que …


O problema é que …

 

nem sempre soletramos a palavra paz

em paz

nem a palavra amor

com o amor que ela requer

e à palavra verdade

a interpretamos como melhor nos aprouver

 

O problema é que …

 

nem sempre amamos com o coração

quem nos ama

nem apertamos a mão

com a força devida

a quem nos estende a mão amiga

e nem sempre respondemos a quem nos chama

com a necessária prontidão

 

O problema é que …

 

apenas vemos problemas nos outros

nunca em nós

e muitas vezes nos isolamos

tentando assim vencer

a nossa própria solidão

sem darmos ouvidos a outra voz

ignorando a solidão de outrem

também

 

O problema é que …

 

só damos quando recebemos

com cinismo

sem que nos apercebamos

que o problema…

 

é o egoísmo

 

 

Vale de Salgueiro, domingo, 27 de Dezembro de 2009

Henrique António Pedro

 

terça-feira, 7 de abril de 2026

O vinho da paixão


Tem a doçura do mel

a amargura do fel

e o travo de pecado

o vinho da paixão

diz quem o provou

amou

e pecou

 

Bebe-se até à última gota

com sofreguidão

pela taça da tentação

sem conta ou nota

 

Embriaga num ápice

tolda a razão

e só acaba quando se esgota

 

Mais sóbrio se fica ainda assim

quando de ressaca

desapaixonado

prostrado

sofrido

desiludido

desenganado

arrependido

qual querubim de via-sacra

 

Pai!

Afastai de mim esse cálice!

 

Vale de Salgueiro, terça-feira, 13 de Abril de 2010

Henrique António Pedro

 

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Versos de ler reversos de reler


Eu

vagabundo

que muito mundo já viveu

amou

e sofreu

a ninguém enganou

 

Aqui

ali

além

a si

a mim

a ninguém

continuo a não entender

porém

 

Nem sei

sequer

se o Cosmos não será um caos

a vida uma frustração

a felicidade uma nostalgia

a gloria uma ilusão

e o Universo de tão enorme e disforme

mais nada é que pura poesia

 

Sei

isso sei

que a dor é aberração

o sofrimento contratempo

e a paixão fugaz fantasia

mera mania

de que nada de bom se espera

 

O amor é uma flor

que mal desabrocha logo murcha

a Terra o paraíso perdido

e o Além o céu prometido

 

A mim

gemebundo

ainda assim

nada mais resta que mais viver

mais amar e mais sofrer

e a vida alegrar

com versos de ler

e reversos de reler

 

E a crer

por querer

 

Vale de Salgueiro, segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Henrique António Pedro