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quinta-feira, 18 de junho de 2026

A minha alma mora no meu coração

 


LI

A minha alma mora no meu coração

 

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

A minha alma não reside no meu cérebro

como cheguei a pensar

ou em qualquer outro órgão

glândula ou apófise

como pus a hipótese

 

A minha alma mora no meu coração

 

É lá que passa a maior parte do tempo

entretida a deixar-se emocionar

 

De onde apenas sai

levada pelo vento

quando o pensamento

se põe a divagar

 

E quando encontra coisas que a fazem sofrer

ou a mente é incapaz de compreender

é ainda a alma a se angustiar

e é no coração que acaba por se refugiar

 

Henrique António Pedro

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Nada em lado nenhum

 


L

Nada em lado nenhum

 

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

 

Adormeço profundamente

e tão pouco sonho

 

Por tempo indeterminado passo a ser nada

em lado nenhum

 

Deixo de existir

 

Depois que abro os olhos

acordo serenamente

sentado na erva

encostado ao tronco de um freixo

enquanto as ovelhas continuam a pastar

placidamente

no lameiro

com César

o cão pastor

a vigiar

 

De nada me queixo

sinto-me bem

inteiro

sem qualquer dor

 

Será que a minha alma também dormiu?

 

Mas como pode o espírito dormir?

 

Só pode ter andado a vogar

por outro espaço

noutro tempo

sem eu saber

e sem que mo queira dizer

 

Certo que o espírito

não é

sonho

 

Tão pouco é realidade

Henrique António Pedro

Morto ou absorto?!

 



XLIX

Morto ou absorto?!

 

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

Não raras vezes vivo momentos assim

que de tão absorto

e enlevado

embora vivo

mais pareço morto

 

De olhar fixo no ar

parado

sem nada ver

nem ouvir

com o pensamento sem nada a pensar

mais pareço uma pudica estátua viva

numa praça pública

 

Deixo de sentir o próprio coração bater

não sonho

tão pouco durmo

 

Sou mesmo levado a julgar

ser capaz

de deixar de sentir

e de pensar

embora continue a viver

 

Porque há um instante

encantado

ainda que fugaz

em que percebo o espírito

a respirar

 

Não tem sentido

portanto

morrer

 

Um morto

não é um absorto prolongado

 

Henrique António Pedro

terça-feira, 16 de junho de 2026

Morrer? Qual o problema?

 


XLVIII

Morrer? Qual o problema?

 

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

 

Morrer?

Qual o problema?

 

Desde que a morte seja suave

e tranquila

preferencialmente epílogo de uma velhice longa

e feliz

 

Nunca sentenciada por uma causa

fútil

e inútil

 

Por uma qualquer religião

pátria

justiça

ideia

verborreia

ou infeliz ilusão

terrena

 

Poder

por fim

dizer adeus

ao mundo e à dor

viver a fascinante aventura da eternidade

satisfazer a curiosidade imensa do além

conhecer toda a dimensão do amor

e da verdade

libertar a mente

e encontrar

quiçá

Deus

bem de frente

Henrique António Pedro

Maravilhado ando eu com o Amor

 


XLVII

Maravilhado ando eu com o Amor

 

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

Maravilhado ando eu com o Amor

 

Mais do que com o Sol ou a Lua

as estrelas

o Céu

a Terra

o mar

o trovão

as aves e os aviões que voam nos ares

 

Mais do que a paixão

que enrola a razão

o Amor extravasa a mente

e transborda o coração

 

O Amor

prodigiosa sensação

é mais do que a gente sente

 

O Amor

é a mais generosa dádiva do Criador

 

É o prodígio maior da Criação

 

Henrique António Pedro

Destino

 


XLVI

Destino

 

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

Eu nunca estive aqui

nem mesmo agora aqui estou

alguém se serve de mim

e me faz o que não sou

 

Alguém me enfeitiça

e me atiça

me disfarça de ar e de água

de amor e de mágoa

 

Alguém me acusa

e se escusa

a me julgar

 

Eu nunca nasci

nem morri

e sempre vivi

noutro lugar

 

Para lá vou voltar

quando acordar

aonde

de onde

nunca saí

 

Meu destino divino

é saldar esta injustiça

este feitiço da dor

pela magia do amor

Henrique António Pedro