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sexta-feira, 3 de novembro de 2023

Ainda não é amor, por enquanto…


Ainda não é amor
por enquanto

nem sei mesmo

se algum dia

o será

 

Por agora é só poesia

encanto de a idear

nua

tentadora

ao deus dará


De imaginar que se desnuda

linda de morrer

e de matar

despudorada

se com ela me envolver

 

Ela brinca com o fogo

incendeia-me
e eu cubro-a com o meu olhar

 

Mas quando já a vejo despida
oferecida
revolta

apresto-me a envolve-la em poesia

sem demora

não vá o fogo da provocação

incendiar tudo à nossa volta

 

Ainda não é amor

por agora

 

É só ardor de sedução

laivo de alegria

fulgor de tentação

cântico

festa de fantasia

 

Vale de Salgueiro, 24 de Maio de 2008
Henrique António Pedro

 

quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Que prazeres da vida irão além da morte?

 


Se os braços

os lábios

as mãos

o coração

se quedam por cá um dia

enterrados na terra fria

e na passada se desfazem em nada

então que acontecerá aos beijos

aos afagos

aos abraços de paixão?

 

Passam do estado de gozo ao de recordação

depois evolam-se com o vento

e acabam no esquecimento

 

Que prazeres da vida irão

então

além da morte?

 

Só poderão ser os prazeres que o espírito envolve

fascinado

e que a alma também transporta

em seu vapor de amor

tais como ler poesia com alegria

 

O maior de todos os prazeres, porém

é

verdadeiramente

amar e ser amado

 

Vale de Salgueiro, quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Henrique António Pedro

 

 

quarta-feira, 25 de outubro de 2023

Puro, Nu e Cru


Dispo a Alma

alijo a Razão

calo o Coração

e sigo em frente

puro, nu e cru

como se acabado de sair ventre

de minha mãe

 

Transfiguro-me em massa amorfa

sem vida nem esperança

em fraga

nuvem

gota

gás

 

Os poemas que escrevi

diluíram-se no vento

das rimas nada mais resta

 

Dos caminhos que trilhei

já o meu rastro se apagou

 

Se tento morrer

noto

porém

a impossibilidade de o fazer

porque ninguém é capaz de se matar

e de se apagar do Cosmos

com ou sem dor

só mesmo o Criador

 

Sou espírito acima de tudo

de novo me transmudo

 

Por isso amanhã lá estarei de novo

na terra que me espera

no chão em que vegeta meu coração

a viver com poesia

a alvorada de mais um dia

 

E depois de amanhã também

indiferente ao vento

à chuva

e ao frio

 

Puro, nu e cru

 

E a sonhar!

 

 

Vale de Salgueiro, quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010

Henrique António Pedrodro

segunda-feira, 23 de outubro de 2023

A mim, nenhuma explicação me foi dada


Eis-me aqui!

 

Ninguém me disse para o que vinha

nem se alguém estaria à minha espera

 

Ninguém me perguntou quem eu era

que país

que cor

que língua eu escolhia

em que mares eu queria navegar

em que ares desejaria voar

 

Terra

deram-me Terra

e mais Terra

Céu e mais Céu

para ser eu a desbravar

 

Nenhuma explicação me foi dada

 

Porém

alguém me abriu com amor a consciência

e eu por mim deduzi

também

que ideia sem afecto é fraco tecto

é má ciência

 

Alguém que me pôs luz no coração

sublime opção de Redenção

 

Foi Cristo que me disse para onde vou

e como irei terminar

por isso entendo eu

ser legitimo acreditar

que não irei morrer

pelo que a minha opção

só pode ser

viver e amar

 

Vale de Salgueiro, sexta-feira, 6 de Agosto de 2010

Henrique António Pedro

 

sexta-feira, 20 de outubro de 2023

História de um amor tresmalhado

 



Não foi o vento não

 

Foi uma lufada da mais cruel verdade

um ciclone de desilusão

que soprou pelo Outono

na alma indefesa

demasiado presa

ao coração

 

Foi uma aragem de angústia

um sopro de saudade

eriçada a destempo

em tempestade

 

A chuva dissolveu os versos

o vento dispersou as palavras

 

E as sílabas voaram feitas folhas soltas

por entre ruídos

de ideias rasgadas

 

Que nas voltas e reviravoltas da amargura

retornaram à razão

entristecidas

com o espírito votado ao abandono

esfrangalhado

roído de dor

caído na loucura

 

Restou

este poema memória

história triste

crua

de um amor tresmalhado

 

Vale de Salgueiro, sexta-feira, 17 de Abril de 2009

Henrique António Pedro

 

terça-feira, 17 de outubro de 2023

É assim que eu te amo


Com o viço do jacinto

que resplandece em cada dia

com o sol nascente

é assim que eu me sinto

quando te vejo surgir de repente

a sorrir

inundando de alegria

o ambiente

 

É assim que eu te amo

 

Com o encanto do poeta

em quem o sorriso de uma mulher bela

que graciosa lhe sorri

desperta inspiração

sem outra intenção

que não seja olhar para ela

e amá-la

só de contemplá-la

 

É assim que eu te amo

 

Com a doce sensualidade

que emana dos anjos

é como eu te amo

 

E de que outra forma haveria eu

de te amar?

 

Vale de Salgueiro, quarta-feira, 4 de Agosto de 2010

Henrique António Pedro