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domingo, 25 de janeiro de 2026

Eu sabia que um qualquer dia


Eu sabia

que um qualquer dia

havia

de lá tornar

 

Era o coração que mo dizia

 

E que ao lá voltar

voltava a muitos mais lugares

separados no tempo

espalhados, mas ligados

pelo mesmo fio de sentimento

numa mesma conexão

que só mais tarde compreendi

 

Só não sabia

que seria

assim tão de repente

sem causa visível

ou aparente

 

Só não sabia

que encontraria

tudo assim tão diferente

tantos espaços desertos

tanta gente ausente

tantos silêncios abertos

 

Fiquei por isso parado

calado

no doce prazer de sofrer

a recordar

tomado de nostalgia

 

Daquela galega morrinha

que ainda agora

agorinha

me não mata

mas me mói

 

Doer

de verdade

dói a saudade

 

Vale de Salgueiro, terça-feira, 7 de Setembro de 2010

Henrique António Pedro

in Anamnesis (1.ª Edição: Janeiro de 2016)

 

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