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sábado, 16 de maio de 2026

Lugares recônditos da minha alma

                                                                               


  

                                                                                III

Lugares recônditos da minha alma

 

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

Há lugares

recônditos

na minha alma

aonde

eu próprio

raras vezes vou

 

Apenas assediado

por algum evento inusitado

 

São aposentos reservados

onde não sopram os ventos

nem se faz sentir a fúria do mar

ou a tempestade do viver comum

 

Ali me refugio

me protejo

e me liberto

em ambiente de espiritualidade

 

Tranco portas e janelas

tapo os ouvidos aos ruídos da rua

apenas deixo acesa uma luz

doce como a da Lua

e por ali fico na obscuridade

de alma distendida

até me acalmar

 

Só depois desperto

e retorno à vida

 

Henrique António Pedro

 

sexta-feira, 15 de maio de 2026

O nosso fim é ser anjos

 


II

O nosso fim é ser anjos

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

O nosso fim é ser anjos

libertarmo-nos do peso do corpo

e ganhar asas

para podermos voar

 

À custa de sofrer

e de amar

e disso tomar consciência

pela ciência

e pelo saber

pelo sopro de Deus

que é o amor

 

É este o sentido da dor

da verdade

antíteses do prazer

e da vaidade

 

A razão de ser de nascer

viver

e morrer

 

Henrique António Pedro

Introdução à Eternidade

 


Introdução à Eternidade

Copyright © Henrique Pedro (prosaYpoesia)

1.ª Edição, Outubro de 2013

 

I

Introdução à Eternidade

 

O Infinito

é um lugar tão distante

que demoramos uma Eternidade

a lá chegar

 

É uma infinitude

de uma só virtude

a Verdade

 

É lá

por certo

que mora a Felicidade

 

Eu moro mais perto

porém

 

Bem pertinho

até

 

Num lugar bem pequenino

infinito de amor

sem fim

aberto dentro de mim

pela Fé

e pela dor

Henrique António Pedro

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Etereamente nua


Ela brincava com o fogo

com que me incendiava

 

Eu limitava-me a despi-la

com o olhar

 

Não era amor
era lampejo de gostosura

desejo de a ver

nua


Ela à minha frente se desnudava

linda de morrer
entre sorrisos e trejeitos lúbricos
o viço dos seios túrgidos
a tentarem-me

com prazer

Oferecia-se amorosa
insinuante

melíflua

de falas meigas
graciosa

com golpes de cintura
fina
maneiras requintadas
nádegas roliças
coxas torneadas

Quando, por fim, se mostrou despida
oferecida
etérea

nua

eu cobri-a com poesia


Oh que dilema!

 

Que outro epílogo poderia ter este poema?!



Vale de Salgueiro, 24 de Maio de 2008
Henrique António Pedro

Sonho acordado (Contemplação)


Sonho acordado

ausente

 

Deixo-me levar pelo vento

no voo do tempo

imaturo

desasado

cada momento do presente

fecha-se em passado

e abre-se em futuro

 

Rasgo a bruma da ilusão

escrevo poemas de espuma

inseguro

voo fascinado

com a leveza duma pluma

 

O sonho é uma ideia oca

mas é esperança

é procura da verdade

é pulsar do coração

ar da Razão

pão da boca

é a próxima realidade

 

 

Deus só não nos deu asas

para que sejamos nós

a aprender a voar

e a sonhar

 

A despertar

pela contemplação

 

 

Vale de Salgueiro, quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

Henrique António Pedro

 

domingo, 10 de maio de 2026

Paixão pulsão pulsante


 

Paixão é pulsão pulsante, é atração

É o fruto da sedução e do cortejo

É a chispa radiante dalgum desejo

É uma brasa acesa no coração

 

Que acaba por virar em negro carvão

Quando com triste e dorido arpejo

Porque o amor não logrou o seu ensejo

Se apaga sem apelo nem compaixão

 

Se o puro amor a alma não abrasa

Deixa o coração de ser uma fornalha

E de pronto a paixão perde sua asa

 

Estiola e arde qual simples palha                            

E o tição que aceso foi rubra brasa

Acaba em cinza que o vento espalha        

 

Vale de Salgueiro, segunda-feira, 1 de Novembro de 2010

Henrique António Pedro