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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Que mil bombas de amor deflagrem sobre a Terra



Calar a verdade é pior que mentir

 

Dar para receber é comprar e vender

 

Mentir é explorar e subtrair

 

Amar sem amor é uma forma de odiar

 

Que os vírus malditos sejam de pronto circunscritos

 

Que o ódio e o terror não vençam o amor

 

Urge libertar a Humanidade do vício e da animalidade

 

Proclamar a paz a pensar na guerra

é uma forma de guerrear

 

Que os donos do mundo reflictam

para que Hiroxima e Nagasaki se não repitam

 

Que mil bombas de amor deflagrem sobre a Terra

para que a Paz triunfe sobre a guerra

 

 

Vale de Salgueiro, 1 de Setembro de 2007

Henrique António Pedro

terça-feira, 8 de setembro de 2026

A solidão maior


A solidão maior não mora além

lá no deserto

quando em redor de nós

nem sentimos ninguém

 

A solidão maior

não a sofremos na dor

quando longe ou perto

ninguém sofre como nós

 

A solidão maior

não a vivemos no silêncio da noite

quando gritamos

e ninguém nos ouve

 

A solidão maior

sentimo-la na alegria

quando mais ninguém

como nós

sorri

 

Sofremo-la à luz do dia

que nos obriga a esconder

um grande amor


A solidão maior é 

viver

sem amor e sem fé

 


Vale de Salgueiro, domingo, 19 de Fevereiro de 2012

Henrique António Pedro

 

 

domingo, 6 de setembro de 2026

Parti, de mansinho, para não a acordar


Parti

de mansinho

para não a acordar

porque percebi que sonhava comigo

 

Sorri

aconcheguei-lhe a roupa

beijei-a na testa

e escrevi este poema balsâmico

na sua agenda aberta

sobre a mesinha de cabeceira

mesmo à beira do despertador

 

Para que quando o alarme tocar

e a fizer acordar

sinta o meu amor

e não entre em pânico

por não me encontrar deitado a seu lado

 

Também

para lhe dizer

que por nenhuma razão

a quero perder

e que estará sempre presente no meu coração

 

E que enquanto eu estiver ausente

por obrigação

andarei sempre a penar de paixão

deserto de desejos dela

do seu carinho

e dos seus beijos

 

Por isso parti

assim devagarinho

sem a acordar

porque percebi

que sonhava comigo

 

 

Vale de Salgueiro, sábado, 27 de Setembro de 2008

Henrique António Pedro

 

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Será que ando a enganar toda a gente, sem querer?


Por mais que tente

não consigo escrever com verdade

mesmo o que agora escrevo aqui

no poema vertente

 

Será que minto

então

e ando a enganar toda a gente

sem querer?

 

A questão é que quem lê

sempre lê de forma diferente

 

Mesmo se a minha vida fosse filmada

se a minha alma fosse fotografada

se registassem em banda sonora fidedigna

o bater do meu coração

cada qual visionaria

ouviria

e raciocinaria

na sua própria perspectiva

 

Razão pela qual, também eu, quando leio

nunca espero ler a verdade

apenas um arranjo poético

do muito que permanece encoberto

 

A isto se resume

toda a beleza e doçura da poesia

 

Porque poeta que se assume

por mais que se reserve

sempre fala e escreve

de coração aberto

 

Vale de Salgueiro, Sexta-feira, 13 de Junho de 2008

Henrique António Pedro

 

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Aos derradeiros guerreiros do Império


(Revisto)

O Império derradeiro da História

Que agora se esvai na memória

Os imolou

Sem lamento

 

E com eles ele próprio se sepultou

No ataúde comum

Do esquecimento

 

Em lugar nenhum

 

Negros, brancos, amarelos

Sacrificados agnelos

Morreram de pé

Nas matas de Moçambique e de Angola

Nas olas da Guiné

Trespassados de balas

 

Muitos por lá ficaram defuntos

Abandonados

Esquecidos

Insepultos

 

Que evangelho ou sortilégio

Que adulterada verdade

Que insana vontade

Que espúrio desígnio

Que místico saltério

Lhes traçou o destino

E os abandonou assim?

 

Sem choros

Ilusões

Raivas

Risos

Ou ranger de dentes

 

Apenas os corações penitentes

Próximos ou distantes

De quem os amava

Pais, irmãos, amigos, amantes

A bater frementes

 

Ceifados na flor da idade

Viveram com frenesim

A sua trágica mocidade

 

Aos derradeiros guerreiros

Do Quinto Império da História

A nação presente os desmerece

E esquece

 

A pátria eterna os engrandece

Sente

E glorifica na sua memória

 

Os heróis jamais são derrotados

Mesmo se a guerra se perde

E são ademais mal-amados

 

A sua vida é uma vitória, ainda que breve!

 

Inglória

 


Vale de Salgueiro, quinta-feira, 26 de Março de 2009

Henrique António Pedro

 

domingo, 30 de agosto de 2026

Eu o poeta e ela a musa



Imagino poemas no seu rosto

 

Poemas que ela me inspira

Quando se insinua

E que eu versejo

Quando lhe sorrio

 

Poemas que ela declama quando fala

E que eu toco

Quando lhe acaricio os cabelos

 

Poemas que ela dança quando anda

E que eu coreografo

Quando afago o seu corpo

 

Onde está, então, a poesia?

 

Nela, musa, que ilumina

Declama

E dança

Os poemas que eu escrevo?

 

Ou será em mim, o poeta

Que retrato o seu rosto

Afago os seus cabelos

E lhe acaricio o corpo?

 

A fonte da poesia é ela

A musa

 

E o poeta sou eu

Que em verso a canto

 

A poesia somos nós

 

É a nossa voz

 


Vale de Salgueiro, quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2010

Henrique António Pedro