segunda-feira, 30 de dezembro de 2019
Tantos são os sinais que nos dais, Deus!
quarta-feira, 11 de dezembro de 2019
Qual o valor do amor no mercado?
seja qual for a cor do dinheiro
quinta-feira, 14 de novembro de 2019
Auuuuu…Auuuu…Auuuuu…
Dedicado
aos meus cães
seus
pais e suas mães
solto
um triplo latido
disperso
sentido
em
verso prosaico
onomatopaico
Auuuuu…
auuuuu… auuuuu!
Talvez
preferissem que este poema
tivesse
forma e substância de osso
mas
não duvido
que
quando pressuroso
lhes
assobiar esta poesia
com
jactância
a
ouvirão com atenção
de orelhas
espetadas
a abanar
o rabo
sentados
no chão
E
também latirão
com
alegria
quando
me calar:
Auuuuu…
auuuuu… auuuuu!
Muito
tenho aprendido eu
com
o meu irmão
cão
Encanta-me
a sua afectividade
a
sua liberdade
a
sua disponibilidade
a
sua ternura
a
sua bravura
e sobretudo
a sua lealdade
Oh,
como eu gostava de ser como eles
forte
e livre!
Poder
correr
sem
tino
atrás
das aves
e
sem me perder
como
quando menino
Dormir
ao relento sem me constipar
poder
fazer sexo
livremente
à
vista de toda agente
sem
complexo
Ficar
enleado com minha amada
em
prolongado amplexo
e
latir, latir, latir
até
me fartar:
Auuuuu…
auuuuu… auuuuu!
Isso
não…é só mesmo de cão!
Não
fora o caso de ter que ter dono
de
ser deixado ao abandono
ou
de outra maior selvajaria
chego
mesmo a pensar
se
não valeria mais ser cão
que
um vulgar cidadão
a
quem na actual democracia
não
adianta ladrar
Vale de Salgueiro, 14 de Fevereiro de 2008
Henrique António Pedroo
segunda-feira, 14 de outubro de 2019
Falar de amor por falar
Apraz-me falar de amor por falar
despreocupadamente
seja com que mulher for
Madura
balzaquiana
adolescente
mundana
casta
beata
rameira de vida indevida
casada
solteira
ou simplesmente nubente
Estando apaixonados
ou nem tanto
Enamorados pela vida e pela verdade
com o encanto do vento
que sopra tal encantamento
por nós a dentro
sem nos causar ansiedade
Em tarde morna de Outono
ou em dia tórrido de Verão
enquanto tomamos chá
café ou laranjada numa esplanada
ou à lareira para espantar o sono
sem outra condição
que não seja misturar amor, arte e fé
Passeando à beira mar de mãos dadas
mesmo sem nada dizer
Ou deitados desnudos
na praia
na cama
ou em qualquer outro lugar
Assumida que seja entre nós
a uma só voz
a inocência cristalina de ser o amor
a razão única que nos anima
Vale de Salgueiro, quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009
Henrique Pedro
quinta-feira, 10 de outubro de 2019
Melopeia nupcial
Ouvi
de um sibilino espírito de virtude
que etéreo habita o mítico templo do conhecimento
esta sábia sentença, que assumi como fadário:
«Só o fogo do amor vence o frio da vida terrena
mantém o corpo ágil e livre do envelhecimento torpe
e rasga com luz a sombra da noite da morte.»
Deitei-me nu
com a minha amada desnuda
virgem
imaculada
em alvos lençóis de linho cru
da cor da geada
em noite escura e fria de Inverno
à procura do fogo eterno
da felicidade
Logo ao primeiro beijo se inflamou o desejo
como se beberamos vinho
e os lençóis tecidos de áspero linho
se converteram em fina e rendilhada cambraia
e os corpos enlaçados em suave movimento
se iluminaram na obscuridade do aposento
da mais doce e sublime luminosidade
Acendeu-se a chama do amor no frio da noite escura
almas envoltas em vapor de ternura e paciência
sublime ignescência do fogo que arde e não queima
felicidade que não tarda e perdura
por tempo indeterminado
E os alvos lençóis de linho da cor da geada
transformados logo ao primeiro beijo
na mais fina e diáfana cambraia
ficaram rendilhados por fios do meu sémen quente e incolor
e pela cor carmim do sangue rosa da minha amada
produto do nosso amor e desejo ardente
E o fogo do amor daquela noite de núpcias sentida
gravou para sempre nas nossas almas e mentes
com fios de ternura, sémen e sangue rosa carmim
o destino e boa sorte que perdura pela vida
e que assim sobrevirá feliz para lá da morte
Vale de Salgueiro, 18 de Novembro de 2007
Henrique Pedro
quinta-feira, 3 de outubro de 2019
Outono
Perde o Verão o entono da paixão
a partir do nono
mês
quando o Outono sazão
faz valer o brilho
da sua palidez
As andorinhas
ladinas
rumam para sul
o silêncio tomba
no paul
O rebanho deserta
da sombra do negrilho
onde dormia a sesta
em busca de erva tenra para tosar
nos campos já a verdejar
Diga-se em abono da verdade que o Outono
com sua morna cor
é uma festa
com bandos de folhas de esquecimento
a voarem pelo ar
tocadas pelo vento
da saudade
É tempo de sonhar
sonhos mornos de amor
doce forma de amar
Vale
de Salgueiro, segunda-feira, 24 de Setembro de 2012
Henrique
António Pedro





