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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Nada em lado nenhum

 


L

Nada em lado nenhum

 

in Introdução à Eternidade

1.ª Edição, Outubro de 2013

Copyright © Henrique Pedro (prosa Y poesia)

 

 

Adormeço profundamente

e tão pouco sonho

 

Por tempo indeterminado passo a ser nada

em lado nenhum

 

Deixo de existir

 

Depois que abro os olhos

acordo serenamente

sentado na erva

encostado ao tronco de um freixo

enquanto as ovelhas continuam a pastar

placidamente

no lameiro

com César

o cão pastor

a vigiar

 

De nada me queixo

sinto-me bem

inteiro

sem qualquer dor

 

Será que a minha alma também dormiu?

 

Mas como pode o espírito dormir?

 

Só pode ter andado a vogar

por outro espaço

noutro tempo

sem eu saber

e sem que mo queira dizer

 

Certo que o espírito

não é

sonho

 

Tão pouco é realidade

Henrique António Pedro

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