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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Palavras escritas com a tinta do coração



Escrevi umas tantas palavras
escritas
com a tinta do coração

Que verti
em taça de cristal
à hora do meio-dia
quando o Sol está mais vertical
tal a paixão que em mim
ardia

Enchi esse vaso cristalino
de luar
que era o meu desejo de a amar

Julgou ela que era perfume
que eu lhe oferecia

Aspirou-lhe o aroma
tomou-lhe o sabor
sem se aperceber
que era um filtro de amor
que a incendiava do lume divino
da paixão sem contrição

Verti
por fim
mais e mais palavras de poesia
e de alegria
no rio do destino

E assim a seduzi
a ela
e me redimi
a mim

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Anuncie aqui!


Talvez agora
com a crise
precise
de psicanálise

Anuncie aqui suas dores
angústias
amores
sonhos
e desilusões

As vendas estão garantidas em todos os balcões
e a sua facturação crescerá sem parar
não se irá arrepender

A menos que pretenda comprar…
também tenho para dar
e vender

Anuncie aqui, neste link:


Aberto vinte e quatro horas por dia

Como prémio receberá…

poesia

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Com poesia a mim mesmo me engano


 
 

Confidencia-me o seu segredo mais íntimo

que silencio nos ouvidos

e sepulto no coração

 

Ouso ir mais além

porém

 

Codifico o segredo em poema

e lanço-o ao vento

também

 

Ficará bem melhor guardado

ainda assim

por todo o tempo

 

Porque a poesia é a arte de enganar

com a verdade

de esconder a tristeza com alegria

de disfarçar com amizade

a paixão

 

Por isso as palavras me saem da mente

agora

em torrente

sem chama

nem drama

nem razão

 

Concertadas em poema depenado

cujas pétalas perfumam o chão

agridoce

dessa doce intimidade

com que ela me desengana

sem me causar maior dano

 

Na verdade

sou eu que com poesia

a mim mesmo me engano

 

Vale de Salgueiro, sexta-feira, 13 de Agosto de 2010

Henrique António Pedro


sexta-feira, 17 de outubro de 2014

À sombra de uma nuvem


 

Adormeço
Prostrado
À sombra de uma nuvem
Cansado
De um pensamento mais denso

Embalado
Por uma aragem de espírito
Que me refrigera o corpo
Do sopro ardente da Terra
Envolta em guerra

Acordo
De madrugada
Na frialdade da noite iluminada
Pela luz cósmica das estrelas
Que espargem espiritualidade

A geada
Prateada
Da verdade
Não me deixa dormir

Flutuo no nada
Demente que estou
Com a mente perturbada

Que virá a seguir?

 

in Angústia, Razão e Nada

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

A diva


 
 
Olho-a em silêncio

Ouço a melodia
que ecoa
por mim a dentro

Com o seu canto
me encanto

Canção calada
música encantada
da qual
quase não nada
ouço

Bailo
enlevado
levado na fantasia

Acordo
ao último acorde
e aplaudo

E lavro
em poesia
este laudo

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Elegia de Outono


 

Há roseiras a rosir

agora pelo Outono

frágil entono

quando as romãs começam a rir

e os ouriços no alto dos castanheiros

altaneiros

quase

quase

a parir

 

E as andorinhas

a partir

 

A atmosfera

e os campos

ensaiam simulacros de Primavera

por todos os cantos

mas a cor dominante não é o verde fulgurante

pintalgado de papoilas e malmequeres

e da sensualidade desnuda das mulheres

 

São tons quentes de castanho

de folhas amarelecidas

que se vão desprendendo pelo vento

de árvores entristecidas

simulando alegria

em derradeiro arreganho

que é  lamento

elegia

pura poesia

 

Só as mães

depois que lhe morrem os filhos

não voltam mais

a sorrir

 

Vale de Salgueiro, quarta-feira, 23 de Setembro de 200920101011

Henrique Pedro