domingo, 4 de junho de 2017
Poema escrito com a tinta do meu coração
segunda-feira, 29 de maio de 2017
Não se atiram pedras aos sonhos
Também
sobre mim
se abateu
o manto opaco da dúvida
que nada me deixava ver
ouvir
sentir
saber
Encurralado
não tinha como
nem para onde fugir
Andava perdido
como os demais
Vivia dias de pesadelo
com medo de viver
noites em vigília
gritando
com medo de dormir
Desesperado
atirava pedras aos sonhos
para os espantar
mas os sonhos regressavam
voando
em bando
teimando em não me largar
Era eu que não me dava por vencido
Acabei por compreender
que só acorda
quem se não deixa adormecer
e só vive quem sonha
e não atira pedras aos sonhos
Vale de Salgueiro, sexta-feira, 7 de Janeiro de
2011
Henrique António Pedro
domingo, 28 de maio de 2017
Coisas que me dizes sem querer
Dizes-me
coisas que nada me dizem
Coisas
que a mim me fazem sofrer
Coisas
que tu não dizes por dizer
Coisas
que a ti só te contradizem
Coisas
que tu me dizes sem querer
Coisas
que os teus olhos bem desdizem
Coisas
que contigo não se condizem
Coisas
que tu dizes, mas a doer
Coisas
que a ti dizes sem saber
Coisas
para que meus olhos ajuízem
Coisas
de bem-querer, é bom de ver
Coisas
e sorrisos a desdizer
Coisas
que de ti mesma tão bem dizem
Coisas
e coisas só para me prender
Vale de Salgueiro, terça-feira, 12 de Junho de
2012
Henrique António Pedro
sábado, 20 de maio de 2017
Há amar e amar, há partir e ficar
Especado
no cais
hesita
entre partir e ficar
ir
atrás daquele olhar
Abstrai-se
Dá asas
ao coração
mergulha
naquela imagem
no
reino da ilusão
Inunda-o
uma vaga de desejo
vence
a onda do embaraço
passa
à acção
à palavra
ao
beijo
ao
abraço
Afirma-se
a paixão
Sente
que ela o quer
que
não é miragem
Mas
será que ela existe?
Só
que ela insiste
Especado
no cais
hesita
entre ficar
e partir
ir
atrás daquele olhar
Nem
sabe para onde ela o leva
sequer para
onde ela vai
Há
amar e amar
há ir
e voltar
Vale de Salgueiro, sábado, 7 de Fevereiro de 2009
Henrique António Pedro





