quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Um pingo de água
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Tic-tac-tic-tac
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Ora aqui, ora além, a orar
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Introdução à Eternidade
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Se te perguntassem se gostarias de não ter nascido, que dirias?
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Usemos palavras como usamos pedras
Usemos palavras como usamos pedras
Usemos
palavras como usamos pedras
para construir casas e castelos
templos
poemas e pontes
Pedras
de xisto
de granito
de mármore
ouro ou diamante
Palavras
de paz e de amor
Usemos palavras como usamos pedras de embaraço
ou demência
que se lançam fora ou se calam
para aliviar o coração
ou
estender a mão a um abraço
Usemos
palavras como usamos pedras
bem
pesadas
bem
medidas
bem
sentidas
de
amor e compaixão
Usemos
palavras como usamos pedras
contas
de um rosário
de
penitência
e contrição
Vale de Salgueiro, terça-feira, 17 de Agosto de
2010
Henrique António Pedro
domingo, 17 de fevereiro de 2013
A vida não é uma batalha perdida
Apraz-me caminhar sem destino
em espaço aberto
sem saber ao certo
aonde me leva o caminho
nem mesmo se regresso
Andar a esmo
à sorte
às voltas a mim mesmo
pelo verso
pelo anverso
e de reverso
sem tempo
sem norte
nem tino
Indiferente ao sol, à chuva e ao vento
com o pensamento disperso pela poesia
meu modo de viver
crisol do meu entendimento
farol do meu crer
força do meu acreditar
que a vida não é uma batalha perdida
ainda que acabemos por morrer
A vida é uma batalha vencida
se com amor
soubermos vencer a dor
Vale de Salgueiro, domingo, 13 de Setembro de 2009
Henrique António Pedro
sábado, 16 de fevereiro de 2013
Uma mesma utopia, a poesia!
sábado, 9 de fevereiro de 2013
À procura de um nada que tarda
Sou
um nada
ninguém
Alguém
que caminha ao cair da tarde
por
chão atapetado de pétalas de flores de tílias
perfumadas
a
derramar paz e amor por onde passa
à
procura de deixar de ser
um
nada ninguém
num
amanhã
que
tarda
Maior
glória ninguém poderá sentir
que
derramar paz e amor por onde passa
e
ainda acrescer o silêncio do mundo
num
silencioso devir
Só
assim
livre
a
minha angústia poderá partir
e voar
e
me deixar não ser
amanhã
um
nada ninguém
E nada
mais me poder perturbar
ainda
mais
Vale
de Salgueiro, domingo, 27 de Junho de 2010
Henrique
António Pedro
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Vou fugir para o futuro distante
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Angélica
mas não
definitivo
amor
E continua
a ser
seguramente
aquele
que mais me marcou
No
corpo
na
vida
e na
mente
Apaixonámo-nos
sem o saber
na
alvorada da puberdade
e amámo-nos
com doce e pia paixão
por
toda a feliz e distendida adolescência
Tudo
se consumaria à entrada da idade adulta
(oh, que
terrível perturbação, que dramático dilema!)
dele resta
esta saudosa e terna imanência
que só
agora ouso converter em poema
Angélica
era linda!
Tinha
o rosto iluminado de espiritualidade
luz que
se reflectia nos seus cabelos de oiro
com a
mesma religiosa luminosidade
da
dócil chama da lamparina de azeite
que tinge
de santidade as santas imagens
nos
altares de uma qualquer catedral
Tinha
o porte e a graciosidade de uma divina vestal
a voz
profética e o olhar fascinante de Sibila
o semblante
superior e doce de Afrodite e Artemisa
imagens
que o meu espírito enamorado construía
no
estudo da história de Atenas e Roma antigas
Angélica
era uma deusa!
Que me
fez deus, seu igual, quando me confessou
ser eu
o arquétipo das imagens que também ela formava
nas
mesmas leituras das mitologias grega e latina
sendo nosso
Olimpo o idílico Jardim Municipal
nas
margens plácidas do bucólico rio Tâmega
a que
se confinava o nosso juvenil conceito de alfa e ómega
Mutuamente
apaixonados sem o saber
não
sabíamos ainda que coisa era amar
por
isso nos limitávamos a passear lado a lado
e a
sorrir
a
brincar
e a
arfar de forma desconhecida
sempre
que nos estreitávamos em inocente abraço
cientes
de não sofrer de doença respiratória
nem
haver razão de cansaço
E assim
crescemos platonicamente enamorados
tão
puros e inocentes que ainda hoje tenho na ideia
que
Kant escreveu a Crítica da Razão Pura a pensar em nós
embora
não fôramos nós a interrogar-nos:
Que poderíamos
nós, de facto, saber?
Que deveríamos
nós, em verdade, fazer?
O que
nos era lícito esperar de nós?
Respondeu
Kant a estas filosóficas questões?
Nunca
nos interessou verdadeiramente saber
já que mantivemos a mais estreme fidelidade
à pureza daquele nosso amor da menoridade
Até que
um dia…
… largámos
Kant
(e
passando à margem de Comte)
mergulhamos
na leitura dos Evangelhos e de Santo Agostinho
passamos,
ao de leve, pelas Suras do Corão que falam da mulher
(a que
dissemos, obviamente, não, nunca, jamais!)
para
acabarmos por cair nos mais apetecidos orientais
em Buda,
Tao, Sri Aurobindo, no Tantra Ioga e no Kamasutra
Até
que um dia…
…chegou
a hora de deixar o Olimpo Municipal
de procurar
outros saberes na universidade da vida
e nos
espaço mais amplos do futuro e da Capital
Foi então
quando…
nós
que nos amávamos tanto
por
encanto nos demos conta
de que
estávamos livres e sós
como
Adão e Eva tomados da sua própria ciência
expulsos
do Paraíso
condenados
à nossa própria consciência
e cientes
agora de que nem um nem o outro éramos deuses
mas
simples mortais
decidimos
tentar sê-lo, então, por via do amor
e à
força de tanto viver a dois
e de
amar mais
E
seria com beijos, abraços e loucuras sem fim
à
força de tanto "sexar"
que
ousamos alcançar a Iluminação
(oh,
que sublime privilégio!)
acreditando
piamente que com tanto amor
envoltos
nas ondas inebriantes da comunhão de prazer
voaríamos
para fora dos nossos corpos
nos
tornaríamos etéreos e santos
e de
espíritos abraços num deleite desmedido
cumpriríamos,
por fim, o nosso divino sortilégio
Por inúmeras
vezes estivemos à beira do nirvana, é certo
mas
nunca se fez luz em nossos espíritos
apenas
luar
Nunca verdadeiramente
lá ousamos chegar
até
que depois de muito e muito tentar
acabamos
por concluir que o amor de homem e mulher
apenas
serve para ter prazer e fazer filhos
e nunca
por si
só
para
nos salvar!
E as palavras
mais frias, nuas e cruas que até hoje ouvi
e a
que nunca, por insanidade mental, correspondi
vieram
de Angélica, já no estertor da separação
mas que
ainda hoje me causam indizível dor
Disse-me
ela, pelo telefone, à distância
com a
habitual superior doçura
numa
derradeira instância de salvar
o que perdido
estava de veras:
- Nunca me rendi, nem rendo, às minhas
lágrimas
mas
não resistirei às tuas se forem sinceras
Não
chorei
na
altura
(oh,
que terrível perturbação, que dramático dilema!)
mas faço-o
hoje e agora, arrependido
aqui
neste
poema
Vale
de Salgueiro, 25 de Janeiro de 2008
Henrique
António Pedro