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sábado, 6 de junho de 2026

Que sei eu, da vida?

 


XXVII

Que sei eu, da vida?

 

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

Que sei eu, da vida?

Que sei eu, de mim?

O pouco que a vida me ensina

que muito é

ainda assim

 

E que sei eu da morte?

Nada, por sorte!

Tudo a vida me esconde

viver tenho vivido

morrer nunca morri

 

Em cada acto do viver

seja a vida feia ou bela

de amor ou de mal querer

de dor ou de prazer

de dúvida ou de fé

sempre o corpo se descobre

mas o espírito nem sempre se revela

muitas vezes mais se encobre

até

Henrique António Pedro

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Que outro atributo poderá ter, o Além?

 


XXVI

Que outro atributo poderá ter, o Além?

 

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

Recosto-me no tronco de uma tília perfumada

que a aragem do fim da tarde abana

e me embala

 

Adormeço e sonho

como se acordado

enlevado em bátegas de amor

como se o meu berço fosse um barco

uma pluma

uma flor

que as ondas do cosmos fazem vogar

livremente

em liberdade

perdido

na bruma

do destino

 

Como se eu fora uma pétala perfumada

que se desprendeu da árvore mãe

e demorará uma eternidade

oscilando no ar

até pousar

no Absoluto

 

Que outro atributo

poderá ter

o Além?

 

Henrique António Pedro

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Quando o espírito se liberta

 


XXV

Quando o espírito se liberta

 

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

Só quando acordamos

embora nem sempre

nós nos damos conta de que sonhámos

algum sonho emergente

 

Sonhos que não morrem ao acordar

antes se tornam realidade

para o bem e para o mal

no fantástico mundo real

o real mundo da fantasia

feito de tristeza e de alegria

 

Isto me leva a deduzir

que o espírito está desperto

mesmo se estou a dormir

 

Oh, que ideia mais contraditória!

 

Mesmo se acordado

procuro a alma

e não a encontro

em nenhum lado

 

porque o espírito vive nele

e só raras a vezes a Razão

dele guarda memória

 

É nos mais sentidos sentimentos de dor

que a alma mais se manifesta

e é no mais puro amor

que o espírito se liberta

 

Henrique António Pedro

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Procuro sair vivo da vida

 


XXIV

Procuro sair vivo da vida

 

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

Nesta permanente aventura

que é viver

na Terra

já vivi a guerra

a revolução

a dor

o amor

a doença

a indolência

a paixão

e sobrevivi

 

Que são

de resto

a ciência

o sonho

a fantasia

a arte

a poesia

a religião

que não

lutas pela sobrevivência?

 

Daí que a minha aposta

seja lutar

e triunfar

 

Sair vivo da vida

como de outra aventura qualquer

sobreviver

ao próprio acto de morrer

Henrique António Pedro


 

terça-feira, 2 de junho de 2026

Porque vivo, se morro?!

 


XXIII

Porque vivo, se morro?!

 

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

 

Porque amo se sofro?!

 

Porque me angustio se daí nada resulta

e nenhum sacrifício tem sentido?!

 

Porque escrevo poesia

se por essa via

não se aplaca

o mal

do Mundo?!

 

Porque existo

se Deus não existe?!

 

E porque vivo

se morro?!

 

Talvez porque sofro

para aprender a amar

e a minha angústia

e a minha poesia

sejam só indícios

de uma felicidade maior

 

Talvez porque Deus existe

e eu não morro

 

Só poderá ser

Henrique António Pedro

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Porque sofro? E para que amo?

 


XXII

Porque sofro? E para que amo?

 

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

Poderão vir agora dizer-me que o pecado original nunca existiu

que Adão e Eva não passam de um mito

que o paraíso terreal é uma fábula

que a verdade é relativa

e que é difícil separar o bem do mal

 

Então porque sofro e me angustio

se para tal não encontro razão?

E para que amo

se amar não leva a lado nenhum?

 

Porque não me mato já

e antecipo a morte certa?

Ou porque não me limito a viver

a meu bel-prazer

nem que para tanto tenha que mentir, matar e morrer

se preciso for?

 

Porque acredito haver uma razão de ser

para o sofrimento

e uma finalidade maior para o amor

 

Para lá da vaidade

do efémero prazer

da vertigem do poder

da luta pela sobrevivência

da curiosidade da ciência

ou da glória apetecida

 

A procura da razão de ser da dor

e da finalidade maior do amor

é, em meu entender

o sentido de viver a vida

Henrique António Pedro