LIV
Porque
cintilam as estrelas?
in Introdução
à Eternidade
1.ª Edição,
Outubro de 2013
Copyright ©
Henrique Pedro (prosa Y poesia)
Quando
a
minha deslumbrada
lembrança
de criança
se
inicia…
Ainda
a minha família ceava
à
sombra da luz da candeia
e
tudo que se comia
era
meu pai que o colhia
Pão,
vinho, mel, azeite e leite
tudo
era dádiva de Deus
pelas
mãos de meu pai
aceite
Também
na penumbra mística
da
igreja lá da aldeia
uma
lampadazinha ardia
quer
de noite quer de dia
E
seria essa luzinha
bruxuleante
pequenina
a
lançar a primeira grande interrogação
na
minha rutilante
Razão
Porque
ardia
e
tremeluzia ela
como
se fosse uma estrela
à
luz do dia?
Foi
minha mãe que me explicou
e
com tanto amor o fez
que
ainda hoje aceito a explicação
certo
de que assim é
com
verdadeiro fervor
acendrada
chama de fé
Disse-me
ela
numa
encantada noite de Verão
estreitando-me
contra o seu coração
que
as luzinhas que brilham no céu
são
a luz de estrelas
que
há muito tempo se apagaram
mas
que só agora chega até nós
trazida
pelo vento divino
Assim
como um grande amor
que
já se foi mas continua a brilhar
noite
e dia
sem
nunca se apagar
Assim
é esse o nosso destino!
(Amor já eu sabia o que era
porque
muito a amava a ela)
Por
isso também em minha casa ardia
noite
e dia
com
deleite
como
na igreja da freguesia
uma
luzinha de azeite
Por
todos que amávamos
mortos
ou vivos
porque
acreditávamos
que
a luz do nosso amor
como
a da lamparina
e
a da estrela mais pequenina
continuaria
a piscar
Cosmos
fora
mesmo
depois de se apagar
E
que será guiados por essa luz
que
um dia
nos
voltaremos a encontrar
agora
já sem que o nosso amor
se
possa mais apagar
Henrique António Pedro

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