terça-feira, 13 de março de 2018
Minha Mátria Terra Quente
domingo, 11 de março de 2018
Assobiando aos bois no bebedouro
Aprendi com Vinícius
velho criado de servir de meu avô João
a assobiar aos bois no bebedouro
quando regressavam do pasto
ao fim do dia
depois do lauto repasto
de feno
ferrã
e grão
Que prazer era vê-los beber
em manso remanso
de beiços a beijarem a película líquida
amansados pelo meu assobio
e a olharem-me de soslaio
com seus olhos cor de mel
a dizerem-me que lhes agradava a lânguida
melodia
De novo agora ensaio
sem desdouro
com os lábios em bisel
com o enlevo
e a nostalgia
de quando menino
enquanto escrevo
esta poesia
e sorrio
do meu destino
iiuuu, iiuuu, iiuuu…
in Anamnesis (1.ª Edição: Janeiro de 2016)
quinta-feira, 8 de março de 2018
Até parece que só neste dia é que há mulheres
terça-feira, 6 de março de 2018
A destempo no tempo da eira
domingo, 4 de março de 2018
Minha Pátria Montanha
quinta-feira, 1 de março de 2018
Das terras de Trás-os-Montes apartou Deus o mar
Das
terras de Trás-os-Montes apartou Deus o mar
para
que transmontano soubesse
que
coisa é emigrar
e
do lado de cá aprendesse
a
força da palavra amar
e
do lado de lá sentisse
que
sabor tem ter saudade
Das terras de Trás-os-Montes apartou Deus o
mar
um oceano de granito e xisto
deixou em seu lugar
para que transmontano aprendesse
que coisa é labutar
Das terras de Trás-os-Montes apartou Deus o
mar
férteis veigas de húmus
deixou em seu lugar
para que transmontano aprendesse
a colher e a semear
Em terras de Trás-os-Montes
na parte mais altaneira
criou Deus a Montanha
com semente de castanha
E na parte mais ribeira
plantou a Terra Quente
com ramos de oliveira
trazidos do Oriente
in “Minha Mátria Terra Quente” (1.ª Edição
Abril 2005)
Henrique António Pedro