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sexta-feira, 15 de maio de 2026

Introdução à Eternidade

 


Introdução à Eternidade

Copyright © Henrique Pedro (prosaYpoesia)

1.ª Edição, Outubro de 2013

 

I

Introdução à Eternidade

 

O Infinito

é um lugar tão distante

que demoramos uma Eternidade

a lá chegar

 

É uma infinitude

de uma só virtude

a Verdade

 

É lá

por certo

que mora a Felicidade

 

Eu moro mais perto

porém

 

Bem pertinho

até

 

Num lugar bem pequenino

infinito de amor

sem fim

aberto dentro de mim

pela Fé

e pela dor

Henrique António Pedro

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Etereamente nua


Ela brincava com o fogo

com que me incendiava

 

Eu limitava-me a despi-la

com o olhar

 

Não era amor
era lampejo de gostosura

desejo de a ver

nua


Ela à minha frente se desnudava

linda de morrer
entre sorrisos e trejeitos lúbricos
o viço dos seios túrgidos
a tentarem-me

com prazer

Oferecia-se amorosa
insinuante

melíflua

de falas meigas
graciosa

com golpes de cintura
fina
maneiras requintadas
nádegas roliças
coxas torneadas

Quando, por fim, se mostrou despida
oferecida
etérea

nua

eu cobri-a com poesia


Oh que dilema!

 

Que outro epílogo poderia ter este poema?!



Vale de Salgueiro, 24 de Maio de 2008
Henrique António Pedro

Sonho acordado (Contemplação)


Sonho acordado

ausente

 

Deixo-me levar pelo vento

no voo do tempo

imaturo

desasado

cada momento do presente

fecha-se em passado

e abre-se em futuro

 

Rasgo a bruma da ilusão

escrevo poemas de espuma

inseguro

voo fascinado

com a leveza duma pluma

 

O sonho é uma ideia oca

mas é esperança

é procura da verdade

é pulsar do coração

ar da Razão

pão da boca

é a próxima realidade

 

 

Deus só não nos deu asas

para que sejamos nós

a aprender a voar

e a sonhar

 

A despertar

pela contemplação

 

 

Vale de Salgueiro, quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

Henrique António Pedro

 

domingo, 10 de maio de 2026

Paixão pulsão pulsante


 

Paixão é pulsão pulsante, é atração

É o fruto da sedução e do cortejo

É a chispa radiante dalgum desejo

É uma brasa acesa no coração

 

Que acaba por virar em negro carvão

Quando com triste e dorido arpejo

Porque o amor não logrou o seu ensejo

Se apaga sem apelo nem compaixão

 

Se o puro amor a alma não abrasa

Deixa o coração de ser uma fornalha

E de pronto a paixão perde sua asa

 

Estiola e arde qual simples palha                            

E o tição que aceso foi rubra brasa

Acaba em cinza que o vento espalha        

 

Vale de Salgueiro, segunda-feira, 1 de Novembro de 2010

Henrique António Pedro

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Olhar e ver além do horizonte



Os meus olhos não vêem além do horizonte

e os meus ouvidos

mais não ouvem que ruídos fugidios

 

As minhas mãos mais não tacteiam que a pele de corpos

e a superfície dos objectos

 

O meu coração apaixona-se sem saber porquê

o meu cérebro mal percebe a realidade

 

A minha alma mergulha na ansiedade

limitado que estou encarcerado dentro de mim

de espírito longe da verdade

 

A olhar o mundo sem ver

por uma estreita fresta

por onde mal passa a luz do dia

que nada me diz do Cosmos profundo

 

Por isso o meu espírito se incendeia de poesia

e anseia por tactear mais

ouvir mais

sentir mais

mais dar e receber

 

Olhar e ver além do horizonte

uma réstia de esperança que desponte

 

 

Vale de Salgueiro, sábado, 5 de Dezembro de 2009

Henrique António Pedro

 

 

 

 

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Como pode a vida ter por fim a morte?



Viver é vencer montanhas de glória

serras de derrotas sem história

selvas de ambição

desertos de sonhos

mil abrolhos

pântanos de frustração

 

É uma breve caminhada exterior

por demorados caminhos de dor

e de mais curto amor

 

É vogar por espaços discretos

de ideias e afectos

abertos no nosso mundo interior

 

Sem que possamos parar

ou sequer descansar

 

Sem termos para onde fugir

porque se o coração para de bater

o cérebro deixa de pensar

e a alma de se angustiar

 

Como pode, então, a vida ter por fim a morte

morrer ser o fim de viver?

 

Ainda que a morte incompreendida

seja o fim da vida

não a  Esperança perdida

 

 

Vale de Salgueiro, quinta-feira, 16 de Dezembro de 2010

Henrique António Pedro