sábado, 20 de maio de 2017
Há amar e amar, há partir e ficar
Especado
no cais
hesito
entre partir e ficar
ir atrás
do seu olhar
Abstraio-me
Dou asas
ao coração
mergulho
na sua imagem
no reino
da ilusão
Inunda-me
uma vaga de desejo
venço a
onda do embaraço
passo à
acção
à palavra
ao beijo
ao
abraço
Afirma-se
a paixão
Sinto
que ela me quer
que não
é miragem
Será que
existe?
Ela insiste
Especado
no cais
hesito
entre ficar
e partir
ir atrás
do seu olhar
Não sei
para onde me leva
nem para
onde ela vai
Há amar
e amar
há partir
e ficar
sexta-feira, 19 de maio de 2017
A insana ânsia de imortalidade
Leva-nos para
lá da morte
A ânsia de
imortalidade
A insana
procura da verdade
que nos leva a
morrer
e a matar
É a insana
ânsia de imortalidade
que nos faz
cantar
bailar
amar
escrever
sofrer
tentar a sorte
É mais que vaidade
querer
perlongar o viver
desejo de fama
Emerge do
âmago do nosso ser
É Deus que nos
chama
domingo, 14 de maio de 2017
Flores a florir o devir
Só será
poesia
e ganhará
voz
se
germinar dentro de nós
e
florescer no mundo
Se for
pão
colhido
na seara da vida
moído
com fantasia
e amassado
com o suor do rosto
e o mosto
do coração
Se for pão
cozido com dor
amor
e angústia
Flor
alegria
e
alimento
Lembrança
esperança
verdade
ansiedade
e esquecimento
Flores a
florir
o devir
sexta-feira, 5 de maio de 2017
Este infausto acontecimento de viver apaixonado
Ando
a torcer
a
retorcer
a
espremer palavras
a
bolsar ideias
iludido
de que ando a pensar
mas
não penso
Apenas
sinto
a
mim mesmo minto
e
sôfrego
sofro
Dando
asas a poemas
a
este magno sentimento
infausto
acontecimento
de
viver apaixonado
Não
de uma paixão qualquer
embora
meta muito amor de mulher
quantas
e quem nem eu sei bem
Apaixonado
do amor que tenho à vida
da
alegria de viver que ainda assim me angustia
e
a mim me faz sofrer
Do
medo da morte
do
temor de não saber
do
que por azar ou sorte
me
espera no Além
Vale de Salgueiro, 17 de abril de 2017
Henrique António Pedro
domingo, 30 de abril de 2017
Só nos resta esperar que pare de chover e continuar a sonhar
Os
Serviços Meteorológicos prometem trovoada
já para
depois de amanhã
Oh, quanta
angústia escusada
quanta
lágrima antecipada
quanta
sorte malsã!
Os
colunistas de Astrologia
ainda vêem
mais além
Vaticinam
semana de sorte para Touro
prometem
ouro a Sagitário
mostram a
carta da morte a Aquário
mas não
garantem nada a ninguém
As
estradas causam ainda mais mortes
o Governo
decreta mais cortes
e mais
austeridade
Bruxos e
adivinhos
políticos
e maus vizinhos
anunciam
guerra nuclear
Oh, quanta
falta de verdade
quanto
sono perdido
quanto
sonho iludido
quanta
aposta para nada
quanta
ambição esparramada!
É azar a mais
bater à porta
desta
pátria semimorta
que a ninguém
deixa viver
Só nos
resta continuar a sonhar
e esperar
que pare
de chover
quinta-feira, 27 de abril de 2017
A Fé que sinto é um instinto
É uma
sede que não sacio
por mais
água que beba
Uma fome
que não mato com pão
Um
desejo de amar que me não passa
por
maior amor
ou bem
que eu faça
Esta Fé
que eu sinto
é um
instinto instante
uma
angustiante insatisfação
É
colapso da Razão
fracasso
da inteligência
Esta fé
que eu sinto
é o instinto
de sobrevivência
do meu
espírito
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