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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Não chores por mim, Argentina



Não chores por mim

Argentina

 

Nem me digas que vais ficar

para sempre

à minha espera

 

A ti, eu jamais direi adeus

 

As lágrimas de amor

e de infundado temor

que vejo luzir em teus olhos

neste meu hesitante partir

sem te dizer se vou voltar

acendem saudades nos meus

 

Pensa antes, amor

nos molhos de poemas e de flores

que te irei ofertar

já na próxima Primavera

 

Mas não me digas, por favor

que vais ficar

para sempre

à minha espera

que me deixas desolado

a pensar

que poderei

não poder

voltar

jamais

 

E eu não quero que seja

assim tão demorado

o teu sofrer

 

Vale de Salgueiro, quarta-feira, 3 de Março de 2010

Henrique António Pedro

 

In Mulheres de amor inventadas

Copyright © Henrique Pedro (prosaYpoesia)

1.ª Edição, Outubro de 2013

 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

O sexo dos anjos


Diz-me

para que mundo etéreo te evolaste

em que céu te refugiaste

também eu quero morrer

em anjo me transfigurar

 

Em que novo mundo te materializaste

em que alma de mulher te escondeste

em que nova forma encarnaste

porque também aí eu quero reencarnar

para te reencontrar

e não mais te perder

 

Nós, humanos

só aqui na Terra podemos namorar

sentir o coração bater

escrever poesia

sofrer de ansiedade

e de nostalgia

sem que saibamos porque sofremos

 

Os anjos, porém

poderão amar todo o tempo

em toda a parte

aqui e além

e sem penar

reflexo de não terem sexo

 

Diz-me

para que mundo etéreo te evolaste

em que céu te refugiaste

também eu quero morrer

em anjo sem sexo e sem nexo

me transfigurar

 

Vale de Salgueiro, quarta-feira, 7 de Março de 2012

Henrique António Pedro

 


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Da guerra


Ponho-me a filosofar sobre a guerra

que continua a grassar sem graça

por toda a Terra

ora aqui

ora além

 

Para desgraça de tantos

glória de uns quantos

e diria

vitória de ninguém

 

De Gaston Boutul vem-me à memória

a frase lapidar com a qual não concordo

por não querer a guerra branquear:

«Foi a guerra que gerou a História»

 

De outros fenómenos e factos

está a História prenhe:

De miséria, ambição e traição

também de Heroicidade

 e de estreme Santidade

 

Mas é dos instintos de posse e domínio

do vício e do prazer de matar e morrer

da mentira e da dor

da política mais sebenta

que a guerra se alimenta

 

Melhor me ocorre dizer

que a guerra é sem tino

a libido da Humanidade

no masculino

e no feminino

 

E que as sociedades

ainda em idade primária

quase animal

expressam na guerra todo o seu mal

para sobreviver

tirar prazer

se recriar e reproduzir

por espúrios processos de mentira

e de dor

 

Já que a Humanidade

ainda não encontrou melhor maneira

de se organizar na Verdade

E no Amor

 

Vale de Salgueiro, terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Henrique António Pedro

 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Só o amor se não perde se a vida se perder



Não pára o tempo se o relógio parar


Mas o tempo só tem sentido à medida que passa

o abraço quando se abraça

o fogo quando arde feito chama

e o amor quando se ama

 

Também a vida só tem sentido quando vivida

com amor

e dor

por alguém

 

Apaga-se a paixão quando o coração deixa de bater

perde-se o pensamento

se a razão enlouquecer

tudo se perde

na hora de morrer

 

Só o amor se não perde

se a vida se perder

 

Vale de Salgueiro, sexta-feira, 18 de Julho de 2008

Henrique António Pedro

 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Desde que passei a usar chapéu


Foi o sol de Verão, pois então

ao dardejar-me o crânio

e ao mordicar-me a pele

capaz de me estrelar os miolos

e de me toldar os olhos

que me impeliu a usar chapéu

ou boné, seu sucedâneo

 

Sou agora um homem diferente

mais aberto

o que aconteceu

recentemente

 

Já o vinha sendo antes, é certo

ainda que sem me dar conta

por cada cabelo que caía

sem me aperceber

é bom de ver

na medida desmedida

da tristeza do dia

em que nova ruga desponta

 

Mas se querem saber a verdade

a idade traz outra luz

novo conceito de beleza

mais respeito e lhaneza

vê-se a vida com outros olhos

se usamos chapéu a preceito

 

Livre de ilusões

o mundo já não me seduz

já não vou em sermões

sou mais fiel à minha fé

tudo se concerta e compõe

ainda assim

 

E a mim

já nada me põe os cabelos em pé

 

Vale de Salgueiro, quarta-feira, 28 de Novembro de 2012

Henrique António Pedro


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Este infausto acontecimento de viver apaixonado


Ando a torcer

a retorcer

a espremer palavras

a bolsar ideias

iludido de que ando a pensar

mas não penso

 

Apenas sinto

a mim mesmo minto

e sôfrego

sofro

 

Dando asas a poemas

a este magno sentimento

infausto acontecimento

de viver apaixonado

 

Não de uma paixão qualquer

embora meta muito amor de mulher

quantas e quem nem eu sei bem

 

Apaixonado do amor que tenho à vida

da alegria de viver que ainda assim me angustia

e a mim me faz sofrer

 

Do medo da morte

do temor de não saber

do que por azar ou sorte

me espera no Além

 

 

 

 

Vale de Salgueiro, 17 de abril de 2017

Henrique António Pedro

 

 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Felizmente existe a Poesia



o Universo é uma enormidade

a Terra uma raridade

e a Vida um acidente

 

A Inteligência, essa, surgiu por acaso

de uma mente doente

 

O Bem e o Mal não existem

e a Paz e a Guerra coexistem

 

O Amor é mera fantasia

produto da moderna alquimia

a dignidade não passa de uma “boutade”

e a verdade de uma pilhéria

 

Oh, como me repugna ver-me a mim

assim

reduzido à matéria

ao mundo

ao corpo

ainda que engrandecido por quem me estima!

