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quarta-feira, 21 de junho de 2017

Ser livre é viver feliz







Eu próprio
em liberdade
me sinto numa prisão
infeliz

Numa gaiola maior
do tamanho da Terra
com grades de angústia

Por isso lhe daria a liberdade
se tivesse a garantia
de que livre
sobreviria

Porquê condená-la à morte
prematura
se a sei feliz a chilrear
enquanto viver
nesta postura?

Acabará por morrer

Pois então que morra
mas que morra livre
e verdadeira

Que aprenda que ser livre
é viver feliz
mesmo prisioneira



terça-feira, 13 de junho de 2017

Os poetas são como os pássaros



Os poetas são como os pássaros

passam os dias a cantar

do nascer ao sol pôr

à espera da Primavera

para mais cantar

e amar melhor

 

A Primavera dos poetas

é como o vento, porém

não tem hora de chegar

e quando chega

se chega

ninguém sabe quanto tempo

irá ela demorar

 

Os poetas são como os pássaros

passam os dias a cantar

em vão a procurar

seu coração alegrar

que anda triste

por não saber

voar

mas não desiste

 

As penas dos poetas não são penas de voar

são poemas

são dilemas

penas pesadas por certo

de coração aberto

por tanto se angustiar

 

São plumas de amor coloridas

a principal cor

da paleta do poeta

 

São alegrias fugidias

são versos

são reversos

são poesias

 

Vale de Salgueiro, terça-feira, 3 de Março de 2009

Henrique António Pedro

 

 

domingo, 4 de junho de 2017

Poema escrito com a tinta do meu coração




Escrevi umas tantas palavras
com a tinta do meu coração

Que verti em taça de cristal
à hora do meio-dia
quando o Sol está mais vertical
tal a paixão que em mim ardia

Enchi, depois, esse vaso cristalino
com luar
tal era o meu desejo de a amar

Ela pensou que era apenas perfume
que eu lhe oferecia

Aspirou-lhe, de pronto, o aroma
e tomou-lhe o sabor
sem se aperceber
que era um filtro de amor
que a incendiava com o lume divino da paixão
sem outro remédio nem contrição

Verti
por fim
tais palavras de poesia
com alegria
no rio do nosso destino

Assim a seduzi
a ela
e me redimi
a mim



segunda-feira, 29 de maio de 2017

Não se atiram pedras aos sonhos




Também

sobre mim

se abateu

o manto opaco da dúvida

que nada me deixava ver

ouvir

sentir

saber

 

Encurralado

não tinha como

nem para onde fugir

 

Andava perdido

como os demais

 

Vivia dias de pesadelo

com medo de viver

noites em vigília

gritando

com medo de dormir

 

Desesperado

atirava pedras aos sonhos

para os espantar

mas os sonhos regressavam

voando

em bando

teimando em não me largar

 

Era eu que não me dava por vencido

 

Acabei por compreender

que só acorda

quem se não deixa adormecer

e só vive quem sonha

e não atira pedras aos sonhos

 

Vale de Salgueiro, sexta-feira, 7 de Janeiro de 2011

Henrique António Pedro

 



domingo, 28 de maio de 2017

Coisas que me dizes sem querer



Dizes-me coisas que nada me dizem

Coisas que a mim me fazem sofrer

Coisas que tu não dizes por dizer

Coisas que a ti só te contradizem

 

Coisas que tu me dizes sem querer

Coisas que os teus olhos bem desdizem

Coisas que contigo não se condizem

Coisas que tu dizes, mas a doer

 

Coisas que a ti dizes sem saber

Coisas para que meus olhos ajuízem

Coisas de bem-querer, é bom de ver

 

Coisas e sorrisos a desdizer

Coisas que de ti mesma tão bem dizem

Coisas e coisas só para me prender

 

Vale de Salgueiro, terça-feira, 12 de Junho de 2012

Henrique António Pedro



sábado, 20 de maio de 2017

Há amar e amar, há partir e ficar



Especado no cais

hesita entre partir e ficar

ir atrás daquele olhar

 

Abstrai-se

 

Dá asas ao coração

mergulha naquela imagem

no reino da ilusão

 

Inunda-o uma vaga de desejo

vence a onda do embaraço

passa à acção

à palavra

ao beijo

ao abraço

 

Afirma-se a paixão

 

Sente que ela o quer

que não é miragem

 

Mas será que ela existe?

 

Só que ela insiste

 

Especado no cais

hesita entre ficar

e partir

ir atrás daquele olhar

 

Nem sabe para onde ela o leva

sequer para onde ela vai

 

Há amar e amar

há ir e voltar

 

Vale de Salgueiro, sábado, 7 de Fevereiro de 2009

Henrique António Pedro