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sábado, 17 de janeiro de 2026

O Deve e o Haver do Amor



O que é a Felicidade

na verdade

não sei

 

Também o que é a Verdade

não tenho a felicidade

de saber

 

Da Felicidade conheço, porém

o paladar

e da Verdade

o querer

 

Sei que o sabor da Felicidade é o Amor

e que o sentido da Verdade é o dever

 

Que a Verdade é o deve

a Felicidade o haver

 

Verdade e Felicidade

só podemos almejar

por via de amar

de sofrer

e de bem fazer

 

Deve amar

quem quiser amor haver

 

Vale de Salgueiro, 2017

 

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

O depenar de uma paixão


Eu mal lia os poemas que lhe escrevia

de tão cego que andava

 

E ela mal ouvia as palavras que me dizia

de tão embevecida

com a emoção que sentia

 

Cada um a si mesmo se enganava

com a sua própria ideia de amor

por isso maior foi a dor

da separação

 

Tento agora

pela minha parte

varrer

em vão

as penas da recordação

fingindo que foram apenas poemas

 

Ela tenta juntá-las para que se não aparte

de nós

a paixão

 

Pura ilusão

 

Apenas andamos a depenar

o que resta dessa louca afectação

 

E mais o meu e o seu coração

se desdoura

com o vento da vassoura

que põe as penas a cirandar

ainda mais

no ar

  

Vale de Salgueiro, domingo, 16 de Setembro de 2012

Henrique António Pedro

 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

A minha ambição maior


A minha maior ambição

é poder expressar

este poema permanente

que desde sempre

trago no coração

 

Fora da disputa demente

da política e do poder

da história e da glória

e dos enredos da religião

sem me tornar proscrito

da fé em Jesus Cristo

 

Dando prioridade absoluta

e com infinita Humildade

à Verdade e ao Amor

a doutrina do Salvador

 

E ousar

mais do que tudo saber

alcançar a Iluminação

mesmo antes de morrer

 

Vale de Salgueiro, domingo de Páscoa, 8 de Abril de 2012

Henrique António Pedro

 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Os pardos pardais



São demais os pardos pardais

 

São mais que as mães e os pais

 

Não fazem os ninhos apenas nos beirais

como as andorinhas

 

São aves daninhas

como os estorninhos

que em ruidoso bando

mal poisando

devoram o trigo nos trigais

e as azeitonas nos olivais

 

De tudo fazem contrabando

os pardos pardais

sempre a manducar

e a chiar

que outro canto

não sabem cantar

 

São livres e imortais

os pardos pardais

 

Vale de Salgueiro, segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

Henrique António Pedro

 

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Por agora


Por agora

no presente

vivo de coisas pequenas

de pequenos poemas

de breves instantes

não de coisas desmedidas

grandes

 

Anima-me o bater compassado do coração

não o ruído histriónico da ambição

 

É o amor que permanece

não a paixão

que poderá ou não

acontecer

 

Por agora

o meu presente

acontece a cada instante


É abundante de coisas lindas

de amores

de flores

de frutos

de estrelas

de poesias

que sem que eu me aperceba

iluminam os meus dias

 

 

Vale de Salgueiro, sábado, 9 de Outubro de 2010

 

Henrique António Pedro

 

 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Coisas sem tino que a vida tem


Tantas coisas sem tino a vida tem!

 

Todas têm destino

porém

 

Na paz ou na guerra

cá na Terra ou lá no céu

sobretudo a morte

Deus meu!

 

Os golpes de má sorte

a dor que não acaba

a felicidade adiada

ou a paixão que chega ao fim

parecem não ter sentido

nem terem valido de nada

qual vozes que o vento leva

 

Mas será que é mesmo assim?

 

A lembrança delével que o tempo releva

e na memória se tolda

poderá bem ser a transformação indelével

que nos molda

definitivamente

 

Tantas coisas sem tino a vida tem!

 

Perceberemos com o tempo

porém

que tudo o que fica dentro nós

para sempre

tudo levaremos para o Além

a sós

certamente

 

Vale de Salgueiro, segunda-feira, 24 de Outubro de 2011

Henrique António Pedro