 

Não!

Não vou ignorar o sonho

a fantasia

o Espírito

e este suave sopro que me anima!

 

Felizmente

existe a Poesia!

 

 

Vale de Salgueiro, segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009

Henrique António Pedro

 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Um pingo de líquida poesia


A torneira do bidé

da casa de banho anexa ao meu quarto de dormir

pinga

pinga

pinga

como alguém que vem pé ante pé

assim com leveza

em postura de tortura chinesa

 

Pinga angústia

alaga-me de ansiedade

incomoda-me de verdade

e logo a mim

uma criatura indefesa

 

Temo que o pingo vá aumentar

de intensidade

ganhar caudal capaz inundar toda a casa

 

A torneira do bidé

da casa de banho anexa ao meu quarto de dormir

pinga

noite e dia

não me deixa dormir

muito menos sonhar

enlevado no abandono do sono

nem mesmo acordado

 

Talvez alguém como eu incomodado

veja nisto um enlevo de fantasia

um pingo de poesia

líquida que seja

 

Safa! Que pesadelo!

Ainda bem que acabo de acordar!

  

Vale de Salgueiro, quarta-feira, 28 de Março de 2012

Henrique António Pedro

 

Só não sofrem as fragas


Sofrer sofrem plantas e animais

fome

sede

frio

desumanidade

 

Sofrer sofremos nós, humanos

a falta de humanidade

 

Sofremos se somos nós a sofrer

mas sofremos ainda mais

se sofremos com os demais

 

Sofrimento sôfrego

sufragado

langoroso

feito de fráguas e máguas

sofre o poeta amoroso

amargurado

de amor contrariado

a sua maior desgraça

 

Sofrer

só não sofrem as fragas

mesmo se o deflagrar fragoroso

as desfigura

e estilhaça

 

Vale de Salgueiro, sexta-feira, 25 de Novembro de 2011

Henrique António Pedro

 

 

 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

De poeta e de louco todos temos um pouco


O poeta é um místico

seja ele artista da poesia pintada

tocada

escrita

ou mesmo rezada

 

É alguém que não tem o espírito preso ao corpo

porque o divino sopro

no acto do nascimento

soprou demasiado forte

quase como o vento norte

 

Por isso o poeta se arrasta à sorte

por esse mundo fora

sempre na Lua

de alma nua

aluado

e embora enamorado

deambula pelo Universo

levado nas asas de um simples verso

 

Com os cinco sentidos nem sempre bem aferidos

à procura de arte

por toda a parte

 

É por isso que o povo diz

e não se contradiz

no infinito saber que é o seu:

“De poeta e de louco todos temos um pouco”

 

Mais uns que outros

direi eu

 

 

Vale de Salgueiro, quarta-feira, 15 de Outubro de 2008

Henrique António Pedro

 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

É de mim que eu menos sei


Julgo saber tudo de mim

mas não será tanto assim

 

Não tenho grandes dúvidas do meu passado

apesar do muito que já esqueci

 

Lembro-me bem do sítio onde nasci

do meu percurso

 

Corri mundo

viajei

vi

vivi

senti

amei

sofri

 

Estudei

aprendi conhecimentos sem fim

artes

ciências

técnicas

 

Conheci pessoas

lugares

mas é de mim que eu menos sei

 

Pouco ou nada sei de mim!

 

Que me importa saber que a Terra é redonda

que os astros se movem no Universo

e coisas assim

se pouco ou quase nada eu sei de mim?

 

Só quando me for dado conhecer-me

saber tudo de mim

quem verdadeiramente sou

perdido entre tantos mil

a coberto de um registo civil

saber o que faço aqui

e para onde vou

então sim tudo saberei

todos os mistérios se revelarão

e todas as dúvidas cessarão

 

Saberei se o Além existe

se é finito ou infinito

o Universo

e qual é o seu reverso

que coisas são o Espaço e Tempo

o Amor e a Verdade

a Santíssima Trindade

 

É a mim que eu procuro conhecer

a chave de tudo está em mim

isso sei

 

Mas…

Quem, ou o quê, sou eu?!

  

Vale de Salgueiro, Quinta-feira, 5 de Junho de 2008

Henrique António Pedro

                                                   

domingo, 1 de fevereiro de 2026

O Céu pegará fogo, nessa noite



(A minha admiração e respeito para LA e AG que assim interpretaram a Lei)

 

O Cosmos entrará em guerra

nessa noite

 

Desaparecerá do Espaço a Terra

e pegará fogo o Céu

 

Como epílogo sagrado do virtuoso amor

de um homem e duma mulher

que congregados na Fé

guardaram estreme castidade

e assumida virgindade

até decidirem casar à luz dos ensinamentos

assumindo a condição de macho e fêmea

fiéis aos mandamentos

seu heróico fadário e dilema

 

Dotados de alma e coração

e encontrada a alma gémea

a vida não será tão só

dó e calvário

 

Nessa noite

o Cosmos entrará em guerra

desaparecerá do Espaço a Terra

e pegará fogo

o Céu

 

Que nenhum anjo ou demónio ousará apagar

porque é Deus o incendiário

e o Amor é Seu património

 

Vale de Salgueiro, terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010

Henrique António Pedro