Vem amada minha
Encosta a tua cabeça no meu peito
Deixa que o teu coração se abra
Ao concerto
Deste conceito
A libido
Lê-se no dicionário
É um fadário
É o desejo
A procura instintiva do prazer
A tentação de ter
A punção do sexo
Sem regra nem nexo
O amor
É o natural corolário
Da saudade de Deus
O desígnio
Que nos orienta na procura do divino
E a sua lógica é o Bem
O desígnio da libido é o gozo
Sem outro mal
Insere-nos no reino animal
E motiva-nos para a luta
Para a sobrevivência da espécie
Mais nos inebria o amor
Iluminado de verdade
Que a cega paixão
Acicatada pelo limão da opressão
Mais me encanta a luz dos teus olhos
Faiscantes de afecto
Que a sua cor verde-esmeralda
A queimar-me com o lume do ciúme
Ou a tentação do teu ventre aberto
Também quero provocar em ti o ciúme e o cio
Garantir contigo a sobrevivência da raça
Mas também quero que navegues comigo
Na graça da espiritualidade
À procura de Deus
Vê como os nossos beijos ganham outro fogo
Os nossos corações outro fôlego
A nossa paixão mais se inflama
E nos nossos espíritos
Se acende outra chama
Vale de Salgueiro,
29 de Novembro de 2007
Henrique António Pedro





